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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

APARTHEID - Parte VI


Mandela e Oliver Tambo
http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/nelson-mandela/
NELSON MANDELA13

Ativista e político sulafricano, Nelson Rolihlahla Mandela se tornou o nome de maior projeção na luta contra o Apartheid.

Nascido em Umtata, região de Transkei, filho de uma família real do Tembu, tribo da etnia xhosa, Mandela foi educado em uma escola missionária britânica e na Fort Hare University, da qual foi expulso, junto com Oliver Tambo, por liderar uma greve, em 1940.
O Rei dos Xhosa, Jongintaba - tio e tutor de Mandela
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Jongintaba_Xhosa_Regent.png

Conseguiu se formar advogado pela Universidade da África do Sul. Fundou em 1944, com ajuda de Walter Sisulu e Tambo, a Liga da Juventude do Congresso Nacional Africano (CNA), grupo de direitos civis que lutou contra o regime autoritário racista.
Mandela e Sisulu

Esses 3 homens alcançaram a cúpula do CNA em 1948, com Mandela chegando à presidência do partido em 1950. Mandela casou-se com Evelyn Ntoko, com quem teve 3 filhos. Divorciaram-se anos mais tarde.
Mandela e Evelyn
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Mandela_e_Evelyn_1944.jpg




Em 1952, ele liderou a campanha de desobediência civil às leis racistas, percorrendo o país, na luta contra o Apartheid e pela conquista dos direitos democráticos de seu povo. Preso por traição, em 1955/1956, foi absolvido cinco anos depois.

Em 1958 volta a se casar, desta vez com Nomzamo Winifred Zanyiwe Madikizela,14 mais conhecida como Winnie Mandela, com quem teve duas filhas.
.
Mandela e Winnie
http://www.loveatfirstfight.com/relationship-advice/nelson-mandela/

Em seguida ao Massacre de Shaperville (1960), realizado pela polícia sul-africana contra manifestantes, o CNA foi declarado ilegal. Mandela, então, ajudou a fundar seu braço armado, o Lanceiro da Nação. Foi preso em 1962 e condenado a cinco anos de cadeia. Sua pena foi ampliada para prisão perpétua em 1964.
Continua...
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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

GREVES, CORRUPÇÃO E DELAÇÕES NÃO PREMIADAS NO EGITO ANTIGO – Parte II

GREVES, CORRUPÇÃO E DELAÇÕES NÃO PREMIADAS NO EGITO ANTIGO – Parte II
A economia do Egito, durante o reinado de Ramsés III, estava com sérios problemas. Se, de um lado, o Faraó cobrava mais impostos e contribuições do povo para sustentar os templos, do outro a casta de sacerdotes de Amon, 10% da população ligada a seus templos e 13% das terras a estes pertencentes, eram isentos de qualquer contribuição.
A crise econômica levou ao atraso de cerca de um mês na entrega dos cereais e do óleo com que os operários construtores e decoradores de túmulos eram pagos. Quando a situação se tornou insustentável não houve outra saída a não ser a manifestação.

Os operários acamparam atrás do Templo de Tutmósis III até que foram recebidos pelas autoridades. Mas ficaram só na promessa, de modo que, dias depois, os trabalhadores invadiram o Ramesseum, templo funerário (cenotáfio – um tipo de memorial que não contém a múmia) de Ramsés II – O Grande.

Uma vez dentro do templo, os trabalhadores unidos apresentaram suas reivindicações: "Viemos até aqui, chegamos a este ponto, porque temos fome, sede, estamos sem roupas, pomadas, peixe, óleo e verduras. Contai isto ao Faraó, o nosso bom deus, e ao vizir. Fazei com que possamos viver." (1)

A greve foi um sucesso temporário, pois os salários foram pagos, mas, no mês seguinte novo atraso e nova paralisação, desta vez encerrada somente após o fechamento de um acordo que garantiu o pagamento antecipado dos salários.
É interessante notar que, durante as negociações, denúncias foram feitas contra auditores que deveriam prestar contas das obras ao vizir, mas estavam enganando a este e, indiretamente, ao próprio Faraó.
Essa corrupção nos faz voltar à questão do roubo de túmulos, para analisar um caso em que as duas atividades criminosas caminharam juntas, durante o reinado de Ramsés IX.
Continua...
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IMPERATRIZ LEOPOLDINA - X


IMPERATRIZ LEOPOLDINA – MATRIARCA DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL – Parte X
O gesto histórico da Proclamação da Independência foi jubilosamente aclamado pelo povo, agora brasileiro, mas foi mal visto na maioria das cortes européias, em especial na Áustria, impressão que Leopoldina tratou logo de combater, em cartas escritas ao pai.
Quando D. Pedro foi coroado Imperador, D. Leopoldina estava à sua frente, vestindo “...um longo manto de cetim verde e amarelo bordado de ouro...”, ocupando um lugar de destaque que, certamente, fizera por merecer. Mas este lugar estava sob ameaça como nunca antes, pois na viagem a São Paulo, D. Pedro conhecera Domitila de Castro.
Coroação de D. Pedro I - Leopoldina está no alto à esquerda
Nos meses seguintes, ainda sem saber da nova paixão do marido, Leopoldina seguiu ajudando a este e travando uma batalha diplomática que visava conquistar o apoio do Império Austríaco, na pessoa de seu pai, ao novo país, do qual era Imperatriz.
Juramento de Leopoldina à Constituição do Império
Em uma destas cartas, na qual argumenta com vantagens econômicas do estabelecimento de relações comerciais entre os dois impérios, Leopoldina encerra com uma declaração maravilhosa:
Agora só me resta desejar que vós, querido papai, assumais o papel de nosso verdadeiro amigo e aliado […] se acontecesse o contrário, para nosso maior pesar, sempre permanecerei brasileira de coração... (pg. 193)
Mas, se por um lado havia quem lutasse constantemente pelo país, por outro havia aqueles que conspiravam contra ele e estes conseguiram uma aliada poderosa na pessoa de Domitila de Castro que, segundo José Bonifácio, recebia dinheiro dos adversários para fomentar ataques.
Infelizmente, porém, estes foram bem sucedidos e José Bonifácio acabou sendo demitido, depois preso e deportado. Começava o declínio de D. Pedro I e a fase de sofrimento mais agudo de D. Leopoldina.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

VITÓRIA CRISTÃ EM ROMA - III


COMO O CRISTIANISMO TRIUNFOU EM ROMA – III
A reorganização de Diocleciano tirou o império da UTI.
Por outro lado, a reorganização do exército, a criação de uma força reserva e as obras públicas das quatro novas capitais, onde residiam os tetrarcas, e na própria Roma, demandavam enormes somas de dinheiro, que devia vir das províncias.
A descentralização do poder levou a uma imensa pressão burocrática e arrecadatória sobre os funcionários públicos e a população de uma forma geral, com exceção dos moradores de Roma, que eram isentos de impostos.
Para piorar, a medida de fixar preços e salários por todo o império, que na prática era um congelamento, só gerou inflação e retração da atividade comercial.
E a História Contemporânea mostra que, em momentos de grave crise econômica, a população, sempre bem orientada pelos aproveitadores, tende a buscar culpados sobre quem descarregar as frustrações.
E quem eram os bodes expiatórios perfeitos para as mazelas de Roma?Os Cristãos, é claro!
Além da decadência econômica, os últimos anos de Diocleciano à frente do império foram de perseguição aos seguidores de Cristo.
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sexta-feira, 21 de julho de 2017

WILLIAM WALLACE DERROTADO EM FALKIRK



WILLIAN WALLACE DERROTADO...
No dia 22 de Julho de 1298, na Batalha de Falkirk, as tropas do Rei Inglês, Eduardo I – Longshanks, derrotava as tropas escocesas, lideradas por Willian Wallace.
A História se passa de forma bem diferente do que mostrado no maravilhoso filme (apenas um filme) de Mel Gibson.
Eduardo I fora chamado pelos próprios escoceses, em 1291, para arbitrar a disputa pelo trono escocês, que era pretendido por vários nobres, entre eles Robert de Bruce e John Balliol.


O trono escocês estava vago pois o rei anterior, Alexandre III, falecera em 1286 sem deixar herdeiro homem. Sua neta, Margarida, então com três anos, herdaria o trono e estava prometida em casamento para o filho do rei inglês.
Mas Margarida morreu, de modo que Eduardo Longshanks fez exigências que tornavam a Escócia, na prática, reino vassalo da Inglaterra. O Rei Escocês escolhido no tribunal foi John Balliol, que aceitou a sujeição aos ingleses.

Estátua de William Wallace

Isso fez dele muito impopular na Escócia. Mas, diante das exigências cada vez maiores de Eduardo I, John fez aliança secreta com o Rei da França, Felipe o Belo. Quando Eduardo Longshanks descobriu invadiu a Escócia. A despeito de ter abraçado a causa de seu país, John Balliol não conseguiu reunir um exército forte e acabou renunciando. A guerra continuou sob a liderança de Andrew Moray e William Wallace.
Ambos conseguiram uma importante vitória na Batalha da Ponte de Stirling, mas Andrew morreu de um ferimento e Wallace assumiu sozinho o comando das tropas.


Nomeado Guardião da Escócia, Wallace passou a invadir e saquear o Norte da Inglaterra até que Eduardo I reagiu avançando país adentro rumo à capital, Edimburgo. Wallace posicionou suas tropas perto da cidade de Falkirk, para impedir esse avanço.
O exército de Wallace se posicionou com longas lanças fincadas no chão e com isso resistiu muito bem à cavalaria inglesa. Mas a própria cavalaria escocesa fugiu em meio ao combate, exatamente como mostrado no filme.
Assim, a posição defensiva de Wallace, que funcionara contra a cavalaria, tornou-se uma armadilha, pois era uma posição estática que acabou cercada e atacada pelos arqueiros ingleses. Vitória arrasadora de Longshanks.


Wallace fugiu para prosseguir na luta, mas foi capturado e morto em 1305. A guerra ainda perduraria vários anos. Eduardo Longshanks morreu em 1307 e seu filho, Eduardo II, prosseguiu a luta, mas foi derrotado na Batalha de Bannockburn em 1314.
Agora a Escócia estava em vantagem e voltou a invadir o Norte da Inglaterra. Eduardo II morreu em 1327 e em 01/05/1328, através do Tratado Edimburgo-Northampton, os ingleses reconheceram a vitória e independência da Escócia, com Robert de Bruce como Rei.


Fontes e Imagens:

http://pt.encydia.com/es/Batalha_de_Falkirk

https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Falkirk_(1298)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerras_de_independ%C3%AAncia_da_Esc%C3%B3cia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Filipe_IV_de_Fran%C3%A7a

https://pt.wikipedia.org/wiki/William_Wallace

https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_I_de_Inglaterra

http://www.film4.com/reviews/1995/braveheart

http://unisci24.com/197245.html

https://plentyoftweed.wordpress.com/history-vs-hollywood-episode-2-braveheart/

https://www.youtube.com/watch?v=fDb9hHLyFME

http://sixseeds.patheos.com/watchinggod/2014/09/braveheart-a-different-sort-of-freedom/

quarta-feira, 19 de julho de 2017

AS BRUXAS DE SALÉM

CAÇA ÀS BRUXAS EM SALÉM
Em um dia 19/08, no ano de 1692, ocorriam as execuções por enforcamento de Martha Carrier, George Jacobs Sr., George Burroughs, John Willard e John Proctor, acusados e condenados por prática de bruxaria.
A Vila de Salém, atual cidade de Danvers em Massachusetts, era habitada por puritanos fugidos da perseguição religiosa na Europa. Eles viviam sob leis bíblicas em um tempo de raro conhecimento científico e muita superstição.

Também eram comuns as desavenças internas, nas quais os membros constantemente entravam em disputa pela posse de terras, por estabelecimento de limites, etc, bem como disputas com a vizinha Cidade de Salém, que mantém o nome até hoje. 
Acima e abaixo, sítios onde ficavam as antigas construções de Salém.

O Reverendo, ou Primeiro Ministro, cargo mais importante da comunidade por conta de sua autoridade religiosa, era escolhido pelos moradores que deveriam pagar a ele uma taxa anual, o que por vezes não ocorria, levando a renúncias ao cargo. Quando Samuel Parris assumiu o posto ele era o quarto a ocupar o cargo.

Os problemas começaram em fevereiro de 1692, quando Betty Parris, de 9 anos, e Abigail Williams, de 11 anos, respectivamente filha e sobrinha do Reverendo Samuel Parris, começaram a apresentar comportamento agressivo, emitir sons estranhos e a ter espasmos violentos, sintomas hoje reconhecidos como oriundos da provável contaminação por um fungo. 
A casa onde a bruxaria começou em foto do século XIX.
O médico consultado, sem encontrar resposta, afirmou que as meninas estavam enfeitiçadas e logo outras meninas da vila passaram a apresentar os mesmos sintomas. Dai para a histeria coletiva foi um pequeno passo, principalmente porque poucos anos antes, em 1689, um livro sobre feitiçaria, descrevia sintomas semelhantes, relacionando-os à ação de feiticeiras.

Quando foram examinadas e interrogadas as meninas acusaram a escrava do reverendo Parris, Tituba, além de “Sarah Good, uma moradora de rua; e Sarah Osborne, uma idosa pobre.[1]
Obviamente nenhuma das acusadas era bruxa, mas, com objetivo de escapar da forca, a escrava Tituba confessou e ainda afirmou ter feito pacto com o demônio. Quando Martha Corey, uma cristã muito devota e frequentadora dos cultos, foi acusada, o pânico se instalou pois agora qualquer um poderia estar sob influência direta do cramunhão tinhoso!

Qualquer comportamento minimamente fora dos padrões, marcas de nascença e cicatrizes pelo corpo passaram a ser motivo de denúncia e até Dorothy Good, de míseros 4 anos de idade, foi detida e interrogada! Testemunhas de defesa não eram admitidas! 
Certamente não descartamos o uso destas denúncias como estratégia para livrar-se de inimigos ou adversários, o que sempre ocorre nestes casos.
Em Maio daquele ano Massachusetts teve um novo governador nomeado, Sir William Phips, que instaurou um tribunal para processar e julgar os casos de Salém. 
Samuel Parris e William Phips.
Entre 200 e 300 pessoas foram acusadas de bruxaria. A primeira a ser condenada foi Bridget Bishop, enforcada em 10 de junho, seguida de outras 18 vítimas até 22 de setembro. 
O enforcamento de Bridget Bishop.


Execução de Giles Corey, esmagado por pedras.
Em 29 de outubro o governador dissolveu o tribunal proibindo novas prisões e libertando vários acusados.

Quando outro tribunal foi instalado, no ano seguinte, quase todos os que ainda permaneciam presos foram inocentados e libertados. 
Acima e abaixo, documentos do processo contra as Bruxas de Salém.

Quando o leitor se deparar com pessoas defendendo que nosso país seja governado por uma lei religiosa, ou atacando alguém por sua prática de fé, lembre-se do caso das Bruxas de Salém, onde fé e ignorância levaram tantos inocentes à morte. 


[1]  A bizarra história por trás das famosas Bruxas de Salem
https://www.megacurioso.com.br/historia-e-geografia/100333-a-bizarra-historia-por-tras-das-famosas-bruxas-de-salem.htm

Fontes e Imagens:
http://andandonolimbo.blogspot.com.br/2012/07/verdadeira-historia-das-bruxas-de-salem.html
https://www.megacurioso.com.br/historia-e-geografia/100333-a-bizarra-historia-por-tras-das-famosas-bruxas-de-salem.htm
http://mundoestranho.abril.com.br/historia/quem-foram-e-como-morreram-as-bruxas-de-salem/
http://www.sitedecuriosidades.com/curiosidade/bruxas-de-salem.html
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/feiticeiras.htm
https://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_the_Salem_witch_trials
https://en.wikipedia.org/wiki/Salem_witch_trials


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terça-feira, 18 de julho de 2017

QUEDA DE TENOCHTITLÁN


QUEDA DE TENOCHTITLÁN
No ano de 1521, provavelmente no dia 13 de agosto, ocorria a queda da grande cidade asteca de Tenochtitlán, tomada pelos conquistadores espanhóis liderados por Hernán Cortéz.
Os Astecas, também chamados Mexicas, viveram onde hoje é o México e o auge de sua civilização foi entre os séculos XIV e XVI.

Os mexicas, originários de Aztlán, chegaram às margens do lago Texcoco, vindos de Chapultepec, de onde haviam sido expulsos. Junto ao lago se estabeleceram e formaram uma aliança de três cidades que viria a dominar o futuro Império Asteca: Texcoco, Tiacopan e Tenochtitlán.
A sociedade asteca era formada pelo Imperador e Chefe Militar (eleito), sacerdotes, demais chefes militares, artesãos, trabalhadores urbanos e camponeses. Uma outra divisão comumente aceita pela historiografia era entre nobres (pipiltin), camponeses, (calpulli) e o povo, (macehualtin). Os pochtecas eram os comerciantes, que viajavam e faziam as vezes de espiões para o governante.

A região onde se estabeleceram os astecas era alagada, mas eles desenvolveram técnicas agrícolas impressionantes, construindo ilhas de cultivo, denominadas Chinampas, canais de drenagem e aquedutos que traziam água das montanhas.
A própria cidade de Tenochtitlán, que possuia templos imensos, largas e retas avenidas, foi construída no meio de um pântano!
Os astecas também se desenvolveram imensamente nas artes, confeccionando ricos tecidos, trabalhando com ouro e prata, realizando grandes avanços na pintura e também na matemática, astronomia e criando uma escrita pictórica.
Eles eram politeístas, adoravam os astros e as forças da natureza e realizavam sacrifícios humanos em larga escala.

Em 1519, ano da chegada dos espanhóis, residiam cerca de 300 mil pessoas em Tenochtitlán e a cidade jamais seria tomada por menos de 700 europeus, mesmo que reforçados por aliados, se antes não tivessem aberto as portas a eles. Quando tentaram voltar atrás já era tarde.
O Imperador Asteca, Montezuma, recebeu e hospedou os espanhóis com grande deferência quando estes se apresentaram como representantes do Rei da Espanha, Carlos I. Nestes primeiros contatos, os espanhóis já deixaram atrás de si o principal inimigo que haveria de ajudar na dizimação dos astecas: a varíola.
Quando a guerra veio, os europeus se fortaleceram fazendo alianças com povos rivais dos astecas, para o que contaram com a ajuda da índia Malinche, que era tradutora dos espanhóis e se tornou amante de Cortéz.
Tenochtitlán foi cercada durante sete meses, mas o armamento superior dos espanhóis e o enfraquecimento dos astecas por conta das doenças, fez com que a resistência chegasse a um fim. Mais um genocídio europeu nas Américas estava começando.
Fontes:
http://reino-de-clio.com.br/Hist-Geral.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tenochtitl%C3%A1n
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cerco_de_Tenochtitlan
https://pt.wikipedia.org/wiki/Conquista_do_Imp%C3%A9rio_Asteca

Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:The_Conquest_of_Tenochtitlan.jpg
https://www.youtube.com/watch?v=hKeTFa4m7cQ
http://www.dailystormer.com/the-history-of-the-conquest-of-mexico-the-battle-on-the-causeway-and-the-fall-of-tenochtitlan/
https://ensaiosfragmentados.com/2013/05/09/tenochtitlan-o-planejamento-urbano-asteca/
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VITÓRIA CRISTÃ EM ROMA - 2

COMO O CRISTIANISMO TRIUNFOU EM ROMA - II
O status de Roma como capital estava, à época, abalado, considerando que vários imperadores pouco permaneciam na cidade, diante da necessidade de suas presenças em diferentes pontos de crise do império.
Segundo Lissner2, Diocleciano, por exemplo, manteve sua corte em Nicomédia e seus antecessores mais próximos, de reinados muito curtos, nem chegaram a pisar em Roma enquanto imperadores. Foram nomeados e mortos fora da capital:
Roma, a cidade caprichosa, mimada, cruel, empanturrada de triunfos, a cidade das arenas, dos teatros e das termas grandiosas, entrava na sombra. (pg. 453)
Neste período, o título “César” já não se aplicava ao Imperador propriamente, que utilizava o título de Dominus (Senhor), acompanhado de Augustus.
Lissner informa que, em 285 d.C., Diocleciano nomeou Maximiniano como César, encarregando-o de governar a Gália e, no mesmo ano, concedeu-lhe o título de Augustus, fazendo-o Co-Imperador. (pg. 452)
O Império Romano tornava-se, novamente, uma diarquia, experiência que não era nova. E a parceria deu excelentes resultados, como a vitória sobre os “... burgúndios, os alemães, os francos, os sármatas, os godos e os árabes.”(pg. 453)
Apesar disso, Diocleciano percebeu que seria preciso descentralizar ainda mais o governo e nomeou dois Césares, um para cada Augusto. Na prática, cada imperador ganhava um auxiliar de luxo.
Os nomeados foram Galério, César de Diocleciano, enviado à Gália, e Constâncio Cloro, César de Maximiniano, enviado ao Sul do Danúbio.
Diocleciano - Maximiniano - Galério - Constâncio Cloro
Nesse novo arranjo, cada Augusto adotou seu César como filho, tornando-os sucessores. Para tal estes foram obrigados ao divórcio e ao casamento com as filhas dos imperadores.
Também foi fixado um prazo de vinte anos para que os Augustos pudessem renunciar em favor dos Césares. O trabalho tornou-se bem mais organizado e rendeu excelentes frutos. O império respirava novamente.
Continua...


2 LISSNER, Ivar, Os Césares - Apogeu e Loucura: Trad. de Oscar Mendes. Belo Horizonte: Itatiaia, 1964.

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CÉSAR x POMPEU - O CONFRONTO FINAL!

A BATALHA DE FARSÁLIA
Em um dia 09/08, no ano de 48 a.C., ocorria o confronto final entre Júlio César e Pompeu, que disputavam o poder sobre a República de Roma, que na prática deixaria de existir a depender do resultado daquela batalha, travada na Grécia, e do comportamento de seu vencedor. 
A Batalha de Farsália, ou Farsalos, foi parte da Guerra Civil iniciada por conta do boicote e da perseguição de uma parte do Senado contra César, no final da Guerra na Gália. 
Pompeu, o mais proeminente, poderoso e popular cidadão da facção senatorial anti César, e membro do Primeiro Triunvirato que fora desestabilizado pela morte de Crassus, liderou essa disputa pelo poder, deixando a César, como única opção viável, a reação.
O que Pompeu e o Senado não esperavam é que a reação de César fosse tão rápida e radical. Ele violou a Lei que proibia a entrada de generais acompanhados por tropas no território da Itália e marchou para Roma sem que Pompeu tivesse tempo de mobilizar tropas suficientes para barrar-lhe o caminho. Só restou-lhes a fuga! Em pouco tempo, porém, Roma estaria novamente em guerra!
O campo de batalha visto a partir do Leste, nas imediações de Paleofarsália.
Após seu retorno da Gália e da travessia do Rubicão, César conquistara Roma sem batalha, mas correra em perseguição a Pompeu, que conseguiu escapar do cerco em Brindisi, levando a guerra para o solo grego/macedônico.
Com muito mais recursos humanos e materiais, Pompeu se dava ao luxo de evitar um confronto direto, optando por minar as forças de seu adversário.
A vitória de Pompeu em Dirráquio obrigara César a fugir, apresentando-se o momento em que Pompeu deveria persegui-lo, o que ele até fez, mas interrompeu logo depois.
Quando a perseguição recomeçou e César estacionou suas tropas em Paleofarsália (não Farsália, que fica bem ao sul do campo de batalha), não demorou para que os exércitos ficassem frente a frente. Estava para começar o confronto direto que César sempre desejara e que decidiria o destino dos dois titans romanos.
César reuniu suas forças com as que escaparam de Pompeu em Dirráquio e chegou à planície de Tessália, onde encontrou campos cheios de trigo. A cidade de Gomphos, ou Gomphi1 recusou-se a atendê-lo e foi cercada.  
Na ocasião César falou aos soldados das vantagens de saquear uma cidade bem abastecida como aquela e “...aproveitando o entusiasmo extraordinário dos soldados, no mesmo dia de sua chegada pôs-se a atacar a cidade […] entregou-a à pilhagem dos soldados.2
Esta ação de César, pondo de lado a clemência, acabou fazendo com que Metrópolis3, a próxima cidade do caminho, fosse bem mais receptiva, assim como as demais cidades da região.4
Acima: à esquerda a região intermediária entre as atuais Gomfoi e Paleomonastiro, onde acreditamos ter sido localizada a antiga Gomphi. À direita a periferia de Mitropoli que acreditamos ser, obviamente, a antiga Metrópolis.
Abaixo: à esquerda a pequena Krini, a antiga Paleofarsália a oeste do campo de batalha. À direita a Igreja Ortodoxa Grega de Farsália, bem ao Sul do campo de batalha.
Seguindo sua marcha, César chegou à região de Paleofarsália (atual Krini – e não Farsália, mais ao sul e que mantém o nome), acampando às margens do Rio Enipeas. Pompeu também chegou à região e acampou próximo a elevações de onde podia observar vasta área.5
Acompanhando as formas geométricas brancas de cima para baixo: o primeiro elipse é o acampamento de Pompeu, logo abaixo, os primeiros três retângulos são suas tropas. Frente a eles as tropas de César, com um traço diagonal representando sua reserva contra a cavalaria inimiga. No círculo a localização de Paleofarsália e o segundo elipse aponta o acampamento de César. A seta indica a direção de Farsália, que ficou com a fama, mas nem aparece no mapa!
Em 09/08/48 a.C., finalmente as forças de Pompeu avançaram em direção ao acampamento de César. Eram compostas por 47 mil homens e 6.700 cavaleiros.6
César possuía cerca de 22 mil homens e mil cavaleiros e quando as infantarias ficaram frente a frente, as linhas de Pompeu eram bem mais robustas.7
Tendo o Rio Enipeas à esquerda de César e direita de Pompeu, o grosso das cavalarias foram posicionadas no lado oposto de cada um. Mas César posicionou dois mil soldados da infantaria em uma linha diagonal, atrás de sua cavalaria, oculta das vistas de Pompeu, mas prontas a entrar em combate quando a cavalaria mais numerosa deste avançasse, impedindo-os, assim, de cercar sua infantaria.8
Quando o confronto começou de fato, a cavalaria de Pompeu avançou a galope, mas a infantaria permaneceu parada, a esperar a chegada das tropas de César.9
Pompeu queria manter a coesão de suas forças e desorganizar as tropas de César pela caminhada quando “...estariam sem fôlego e exauridos de cansaço.”10
Mas as tropas de César não caíram na armadilha da correria. Avançaram em intervalos, reagrupando e descansando e, quando chegou o momento, atacaram.11
Pompeu usou tudo que tinha, mas César, apesar de estar em menor número, manteve reservas e, mesmo com a vantagem ainda maior que isso proporcionava ao adversário, as linhas de ambos os lados resistiam.12
Acima: à esquerda o Rio Enipeas nas proximidades do campo de batalha. À direita a vista dos montes onde acampou Pompeu, a partir da área do acampamento de César.
Abaixo: à esquerda uma vista mais próxima dos montes onde Pompeu montou seu acampamento. À direita o campo de batalha visto da área logo abaixo do mesmo acampamento.
A decisão, então, só poderia vir do confronto de cavalarias. Quando a mais numerosa cavalaria de Pompeu começou a ter vantagem, César ordenou o recuo da sua. Acreditando na vitória, as forças adversárias começaram a se dividir para cercar a infantaria de César por trás.13
Neste momento, a infantaria obliqua de César recebeu ordem de ataque. Os legionários investiram ferozmente assustando cavalos e atacando o rosto dos cavaleiros com suas lanças e, surpresa das surpresas, a infantaria de César venceu a cavalaria de Pompeu, que se colocou em fuga.14
Uma vez liberada, a cavalaria de César pôde cuidar das tropas de arqueiros de Pompeu e as reservas que tinha entraram no combate pelo flanco esquerdo, onde antes estava a cavalaria fugitiva. As tropas menores cercavam as tropas maiores!15
Sem reservas para colocar em combate, Pompeu viu suas legiões abandonarem a luta para escapar de um massacre. Foram recuando lentamente até refugiarem-se nas colinas próximas do acampamento, para onde seu comandante já se havia retirado. Vitória de César!16
César vencera a batalha decisiva da Guerra Civil. Mas, mesmo com a vitória assegurada, ele não agia como Pompeu e queria liquidar a partida, queria a vitória total, de modo que avançou seu exército para o acampamento adversário, invadindo-o e tomando-o. Pompeu e seus seguidores fugiram, assim como as tropas remanescentes.17
César colocou suas forças em perseguição e conseguiu cercar os restos do exército de Pompeu na atual localidade de Kiparissos, uma colina que foi cercada na base leste, cortando o acesso a um riacho. Sem água e sem líderes, o restante das forças de Pompeu se renderam na manhã de 10 de agosto de 48 a.C.18
A Guerra Civil ainda duraria quase 3 anos, mas a Batalha de Farsália foi, a nosso ver, decisiva. Não há um consenso absoluto sobre os motivos que levaram Pompeu a conceder a César um combate total quando seria muito mais vantajoso esperar que a fome e outros problemas minassem a força do exército deste.
O próprio César afirma que a confiança na vitória de Pompeu era tão grande que os políticos e militares romanos que o acompanhavam já se envolviam em disputas do poder que teriam ao retornar a Roma: “... todos estavam ocupados em obter cargos ou compensações financeiras, ou em dar livre curso aos seus ressentimentos pessoais...19
Para Rostovtzeff essas presenças políticas também foram motivo para a derrota de Pompeu, que não tinha total liberdade de ação, dificuldade causada “... pela presença de grande número de senadores em seu quartel-general – homens que constantemente criticavam e interferiam nas disposições do general e exigiam reuniões frequentes para discutir a situação.20
Sheppard segue na mesma linha ao afirmar que o próprio Pompeu não desejava conceder um combate direto, que foi obrigado a isso por seus companheiros “... não por vontade própria...”21
Obrigado ou não, Pompeu apostou tudo quando não precisava apostar nada. E perdeu. César manteve-se senhor de Roma e de seus vastos recursos, podendo dividir suas forças, enviando seus generais para lugares diferentes. Pompeu buscou refúgio no Egito onde acabou assassinado de forma traiçoeira.
Lissner escreve que o grande general foi apunhalado às vistas de sua esposa e filhos e que “...cobriu o rosto com sua toga. Não pronunciou uma palavra e nenhuma queixa lhe saiu da garganta.22
Quando, na perseguição, César chegou ao Egito, foi-lhe entregue a cabeça de seu maior rival, “Profundamente perturbado, César cobriu a face e chorou.23

1   Sheppard afirma que é a atual Paleo Episkopi (que não localizamos nos mapas da região), mas nós acreditamos que a antiga cidade pode ser a atual Gomfoi ou Paleomonastiro.
2   CÉSAR, BELLUM CIVILE – A Guerra Civil. Livro III: 80. pg. 273
3   Sheppard afirma que é a atual Paleo Kastro (que localizamos ao norte de Gomfoi e não ao sul como deveria ser. Nós acreditamos que a antiga cidade é a atual Mitropoli, ou Paleoklisi.
4   CÉSAR, BELLUM CIVILE – A Guerra Civil. Livro III: 81. pg. 273-275
5   (SHEPPARD: 2010) pg. 53
6   Ibid pg. 56
7   Ibid. pg. 56-60
8   CÉSAR, BELLUM CIVILE – A Guerra Civil. Livro III: 88-89. pg. 281-283
9   Ibid. Livro III: 92. pg. 285
10 Idem
11 CÉSAR, BELLUM CIVILE – A Guerra Civil. Livro III: 93. pg. 285
12 (SHEPPARD: 2010) pg. 73
13 Ibid pg. 74
14 CÉSAR, BELLUM CIVILE – A Guerra Civil. Livro III: 93. pg. 287
15 Idem
16 Ibid. Livro III: 94. pg. 285
17 CÉSAR, BELLUM CIVILE – A Guerra Civil. Livro III: 95. pg. 289
18 (SHEPPARD: 2010) pg. 81
19 CÉSAR, BELLUM CIVILE – A Guerra Civil. Livro III: 83. pg. 277
20 (ROSTOVTZEFF: 1983) pg 132
21 (SHEPPARD: 2010) pg. 56
22 (LISSNER: 1964) pg. 67-68
23 Ibid. pg.68