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segunda-feira, 24 de junho de 2013

ESPECIAL 2


COMO O CRISTIANISMO TRIUNFOU EM ROMA - IV
Os cristãos estavam, novamente, na mira do Império Romano.
Diferente dos ciclos persecutórios anteriores porém, desta vez a infiltração cristã no aparelho estatal romano era muito maior. Lissner3 afirma que “...o próprio palácio imperial estava “minado” pelo ideal cristão.”(pg. 461).
O ataque romano, que foi iniciado com demissões de funcionários cristãos que não abjuraram sua fé, logo descambou para a demolição de igrejas. E o erguimento de fogueiras para assar pessoas.
Mas, também diferente dos períodos anteriores, essa perseguição aos cristãos gerou reações. O próprio palácio do Imperador foi incendiado duas vezes, com a autoria atribuída aos cristãos, embora Lissner informe que o César Galério teria sido o autor dos incêndios para instigar ainda mais a caça aos seguidores do cristianismo.(pg.462)
A perseguição se intensificou mas, a despeito disso, a fé cristã cresceu, assim como as demonstrações de total desprendimento dos fiéis, que preferiam a morte à renúncia de sua crença.
Segundo Lissner, a própria esposa de Diocleciano, Prisca, e sua filha Valéria, “...convencidas da pureza e da veracidade das ideias cristãs, tinham-se secretamente convertido.”(pg. 463)
Prisca - Valéria
Logo, porém, funcionários do palácio, dos mais altos aos menores, bispos e outros cristãos estavam sendo cruelmente torturados e mortos.
Mas, se por um lado foi liberado o pior instinto, por outro também surgiu a piedade em muitos romanos. Lissner cita casos em que os cristãos foram auxiliados ou que as ordens de conversão forçada e morte eram cumpridas apenas em parte.(pg. 463)
Neste caso, os dois césares estavam em campos opostos. Galério era um perseguidor implacável, enquanto Constâncio evitava qualquer execução de cristãos sempre que possível.
Aproximava-se o momento em que o poder seria dividido entre ambos.
Continua...
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quinta-feira, 20 de junho de 2013

LEMBRANÇAS UNIVERSITÁRIAS


HERÓI DA REPÚBLICA – A VISÃO DE JOSÉ M. DE CARVALHO
José Murilo de Carvalho9 fala da dificuldade em se construir um herói para a República. Deodoro, que poderia encarnar o papel, tinha contra si a aparência com o Imperador, um duvidoso republicanismo e sua fama era restrita ao meio militar. Benjamin Constant também não atendia ao perfil desejado.
Floriano Peixoto não unificava, ao contrário, dividia Militares e Civis, uns contra os outros e entre si mesmos, pela forma como se conduziu nas Revoltas da Armada e Federalista. Por fim o próprio movimento da proclamação carecia de participação popular e seus líderes eram ilustres desconhecidos do povo.
Apela-se então à figura cuja história se vinha tentando resgatar nos círculos republicanos desde a década de 1870: Tiradentes!
Carvalho comenta que a disputa historiográfica sobre Tiradentes foi e continua intensa, contudo esta não é sua meta, mas, antes, como se dá a construção do mito e como sua simbologia é apropriada.
Para o autor há poucas informações sobre quem foi e como vivia Tiradentes, embora se saiba que foi grande a comoção popular causada pela condenação dos inconfidentes, que o povo ficou aliviado com o perdão concedido à maioria, embora condoído pela execução do único réu não perdoado. Cita ainda que o delator, Joaquim Silvério dos Reis, foi amplamente rejeitado em Minas e no Rio de Janeiro, trocando de nome e tendo, por fim, de se refugiar no Maranhão.
Mas a luta pela memória de Tiradentes se arrastou por toda a vigência do império, pois resgatar sua figura consistia em condenar a avó do proclamador da Independência, D, Pedro I e da bisavó do Imperador da época, D.Pedro II.
Para Carvalho, apenas a obra de Robert Southey, publicada em 1810, é neutra, embora sua fonte sobre o tema fosse bem limitada. As demais publicações, para o autor, estavam todas contaminadas de ideologia, ou monarquista, ou republicana, embora reconheça o caráter inédito e mais bem embasado da obra de Joaquim Norberto de Souza Silva, História da Conjuração Mineira, feita a partir dos Autos da Devassa, guardados nos arquivos imperiais, entre outras fontes.
A obra nos permite conhecer o Tiradentes que passou os últimos anos de vida no cárcere, onde entrou como um revolucionário e de onde teria saído convertido em fervoroso cristão, obra dos franciscanos que buscaram catequizá-lo. Para Carvalho, Norberto diminui a importância de Tiradentes e aumenta a de Gonzaga, tira o foco de um representante humilde e passa para um membro da elite.
A transformação de Tiradentes em religioso, que sai das páginas de Norberto, irritou os republicanos, mas para Carvalho é justamente isso que vai contribuir para a mitificação do homem.
A associação religiosa, a figura aproximada da imagem de Cristo, tudo isso esta nas representações artísticas e vai crescer até a proclamação, embora jamais tenha existido nenhum retratista que tenha representado Tiradentes enquanto este vivia, nenhum que o tenha conhecido pessoalmente, mas, antes, uma descrição sua como "feio e espantado", nas palavras de Alvarenga Peixoto. Bem diferente daquela figura cristianizada e serena que povoa os livros de História e os bustos espalhados pelo país.
O autor identifica ainda a não-concretização da revolta, o não-derramamento de sangue, o auto-imposto comportamento de mártir de Tiradentes, a forma de sua execução como contributos para que permanecesse no imaginário popular como um herói corajoso que enfrentou a morte por acreditar em seus ideais, logo, figura passível de ser reivindicada por qualquer ideal, até mesmo abolicionista, operário, socialista ou anarquista.
Isso servia aos interesses do novo regime político que o queria como herói nacional unificador de todos os interesses e não apenas os republicanos, o que sempre geraria críticas dos adversários do regime.
A apropriação que todos fizeram de sua imagem, contribuiu para que se tornasse o símbolo procurado, aceito por todos, servindo aos interesses de todos.
Continua...
9CARVALHO, José Murilo de. Tiradentes: Um Herói para a República in: A Formação das Almas. Cia. das Letras.

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terça-feira, 18 de junho de 2013

REINO DE CLIO - PORQUE TUDO É HISTÓRIA!


O REINO DE CLIO ESTÁ DE VOLTA!
Olá! Seja bem vindo!
Iniciamos nossa trajetória em 2008 como um fotoblog, destinado a publicar as nossas aventuras no curso de História. Publicamos 1000 fotos e atingimos 20.000 visualizações.
Agora estamos de volta como um blog onde, já como professor, vamos publicar textos diversos sobre o que considerarmos relevante escrever.
Vamos procurar dar atenção a análises históricas do que ocorreu ou ocorre no mundo buscando sempre uma visão plural.
Este procedimento é, para nós, um dever de toda pessoa que abraça o sacerdócio do ensino ao qual ninguém nos obriga mas que, se o queremos bem exercido, obrigamo-nos voluntariamente.
Melhor esclarecendo: ao professor, principalmente de História, não é dado o direito de “ir na onda” sem analisar criteriosamente o que, porque, como, quando, onde e, principalmente, pelo interesse de quem, as coisas ocorreram ou estão ocorrendo.
Isso se dá desta forma pois um dia os alunos poderão perguntar a respeito e o professor deverá saber responder sem paixões ou parcialidades, mas de forma plural, para que os alunos possam conhecer e escolher por si mesmos.
Assim vejo o sacerdócio do ensino. Essa é a meta a ser sempre perseguida.
Espero que goste e volte sempre. Agradeço sua visita!
Marcello Eduardo