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sexta-feira, 21 de julho de 2017

WILLIAM WALLACE DERROTADO EM FALKIRK



WILLIAN WALLACE DERROTADO...
No dia 22 de Julho de 1298, na Batalha de Falkirk, as tropas do Rei Inglês, Eduardo I – Longshanks, derrotava as tropas escocesas, lideradas por Willian Wallace.
A História se passa de forma bem diferente do que mostrado no maravilhoso filme (apenas um filme) de Mel Gibson.
Eduardo I fora chamado pelos próprios escoceses, em 1291, para arbitrar a disputa pelo trono escocês, que era pretendido por vários nobres, entre eles Robert de Bruce e John Balliol.


O trono escocês estava vago pois o rei anterior, Alexandre III, falecera em 1286 sem deixar herdeiro homem. Sua neta, Margarida, então com três anos, herdaria o trono e estava prometida em casamento para o filho do rei inglês.
Mas Margarida morreu, de modo que Eduardo Longshanks fez exigências que tornavam a Escócia, na prática, reino vassalo da Inglaterra. O Rei Escocês escolhido no tribunal foi John Balliol, que aceitou a sujeição aos ingleses.

Estátua de William Wallace

Isso fez dele muito impopular na Escócia. Mas, diante das exigências cada vez maiores de Eduardo I, John fez aliança secreta com o Rei da França, Felipe o Belo. Quando Eduardo Longshanks descobriu invadiu a Escócia. A despeito de ter abraçado a causa de seu país, John Balliol não conseguiu reunir um exército forte e acabou renunciando. A guerra continuou sob a liderança de Andrew Moray e William Wallace.
Ambos conseguiram uma importante vitória na Batalha da Ponte de Stirling, mas Andrew morreu de um ferimento e Wallace assumiu sozinho o comando das tropas.


Nomeado Guardião da Escócia, Wallace passou a invadir e saquear o Norte da Inglaterra até que Eduardo I reagiu avançando país adentro rumo à capital, Edimburgo. Wallace posicionou suas tropas perto da cidade de Falkirk, para impedir esse avanço.
O exército de Wallace se posicionou com longas lanças fincadas no chão e com isso resistiu muito bem à cavalaria inglesa. Mas a própria cavalaria escocesa fugiu em meio ao combate, exatamente como mostrado no filme.
Assim, a posição defensiva de Wallace, que funcionara contra a cavalaria, tornou-se uma armadilha, pois era uma posição estática que acabou cercada e atacada pelos arqueiros ingleses. Vitória arrasadora de Longshanks.


Wallace fugiu para prosseguir na luta, mas foi capturado e morto em 1305. A guerra ainda perduraria vários anos. Eduardo Longshanks morreu em 1307 e seu filho, Eduardo II, prosseguiu a luta, mas foi derrotado na Batalha de Bannockburn em 1314.
Agora a Escócia estava em vantagem e voltou a invadir o Norte da Inglaterra. Eduardo II morreu em 1327 e em 01/05/1328, através do Tratado Edimburgo-Northampton, os ingleses reconheceram a vitória e independência da Escócia, com Robert de Bruce como Rei.


Fontes e Imagens:

http://pt.encydia.com/es/Batalha_de_Falkirk

https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Falkirk_(1298)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerras_de_independ%C3%AAncia_da_Esc%C3%B3cia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Filipe_IV_de_Fran%C3%A7a

https://pt.wikipedia.org/wiki/William_Wallace

https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_I_de_Inglaterra

http://www.film4.com/reviews/1995/braveheart

http://unisci24.com/197245.html

https://plentyoftweed.wordpress.com/history-vs-hollywood-episode-2-braveheart/

https://www.youtube.com/watch?v=fDb9hHLyFME

http://sixseeds.patheos.com/watchinggod/2014/09/braveheart-a-different-sort-of-freedom/

terça-feira, 18 de julho de 2017

VITÓRIA CRISTÃ EM ROMA - 2

COMO O CRISTIANISMO TRIUNFOU EM ROMA - II
O status de Roma como capital estava, à época, abalado, considerando que vários imperadores pouco permaneciam na cidade, diante da necessidade de suas presenças em diferentes pontos de crise do império.
Segundo Lissner2, Diocleciano, por exemplo, manteve sua corte em Nicomédia e seus antecessores mais próximos, de reinados muito curtos, nem chegaram a pisar em Roma enquanto imperadores. Foram nomeados e mortos fora da capital:
Roma, a cidade caprichosa, mimada, cruel, empanturrada de triunfos, a cidade das arenas, dos teatros e das termas grandiosas, entrava na sombra. (pg. 453)
Neste período, o título “César” já não se aplicava ao Imperador propriamente, que utilizava o título de Dominus (Senhor), acompanhado de Augustus.
Lissner informa que, em 285 d.C., Diocleciano nomeou Maximiniano como César, encarregando-o de governar a Gália e, no mesmo ano, concedeu-lhe o título de Augustus, fazendo-o Co-Imperador. (pg. 452)
O Império Romano tornava-se, novamente, uma diarquia, experiência que não era nova. E a parceria deu excelentes resultados, como a vitória sobre os “... burgúndios, os alemães, os francos, os sármatas, os godos e os árabes.”(pg. 453)
Apesar disso, Diocleciano percebeu que seria preciso descentralizar ainda mais o governo e nomeou dois Césares, um para cada Augusto. Na prática, cada imperador ganhava um auxiliar de luxo.
Os nomeados foram Galério, César de Diocleciano, enviado à Gália, e Constâncio Cloro, César de Maximiniano, enviado ao Sul do Danúbio.
Diocleciano - Maximiniano - Galério - Constâncio Cloro
Nesse novo arranjo, cada Augusto adotou seu César como filho, tornando-os sucessores. Para tal estes foram obrigados ao divórcio e ao casamento com as filhas dos imperadores.
Também foi fixado um prazo de vinte anos para que os Augustos pudessem renunciar em favor dos Césares. O trabalho tornou-se bem mais organizado e rendeu excelentes frutos. O império respirava novamente.
Continua...


2 LISSNER, Ivar, Os Césares - Apogeu e Loucura: Trad. de Oscar Mendes. Belo Horizonte: Itatiaia, 1964.

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segunda-feira, 10 de julho de 2017

A MORTE DE NICOLAU II

A MORTE DE NICOLAU II
Em um dia 17/07, no ano de 1918, Nikolái Alieksándrovich Románov, o último Csar da Rússia foi assassinado, juntamente com toda sua família, na cidade de Ecaterimburgo, fuzilado pelos soldados do governo Bolchevique.
Nicolai teve a má sorte de ser um homem de mente atrasada, à frente de um país atrasado, mas no seio do qual crescia o embrião da revolta em um tempo de virada da História.
Nicolai nasceu em 18/05/1868 em Tsarskoye Selo, em um dos palácios da família imperial russa, perto da capital, São Petesburgo. Era filho do Csar Alexandre III e de Maria Feodorovna ou princesa Dagmar da Dinamarca, então Csarina Consorte da Rússia.
Aos 13 anos Nicolai se tornou herdeiro direto do trono por conta do assassinato de seu avô, o Csar Alexandre II e a coroação do pai. O garoto então se mudou para o Palácio de Gatchina, fora da capital, por questões de segurança.
Sua educação foi rigorosa, dormia em um quarto sem luxo, de modo a aprimorar sua resistência, aprendeu francês, alemão, inglês, História, geografia, dança, etc. Seu tutor incutia-lhe sempre que possível, a importância do exercício do poder absoluto.
Em 1894 Nicolai ficou noivo de Alice de Hesse-Darmstadt contra a vontade de seus pais pois a moça era de origem alemã, contudo, quando Alexandre II adoeceu e sua morte tornou-se iminente, a autorização para o noivado foi dada. O Csar faleceu antes do casamento ser realizado. Após a cerimônia Alice passou a se chamar Alexandra Feodorovna, Csarina Consorte da Rússia.
Nicolai e Alexandra.
O pai de Nicolai providenciou para que fosse rigorosamente educado, mas não lhe preparou para os deveres de Csar e o pouco treinamento de Nicolai nessa área veio por insistência do Ministro das Finanças Serguei Witte. A despeito disso, quando chegou o momento, o próprio Nicolai reconheceu seu despreparo.
A Coroação de Nicolai II.
Alexandre III mergulhara de vez a Rússia no atraso ao revogar quase todas as reformas feitas por seu pai, Alexandre II, dentre elas a proibição de acesso às universidades para os russos que não tivessem origem nobre![1]
Claro que tal nível de repressão não poderia ser mantido senão pela força bruta da última monarquia absolutista da Europa onde até mesmo os divórcios deveriam ser aprovados pelo Csar![2]
Assim, o poder de Nicolai ao assumir o trono do país mais atrasado da Europa[3] estava baseado em um tripé de frágil equilíbrio formado pela burocracia, o grande e fraco exército e a polícia, chamada Okbrana.[4]
Os problemas começaram já nas festividades do casamento, quando uma festa preparada para o povo acabou em tumulto e mais de 1400 mortes, ficando conhecida como Tragédia de Khodynka.
Vítima da Tragédia de Khodynka.
No governo Nicolai se mostrou muito cioso de seu próprio poder absoluto e, ao mesmo tempo, relutante em usá-lo, passando a impressão de fraco e indeciso.
Marcam o período os ataques a judeus, estimulados por propaganda negativa financiada pelo Ministro do Interior e a Guerra Russo-Japonesa na qual a Rússia foi derrotada pelo Japão, perdendo duas frotas navais. A guerra terminou em 1905, contudo, antes mesmo de seu fim, começariam as revoltas que levariam ao fim da monarquia alguns anos depois.
No dia 21/01/1905 foi anunciada uma marcha pacífica pelas ruas de São Petesburgo. O organizador, Padre Gapon, solicitou a presença do Csar para receber uma petição do povo. Mas os ministros não avisaram ao monarca e, ao invés disso, convocaram mais tropas para impedir as pessoas de chegar ao Palácio de Inverno.
Em 22/01/1905 a marcha foi iniciada e a cada momento recebia o acréscimo de mais e mais pessoas que caminhavam sob o frio e a neve cantando hinos religiosos e o Hino Imperial "Deus salve o Csar".
Em outras palavras, as pessoas acreditavam que o Csar as receberia como um pai e acolheria suas súplicas. Mas ao se aproximarem do Palácio encontraram os bloqueios de soldados que abriram fogo contra a multidão. O saldo foi de 92 mortos e muitos feridos, número que os boatos que chegavam ao interior do país era muitas vezes multiplicado. O divórcio entre o povo e seu Csar estava consumado.
A pressão interna e externa foi tamanha que Nicolai aceitou a convocação de um parlamento, chamado Duma, e a nomeação de um Primeiro Ministro, escolhendo Serguei Witte para o posto. Mas o Csar não pretendia abrir mão do próprio poder, de modo que logo entrou em confronto com os congressistas e a Duma foi dissolvida.
Nicolai e Alexandra na instalação da Duma.
A segunda Duma passou a funcionar em 1907 com Piotr Stolypin como Primeiro Ministro, o qual se encarregou de dissolver este segundo parlamento tão logo teve oportunidade, com apoio do Csar.
A terceira Duma foi mais prudente e deixou de atacar diretamente o governo, passando a se concentrar em questões econômicas conseguindo alguns avanços apesar da oposição de grande parte da nobreza ao trabalho de Stolypin e da Duma que eles classificavam como usurpação ao poder do Csar.
Mas não foi essa oposição que prejudicou Stolypin, foi o ódio que a Imperatriz Alexandra lhe devotava por conta da oposição deste à presença do Monge Rasputin na corte. Nicolai e Alexandra tiveram cinco crianças, sendo as quatro primeiras mulheres (Olga, Tatiana, Maria e Anastásia) e um filho, Alexei, o sonhado herdeiro do trono.
Nicolai II e família.
Mas Alexei tinha a doença real, hemofilia, e por isso inspirava cuidados redobrados. Nas crises, porém, somente Rasputin alcançara algum sucesso no restabelecimento do príncipe herdeiro, de modo que Alexandra, e o próprio Csar, não queriam prescindir da presença do Monge que, obviamente, tirava proveito desse favorecimento, de onde surgiram boatos de que influenciava o Csar em suas decisões de governo.
Em 1912, com o início da quarta Duma, esses rumores encontraram eco até mesmo entre defensores da monarquia.
A despeito de tudo, porém, a população uniu-se em torno do Csar quando a Primeira Guerra Mundial começou. Esse apoio porém só durou até que as ações do exército se tornassem uma série catastrófica de derrotas que resultaram em 215 mil baixas somente em 1914.
A derrota russa em Tannenberg.
Mas, em 1917 a situação das forças armadas era muito pior, pois “No início de 1917, o exército russo tinha perdido 2,7 milhões de homens, mortos ou feridos, e mais de 4 milhões de prisioneiros.[5]. A desilusão com os rumos da guerra exauriu o apoio a ela entre os próprios soldados.
E, no caso específico do fracasso militar, a imagem do Csar não escapou incólume, pois Nicolau II “...insistiu em assumir pessoalmente o comando do exército em 1915, isolando-se [...] ao se mudar para o quartel general longe da capital.[6].
O desabastecimento se instalou entre os anos de 1916-1917 quando “Por causa do rigor invernal, que aumenta as dificuldades de transporte, as reservas de farinha na capital estavam quase escotadas. Em fins de fevereiro o governo se viu obrigado a estabelecer um estrito racionamento e as padarias se viram incapazes de trocar todos os cupons.[7].

E se na própria capital a situação era esta,  no campo o quadro era ainda pior, de modo que as penúrias econômicas também influíram decisivamente nos eventos que se desencadearam logo a seguir.
Quando a falta de carvão obrigou o fechamento de fábricas que, por sua vez, iniciaram demissões em massa, gigantescas manifestações eclodiram no país: “...em Petrogrado, 150 mil trabalhadores entraram em greve. Um grande número de manifestantes também tomou as ruas em Moscou [...] Carcóvia e Baku.[8].
As manifestações foram se agigantando até 09 de Março, quando “... ocorreram os primeiros choques entre os grevistas e a polícia.[9]. E, a partir da adesão dos socialistas às manifestações dos trabalhadores, estas deixaram de ser contra a incompetência “...dos serviços administrativos, […] mas atacavam o regime político.[10].
O governo ordenou às tropas que atirassem na multidão. Desta vez, contudo, havia muitos soldados apoiando o povo. As tropas sediadas em Petrogrado “onde o grosso dos efetivos era formado por reservistas sensíveis à propaganda dos militantes, paralisou a resistência dos poderes públicos.[11]. Sem suporte militar, o regime desmoronou. 
Poucos dias depois, Nicolau II abdicou:
Nestes dias decisivos na vida da Rússia, consideramos nosso dever fazer o que pudermos para ajudar nosso povo a se unir e juntar todas as forças para a [...] vitória. Por essa razão, nós, de acordo com a Duma de Estado, consideramos melhor abdicar do trono...[12]
Nicolau II tentou emplacar seu irmão Miguel no trono, mas este se recusou a assumir, de modo que foi instalado um governo provisório de orientação liberal, sob comando do Príncipe Georgy Lvov e Alexander Kerenski no Ministério da Guerra.
Nicolai foi preso junto com toda sua família e assim ficou enquanto a Rússia seguia em convulsão. Quando os bolcheviques assumiram o poder a situação da família imperial começou a declinar até que veio a ordem de Lênin e Sverdlov para a execução que ocorreu em Ecaterimburgo na noite de 16 para 17 de julho.
Reunião do Soviet de Petrogrado.
Soldados armados entraram no quarto onde estava a família e começaram a atirar. Nicolai morreu primeiro, alvejado muitas vezes e suas filhas morreram por último, a golpes de baioneta. Também morreram neste dia o médico, o cozinheiro, o criado e a empregada da família.
Os restos mortais dos Romanov permaneceram sepultados em Ecaterimburgo até 1998, quando foram desenterrados em parte. Em 2008 foram encontrados os restos de Alexei e de uma de suas irmãs. Neste mesmo ano a Suprema Corte Russa reabilitou suas figuras, reconhecendo terem sido vítimas de repressão política.

[1]    CARTER, Miranda. Os Três Imperadores. Três primos, três impérios e o caminho para a Primeira Guerra Mundial. Trad. Clóvis Marques. Rio de Janeiro, Objetiva, 2013. pg. 69
[2]    Ibid. pg. 61
[3]    SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 25.
[4]    RODRIGUES, Luiz César B. A Primeira Guerra Mundial – Discutindo a História. São Paulo, Atual, 1994. pg. 26
[5]    SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 318.
[6]    PIMLOTT, John. A Primeira Guerra Mundial. Bogotá, Colômbia: Editora Norma. pg. 26.
[7]    RENOUVIN, Pierra. La Primera Guerra Mundial. Em língua espanhola. Trad. Jordi García Jacas. Barcelona-Espanha, Editora Montserrat, 1990. pg. 30. Tradução Livre.
[8]    SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 317.
[9]    RENOUVIN, Pierra. La Primera Guerra Mundial. Em língua espanhola. Trad. Jordi García Jacas. Barcelona-Espanha, Editora Montserrat, 1990. pg. 30. Tradução Livre.
[10]    Ibid pg. 30.
[11]    Ibid pg. 30.
[12]      Fonte: Documents of Russian History, 1914-1917, ed. Frank Alfred Golder (New York: The Century Co., 1927), 297-99. Mencionado em: SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 317.  

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Fontes e Imagens:
CARTER, Miranda. Os Três Imperadores. Três primos, três impérios e o caminho para a Primeira Guerra Mundial. Trad. Clóvis Marques. Rio de Janeiro, Objetiva, 2013.. pg. 69
SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 25.
RODRIGUES, Luiz César B. A Primeira Guerra Mundial – Discutindo a História. São Paulo, Atual, 1994. pg. 26
PIMLOTT, John. A Primeira Guerra Mundial. Bogotá, Colômbia: Editora Norma. pg. 26.
RENOUVIN, Pierra. La Primera Guerra Mundial. Em língua espanhola. Trad. Jordi García Jacas. Barcelona-Espanha, Editora Montserrat, 1990. pg. 30. Tradução Livre.
http://educacao.uol.com.br/biografias/klick/0,5387,1755-biografia-9,00.jhtm
http://www.grupoescolar.com/pesquisa/czar-nicolau-ii.html
http://escola.britannica.com.br/levels/fundamental/article/Nicolau-II/482045
https://seuhistory.com/biografias/nicolau-ii
https://www.ebiografia.com/nicolau_ii/
http://www.suapesquisa.com/quemfoi/czar_nicolau_II.htm
https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Feodorovna_(Dagmar_da_Dinamarca)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexandra_Feodorovna
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Russo-Japonesa
https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Tsushima
https://pt.wikipedia.org/wiki/Domingo_Sangrento_(1905)
https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Russian_Revolution_of_1905
https://en.wikipedia.org/wiki/Russian_Revolution
https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Battle_of_Tannenberg_(1914)

IMPERATRIZ LEOPOLDINA - IX

LEOPOLDINA1
A LIBERTADORA DO BRASIL
Quando as movimentações separatistas começaram, a princesa  Leopoldina escreveu ao seu pai, o Imperador da Áustria, informando que no Brasil “...todos os dias há novas cenas de revolta; os verdadeiros brasileiros são cabeças boas e tranquilas; as tropas portuguesas estão animadas pelo pior espírito, e meu esposo […] não dá exemplo de firmeza...” (pg. 163)
Essa indecisão de D. Pedro, que chegou a se entusiasmar com a ordem de retornar a Portugal, começou a mudar em fins de 1821, mostrando a crescente influência dos irmãos Andrada, e resultando no Dia do Fico (09/01/1822).
Dia do Fico (09/01/1822).
A partir de então os acontecimentos foram se precipitando com a ordem de retenção de todas as determinações vindas de Portugal até a vistoria de D. Pedro (21/01/1822), a não admissão de oficiais portugueses no beija-mão do aniversário da princesa (22/01) e a partida do regente para o Sul em março.
Em 13/08/1822, a fim de viajar para pacificar a província de São Paulo, D. Pedro nomeou Leopoldina presidente dos negócios do governo. Este curto período serviu para estreitar a colaboração da princesa com José Bonifácio de Andrada, com quem compartilhava “...ideias monárquicas e liberalismo moderado […] ideia do Brasil relativamente independente...” (pg. 178)
Infelizmente, 15 dias após deixar o Rio de Janeiro, D. Pedro conheceu a mulher que destruiria seu casamento e seu governo: Domitila de Castro.
Alheia a mais uma traição, Leopoldina escrevia constantemente sem receber resposta do marido. Estava preocupada, em especial com o desembarque de 600 homens chegados em embarcações militares na Bahia.
Sob a ameaça de ataque que pairava sobre a capital, o Conselho de Estado foi reunido em 02/09/1822 e decidiu, por sugestão de Bonifácio e aprovação unânime de todos os membros, escrever ao regente rogando-lhe a proclamação da independência.
Reunião do Conselho de Estado no qual a Independência de fato foi decidida
O documento foi assinado e, junto com ele, seguiram cartas de Leopoldina e Bonifácio. D. Pedro as recebeu por volta das 16hs do dia 07 de setembro de 1822, às margens do Riacho Ipiranga.
Segundo Laurentino Gomes (1822), "...do ponto de vista formal, a Independência foi feita por Leopoldina e Bonifácio, cabendo ao príncipe apenas o papel teatral de proclamá-la na colina do Ipiranga.
Ali o príncipe leu também uma carta de seu pai, o Rei D. João VI, que o conclamava a obedecer às cortes de Lisboa, e outra do Cônsul-Geral da Grã-Bretanha, informando que havia a possibilidade de que fosse destituído em favor do irmão Miguel, “...medida extrema que, ao que parece, contava com o aval de […] Metternich...” (pg. 182)
A carta de Leopoldina, que segundo Cassotti, tocou profundamente o orgulho masculino do marido, terminava com uma daquelas frases capazes de inflamar ainda hoje qualquer coração minimamente patriota:
O Brasil será em vossas mãos um grande país. O Brasil vos quer para seu monarca. Com vosso apoio ou sem vosso apoio, ele fará sua separação. O pomo está maduro, colheio-o já, senão apodrecerá […] Já dissestes aqui o que ireis fazer em São Paulo. Fazei, pois. (pg. 183)
Ao vacilante Pedro só cabia um caminho e ele, sob o peso das Irradiações da Pureza de um daqueles raros momentos em que se percebe a roda da História girar, proclamou a nossa Independência, cumprindo, assim, sua missão. Nascia então, por pressão da princesa Austríaca e de vários outros, o Brasil!
Apesar de importar pouco, é sabido que aquele momento histórico não foi como representado por Pedro Américo no famoso quadro "O Grito do Ipiranga".
D. Pedro não montava o belo cavalo branco, mas uma boa mula baia. A viagem, de Santos a São Paulo, resultaria em roupas amarrotadas e sujas de lama, sem contar as constantes paradas por conta do desarranjo intestinal do príncipe.
O testemunho presencial do Padre Belchior, que leu as cartas para D. Pedro, conta que este tremeu de raiva, tomou-lhe os papéis das mãos, amassou e pisou. Perguntada sua opinião, Belchior sugeriu a proclamação da independência como único caminho.
O Padre conta que D. Pedro parou depois, ainda desmontado no meio da estrada, e declarou, conforme descreve Laurentino Gomes (1822):
Padre Belchior, eles o querem, eles terão a sua conta. As cortes me perseguem, chamam-me com desprezo de rapazinho e de brasileiro. Pois verão agora quanto vale o rapazinho. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações. Nada mais quero com o governo português e proclamo o Brasil, para sempre, separado de Portugal.
Assim, este momento Histórico da primeira declaração do príncipe não incluiu o famoso grito “Independência ou Morte!” e nem estavam ao redor dele os soldados.
A frase célebre só seria proferida depois, já na presença dos futuros Dragões da Independência quando, depois de retirar de seu chapéu os símbolos de Portugal e atirá-los ao chão, D. Pedro gritou “E viva o Brasil livre e independente!”, acrescentando, só então e logo após “Será nossa divisa de ora em diante: Independência ou Morte!

Continua...


1Marsilio Cassotti. A biografia íntima de Leopoldina: a imperatriz que conseguiu a independência do Brasil. São Paulo: Planeta, 2015


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sexta-feira, 7 de julho de 2017

A REVOLUÇÃO PAULISTA DE 1932

NOVE DE JULHO
REVOLUÇÃO DE 1932
No ano de 1932, no dia 09, ocorria o início da rebelião armada dos paulistas contra o governo federal chefiado por Getúlio Vargas.
A revolta vinha no ambiente da crise econômica mundial de 1929 e no início do governo Vargas, que ascendera ao poder pela Revolução de 1930.
Para responder à queda das exportações de café, o principal produto brasileiro, Vargas criara o Conselho Nacional do Café, que decidira pela compra do grão aos produtores e a subsequente queima, como forma de pressionar os preços para cima.
Apesar deste apoio, a elite paulista se ressentia pela perda do poder político, posto que Vargas governava por decretos na ausência de um texto constitucional que o limitasse.
Em 1931 começou a organização de um movimento em prol da promulgação de uma nova constituição que se espalhou por RS, SP, MG e RJ. A oposição começou a formar associações entre os partidos políticos para pressionar.
Do outro lado o movimento dos tenentes pressionava pela não realização de eleições, pois isso significaria a volta das elites da República Velha e do coronelismo ao poder.
Atendendo aos apelos por uma nova Carta Magna, em 24/02/1932 Getúlio Vargas publicou o anteprojeto da Constituição, que previa grandes mudanças, e o novo código eleitoral.
Este projeto era um grande avanço, pois permitia o voto das mulheres e de classes tais como sindicatos de patrões e empregados, que poderiam eleger deputados que os representassem.
Isso, obviamente, não agradava as elites, especialmente de São Paulo, pois a mudança do sistema eleitoral que permitira a política do café com leite não garantia que retomassem o poder. E uma onda de boatos começou a se espalhar, inflamando a população, principalmente em São Paulo.
Quando, em 22/05/1932, Osvaldo Aranha foi a São Paulo, espalhou-se o boato de que ele vinha fazer imposições ao Interventor Pedro de Toledo, que governava o estado.
Com isso uma multidão saiu às ruas para protestar e, quando tentaram invadir a sede do Partido Popular Progressista (tenentista), a reação policial resultou na morte de quatro jovens, Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, cujas iniciais formaram o nome de uma entidade que simbolizou o movimento dali em diante: o MMDC.
O MMDC começou a arrecadar doações para compra de armas visando combater o governo Vargas. Em 09/07/1932 eclodiu a luta armada na qual as tropas paulistas eram comandadas pelos Generais isidoro Dias Lopes e Bertoldo Klinger e pelo ex Interventor Pedro de Toledo.

Os paulistas contavam com o apoio dos gaúchos, cariocas e mineiros, mas o RS e MG mudaram de lado e, no RJ, o líder revoltoso Agildo Barata e seus seguidores foram presos, de modo que SP ficou sozinho na luta e acabou cercado.
Menos de três meses depois, após muitos combates e a perda de 633 homens, São Paulo se rendeu. Getúlio venceu mas atendeu aos apelos por uma nova Constituição, promulgada em 16/07/1934. 
A primeira mulher eleita para um cargo público no Brasil, Drª. Carlota Pereira de Queirós, participou de sua confecção.
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Fonte e Imagens:

http://reino-de-clio.com.br/Hist-Brasil.html.