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sexta-feira, 25 de abril de 2014

HANIBAL AD PORTAS! - A BATALHA DO TREBIA

Ruínas de Cartago


A SEGUNDA GUERRA PÚNICA – A BATALHA DO TREBIA
Dezembro de 218 a.C., planície do Rio Trebia, arredores de Placência, hoje a cidade de Piacenza, no Vale do Rio Pó, Itália. O acampamento romano estabelecido por ordem de Cipião estava às vistas do exército de Hanibal, posicionado provocativamente para batalha.
(A) Atual cidade de Piacenza - Antiga Placência - nas imediações ficou o Acampamento dos Romanos. (B) Região onde pode ter ficado o Acampamento de Hanibal
Mapa mostra bem a localização dos acampamentos, mas não a correta disposição das tropas. Os soldados de Hanibal não cruzaram o rio.
O que os romanos não sabiam é que 2000 homens, sob comando de Magão, irmão de Hanibal, estavam posicionados na retaguarda, ocultos e aguardando o momento de atacar.
Quando a cavalaria de Hanibal iniciou uma provocação, os romanos cairam na armadilha. O tempo era frio e, para piorar a situação das tropas romanas, seu comandante, o Cônsul Semprónio, ordenou-lhes atravessar o gelado Rio Trebia, antes da refeição. Enquanto isso as tropas de Hanibal estavam alimentadas e aquecidas por fogueiras.
O Rio Trebia do provável ponto de vista das tropas de Hanibal
No horizonte está o Rio Trebia, do provável ponto de vista dos romanos. O clima seria semelhante ao dessa imagem do Google Street View.

Já na travessia do rio os romanos foram duramente atacados e a reação fez com que desperdiçassem muito material. No momento de iniciar o combate, as geladas tropas romanas foram alinhadas no centro, ladeadas pela cavalaria, enquanto Hanibal dispôs seus homens entre os grupos de elefantes, depois as cavalarias e, atrás destas, as infantarias ligeiras.
Os romanos teriam 16 mil legionários, mais 20 mil aliados e sua cavalaria contava com mil efetivos à direita e 3 mil cavaleiros aliados à esquerda. Hanibal teria 20 mil soldados celtas, hispanos e africanos e contava com uma cavalaria de 10 mil efetivos, divididos de fronte a cavalaria romana.
Mapa mostra a correta disposição das tropas, o deslocamento dos romanos e a posição dos reforços de Magão, aqui chamado de Mago Barca.
Quando as cavalarias se enfrentaram, logo no início da batalha, os romanos e aliados debandaram, desprotegendo as laterais de suas tropas, que já se batiam com os inimigos.
Então Hanibal enviou tropas, elefantes e a cavalaria para atacar as laterais desguarnecidas dos romanos. Logo depois Magão avançou para a retaguarda das linhas romanas, cercando completamente os legionários e aliados.
Certamente não eram tantos elefantes, mas foram suficientes para causar grande estrado em meio às legiões.
No centro da batalha os romanos ainda conseguiram romper as linhas de Hanibal, e pensaram ter vencido, mas acabaram massacrados. Ao final do combate Roma perdera entre 15 e 20 mil homens.
A Cavalaria Númida empurra os romanos para as águas do Trebia, onde milhares pereceram.
Derrotado, Semprónio retirou-se com os sobreviventes até Placência, onde recebeu o reforço de Cipião e seus homens e seguiram para Ariminum.
Hanibal acampou no Vale do Rio Pó, com intuito de abastecer suas tropas por intermédio dos celtas e aguardar o fim do inverno.
O historiador Políbio atribuiu a derrota romana à imprudência de Semprónio que, contra o conselho de Cipião, aceitou a provocação de Hanibal, inciando a batalha. Mark Healy, no entanto, afirma que Políbio evitava, a qualquer custo, inclusive em detrimento dos fatos, escrever mal da família de Cipião.
Continua...


Imagens Referenciáveis
http://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_the_Trebia
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Battle_Trebia-numbers.svg
http://civilizacoesafricanas.blogspot.com.br/2010/05/cavalaria-numida.html
http://www.casteggiohomeitaly.it/project/history-of-casteggio
 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

JESUS CRISTO – CONTROVÉRSIAS (INÚTEIS)

Jerusalem-Israel. Taken by Anabelle Harari. Return to Jerusalém. Disp.: http://www.abitoffthetop.com/slider/2932/
Não há como negar que, na Judeia sob domínio romano, entre os reinados de Augusto e Tibério, viveu um judeu chamado Jesus. Que foi um bom homem, virtuoso, considerado sábio e seguido por muitos. Que foi condenado à morte na cruz pelo representante de Roma, Pôncio Pilatos, e que rumores sobre sua volta dos mortos circularam alguns dias depois da execução. Isso é Histórica e a fonte é o historiador judeu Flavio Josefo[1] (não-cristão, segundo Orígenes[2], e pró-romano, segundo Harold Bloom[3], logo insuspeito de apologia cristã, a meu ver), em texto traduzido de uma versão árabe, portanto sem os supostos enxertos cristãos posteriores:
Nessa época havia um homem sábio chamado Jesus. Seu comportamento era bom, e sabe-se que era uma pessoa de virtudes. Muitos dentre os judeus e de outras nações tornaram-se seus discípulos. Pilatos condenou-o à crucificação e à morte. E aqueles que haviam sido seus discípulos não deixaram de segui-lo. Eles relataram que ele lhes havia aparecido três dias depois da crucificação e que ele estava vivo [...] talvez ele fosse o Messias, sobre o qual os profetas relatavam maravilhas.[4]
Os detalhes de sua vida, porém, narrados pelos evangelistas, ou acrescentados pela tradição católica, apresentam controvérsias que geram conflitos há séculos. Vamos, aqui, abordar algumas delas, à luz de fontes e da lógica, procurando deixar de lado a mistificação religiosa. Portanto, em frente:
Jesus era Filho de uma Virgem?
Não. Na escrita dos evangelhos, em língua grega, a palavra utilizada para definir Maria, mãe de Jesus, é “parthénos”, que significa “virgem”. Mateus escreve “Ora tudo isto aconteceu, para que se cumprisse o que dissera o Senhor pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho...[5]. E, quando Mateus fala de um “profeta”,  faz referência a Isaías, que escrevera: “Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal; eis que uma donzela conceberá e dará à luz um filho...[6].

O Livro de Isaias, exposto no Museu de Israel. Imagem do Sal's Blog. Disp.: http://saldangelo.blogspot.com.br/2010_09_01_archive.html
A questão é que Isaias, que escreveu em hebraico, usou o termo “Almah”, que significa “donzela”, ou jovem em idade de se casar mas não necessariamente intocada sexualmente, enquanto a palavra “virgem”, traduzida para o hebraico, escreve-se “Bethulah[7]. Assim sendo, quando Mateus escreveu seu evangelho em grego, mencionando o profeta Isaias, escolheu a palavra errada para traduzir a referência à mulher que conceberia o prometido. E, por fim, a profecia nem fazia referência à Jesus, mas ao Filho do Homem, a vir no final dos tempos, conforme descrito no Capítulo 12 do Apocalipse.
Isso sem contar as várias passagens nas quais são feitas referências aos irmãos de Jesus, inclusive por Flávio Josefo.[4]
Nos seis primeiros séculos do cristianismo não havia consenso em torno do assunto. As vozes discordantes só foram silenciadas a partir do ano 649 d.C., quando o Concílio Ecumênico do Latrão criou o dogma da virgindade perpétua de Maria, no qual a Igreja passou a considerar que ela era virgem antes, durante e depois da concepção de Jesus?!

The first seven Ecumenical Councils. Século XIX. Autor anônimo. Disp.: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Ecumenical_Councils.jpg
Vê-se, portanto, que somente por volta de 600 anos depois de sua morte, homens reuniram-se e decidiram que Maria jamais teve uma relação sexual.
Jesus nasceu em 25 de Dezembro do Ano Zero?
Não. 25 de Dezembro é tempo de inverno na Judeia, o que contrasta com a afirmação de Lucas de que “... pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho.”. É muito difícil encontrar pasto para as ovelhas no inverno, de modo que, encontrar os pastores no campo seria uma tarefa penosa em 25 de dezembro do tempo de Augusto. Para não dizer, impossível.
Para quem duvida. Jerusalem coberta de neve no inverno. Imagem: Nahost Schnee Jerusalem. http://dw.de/p/17Gxh
A escolha desta data para o Natal remonta a séculos depois, nos anos 350 d.C., por determinação do Papa Júlio I. O feriado surgiu por ordem do Imperador Justiniano, em 529 d.C., substituindo a festa “Dies Natalis Solis Invicti”, ou “Aniversário do Sol Invicto”, celebração pagã. João Paulo II admitiu a discrepância de datas em 1993[8].
Sobre o chamado Ano 0, até a Igreja Católica, na pessoa do conservador Papa Bento XVI[9], reconheceu que Jesus nasceu antes do chamado ano 0, ou Anno Domini.
A fixação do Anno Domini foi feita, de forma errada, por Dionísio, o Exíguo[10]. Considerando-se que Jesus nasceu durante o reinado de Herodes, O Grande, e que este morreu em 4 a.C., Jesus só pode ter nascido, no mínimo, 4 anos antes do que a cristandade prega.[11]
E os registros históricos mostram que o recenseamento da população por ordem do Imperador Augusto, que teria obrigado a viagem de José e Maria (grávida) a Belém, ocorreu, muito provavelmente, em 8 a.C., considerando que Augusto ordenou essas contagens em 3 ocasiões, em 28 e 8 a.C. e 14 d.C[12].
Jesus foi crucificado onde hoje fica a Igreja do Santo Sepulcro?
Quase com certeza não. O local da  Igreja do Santo Sepulcro foi estabelecido por Helena de Constantinopla, mãe do Imperador Constantino, em 325 d.C., durante sua estada na Palestina. O local “encontrado” em nada se parecia com uma caveira, apenas tinha uma plataforma que lembrava vagamente o topo de um crânio. 
Reconstituição da colina apontada por Helena como sendo o Gólgota. James Tissot (French, 1836-1902). Reconstruction of Golgotha and the Holy Sepulchre, Seen from the Walls of Herod's Palace
Charles George Gordon[13], porém, nos parece mais digno de crédito. No século XIX ele descobriu um local, perto do Portão de Damasco, no qual buracos na rocha formam o desenho de uma caveira, por isso mesmo chamado pela população de “olhos da caveira”. Considerando que os evangelhos denominam o Gólgota como Lugar da Caveira, as imagens são muito sugestivas.
O "Local da Caveira". Golgotha Hill, Garden Tomb, East Jerusalem.
Taken with Nikon D100, Jerusalem 03/2005 by Wayne McLean

Jerusalem. Damascus Gate section. Clo - Date Created/Published: [1931] - Library of Congress, Prints & Photographs Division, Matson (G. Eric and Edith) Photograph Collection - Reproduction number: LC-DIG-matpc-22143 Disp.: http://luirig.altervista.org/naturaitaliana/viewpics.php?title=Air+views+of+Palestine.+Jerusalem+from+the+air+%28the+Old+City%29...
É dever mencionar, porém, que Shimon Gibson, arqueólogo israelense[14], descarta o local baseado no fato de que o sepulcro próximo é bem anterior ao novo, que Jose de Arimatéia teria escavado, segundo os evangelhos.
Jesus ressuscitou dos Mortos em Carne e Osso?
Não. Considerando que Maria Madalena, Apóstolos e Discípulos estiveram frente a frente com Ele e não o reconheceram, é impossível que tenha ressuscitado com o mesmo corpo. O leitor coloque-se na mesma situação de Madalena, por exemplo. Alguém que ama mais que tudo morre na sexta-feira. No domingo o leitor vai ao cemitério e vê seu túmulo aberto, sem o corpo. Se, de repente, a pessoa querida aparece em sua frente, como é possível que não a reconheça de imediato? 
Jesus e Madalena - Noli me tangere by Anton Raphael Mengs, originally one of four in a cycle on the Passion of Christ as supraportas for the bedroom of King Carlos III, now in the Palacio Real, Madrid. Oil on canvas, 185 x 185 cm. Disp.: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mengs,_Noli_me_tangere_-_Madrid.jpg
Certamente Madalena viu Jesus, mas em sua forma Astral e não em carne e osso. Carne e osso não atravessam paredes e nem sobem aos céus. Atribuir tais arbitrariedades a Deus ou Jesus é o mesmo que dizer que ambos subvertem as leis da Física. Mas por que Deus subverteria as leis perfeitas que Ele mesmo criou? Com qual finalidade? Convencer aos Apóstolos e Discípulos? Eles que, aliás, já estavam plenamente convencidos? Desnecessário.
Conclusão
Este artigo, certamente, incomodou os mais tradicionalistas e pessoas acostumadas a não questionar dogmas e ensinamentos comumente aceitos. Mas essa não é a prática que se espera de quem busca o Reino de Deus. As questões abordadas acima já geraram grandes discussões, inclusive disputas mortais. A pergunta que fazemos é: o que isso importa diante da missão de Jesus? De Sua Mensagem? Qual a importância espiritual dessas controvérsias?
Jesus não veio à Terra para que a humanidade ficasse discutindo quando e onde nasceu, se Sua mãe era virgem ou não, onde morreu e foi sepultado, se é certo comer carne ou peixe na sexta-feira, etc. Jesus veio para trazer uma Mensagem, diretamente de Deus: amar ao próximo como a si mesmo.
Bem refletido, fica patente que o conturbado mundo de hoje não precisa mais do que isso. Convém refletir: qual o problema, individual ou coletivo, que incomoda o ser humano de hoje, que não seria solucionado se ambos os lados da contenda tivessem em mente essa sentença: “amar ao próximo como a si mesmo.”? Em outras palavras, fazer ao outro apenas aquilo que queremos que o outro faça para nós?
Essa é a reflexão que cumpre a cada um fazer em mais uma “Semana Santa”. E, para auxiliar, indicamos um tema que possui muito mais relevância espiritual, e sobre o qual poucos refletem:
Jesus vai voltar?
Não. Jesus não vai voltar.
Absurdo! Quem disse isso?
O próprio Jesus!
O Mestre jamais disse textualmente que voltaria, antes, porém, disse claramente que não o faria:
“Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei. Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais.  (João 16:7-10).

Como nunca vi isso antes? Quem, então, virá, segundo Jesus?
Não Ele próprio, mas um segundo Filho, enviado por Deus, vindo de Deus, conforme o Evangelho de João: “Quando vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que do Pai procede, esse dará testemunho de mim;” (João 15:26).
Para saber mais, sugerimos o link abaixo:
http://destinoereflexoes.blogspot.com.br/2013/07/jesus-cristo-voltara.html


Reconstituição da Jerusalem antiga. O Templo de Herodes e a Torre Antônia (construção com 4 torres, anexa ao Templo), onde Jesus foi julgado por Pilatos. Disp.: Second Temple Model of Jerusalem. Disp.: http://www.bible-history.com/jerusalem/firstcenturyjerusalem_aerial_view.html


[1]    Flávio Josefo, ou apenas Josefo (em latim: Flavius Josephus; 37 ou 38 — ca. 100 ), também conhecido pelo seu nome hebraico Yosef ben Mattityahu (יוסף בן מתתיהו, "José, filho de Matias [Matias é variante de Mateus]") e, após se tornar um cidadão romano, como Tito Flávio Josefo (latim: Titus Flavius Josephus), foi um historiador e apologista judaico-romano, descendente de uma linhagem de importantes sacerdotes e reis, que registrou in loco a destruição de Jerusalém, em 70 d.C., pelas tropas do imperador romano Vespasiano, comandadas por seu filho Tito, futuro imperador. As obras de Josefo fornecem um importante panorama do judaísmo no século I.
      Suas duas obras mais importantes são Guerra dos Judeus (c. 75) e Antiguidades Judaicas (c. 94). O primeiro é fonte primária para o estudo da revolta judaica contra Roma (66-70), enquanto o segundo conta a história do mundo sob uma perspectiva judaica. Estas obras fornecem informações valiosas sobre a sociedade judaica da época, bem como sobre o período que viu a separação definitiva do cristianismo do judaísmo e as origens da Dinastia Flaviana, que reinaria de 69 a 96.
      CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disp.: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fl%C3%A1vio_Josefo

[2]    Marcelo Berti citando:
      GEISLER, Norman, Não tenho fé suficiente para ser ateu – Vida, 2006, pp.227
      Disp.: http://marceloberti.wordpress.com/2011/04/29/josefo-e-a-historicidade-de-cristo/ - Acesso: 16/04/14
[3]    Marcelo Berti citando:
      BLOOM, Harold, Jesus e Javé, os nomes divinos – Objetiva, 2006, pp.31
      Disp.: http://marceloberti.wordpress.com/2011/04/29/josefo-e-a-historicidade-de-cristo/ - Acesso: 16/04/14
[4]    Marcelo Berti citando:
      GEISLER, Norman, Enciclopédia de Apologética – Vida 2002, pp.449
      Disp.: http://marceloberti.wordpress.com/2011/04/29/josefo-e-a-historicidade-de-cristo/ - Acesso: 16/04/14
[5]    Mateus 1:22-23 - http://pt.wikisource.org/wiki/Tradu%C3%A7%C3%A3o_Brasileira_da_B%C3%ADblia/Mateus/I#1:23
[6]    Isaías 7:14 - http://pt.wikisource.org/wiki/Tradu%C3%A7%C3%A3o_Brasileira_da_B%C3%ADblia/Isa%C3%ADas/VII#7:14
[7]    Eduardo G. Junior. “Almah” e “Bethulah” — Qual o Significado Original em Hebraico?
      Disp.: http://porquenaocreio.blogspot.com.br/2011/10/almah-e-betulah-qual-o-significado.html - 16/04/14
[8]    http://www.paralerepensar.com.br/josevalgode_aorigemdonatal.htm
[9]    http://www.telegraph.co.uk/news/religion/the-pope/9693576/Jesus-was-born-years-earlier-than-thought-claims-Pope.html
[10]  Dionísio Exíguo (Cítia Menor, c. 470 — c. 544), também conhecido por Dionísio o Exíguo ou por Dionysius Exiguus (ou seja Dionísio o Menor, significando o Humilde), foi um monge do século VI, nascido na Cítia Menor, no que é actualmente a região de Dobruja, Roménia, membro da chamada comunidade dos monges da Cítia em Roma, versado em matemática e em astronomia, que se celebrizou pela criação de um conjunto de tabelas para calcular a data da Páscoa, levando à introdução do conceito de anno Domini, o ano do Senhor, a contagem dos anos a partir do nascimento de Cristo, ainda em uso e hodiernamente em geral referida como era comum ou Era Cristã. Vivendo em Roma desde cerca do ano 500, era um dos sábios da Cúria Vaticana, na qual traduziu da língua grega para a latina 401 cânones eclesiásticos, incluindo os cânones apostólicos e os decretos do Primeiro Concílio de Niceia, do Primeiro Concílio de Constantinopla, dos Concílio de Calcedónia e do Concílio de Sardes. CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disp.: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dion%C3%ADsio,_o_Ex%C3%ADguo

[11]  CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disp.: http://pt.wikipedia.org/wiki/Anno_Domini
[12]  Dom Estêvão Bettencourt. O Recenseamento sob César Augusto e Quirino (Lc 2, 1-5).
Disp.: http://www.pr.gonet.biz/kb_read.php?num=515 – 17/04/2014
[13]  Major-General Charles George Gordon, CB (Woolwich, Londres, 28 de janeiro de 1833 — Cartum, Sudão, 26 de janeiro de 1885), também conhecido como Gordon Paxá ou Gordon "Chinês", foi um oficial do exército britânico. É lembrado por suas bem-sucedidas campanhas na China e na África.
      CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disp.: http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_George_Gordon
[14]  CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disp.: http://pt.wikipedia.org/wiki/Calv%C3%A1rio








quarta-feira, 9 de abril de 2014

A SEGUNDA GUERRA PÚNICA - HANIBAL AD PORTAS!



Nossa geração, quando criança, era assustada pelos adultos com "estórias" do “homem do saco” ou do “bicho papão”, para que se comportasse. Em Roma, uma expressão que assustava crianças e incutia senso de urgência aos adultos era “Hanibal ad Portas”, ou Aníbal está na porta, indicando a chegada do inimigo aos arredores da cidade. Vamos saber o porquê?
Ilhas Égadi, na linha do horizonte


Entre Marsala e Trapani, o horizonte da costa da Sicília mostra, ao longe, as Ilhas Égadi. Elas marcam, no Mar Tirreno, o local da batalha naval que decidiu a Primeira Guerra Púnica, na qual Roma venceu Cartago, cortando seu expansionismo no meio-leste do Mediterrâneo, e deixando-lhe a Hispânia como única opção de recuperação econômica.
Fundada por Fenícios, a cidade africana era uma potência marítima e econômica que dominava o comércio no Mar Mediterrâneo, mas que agora conhecia a derrota para uma nova força que surgia.  
 Era o ano de 241 a.C. e um menino cartaginês, então com sete anos, a tudo observava, considerando que seu pai estava no centro das decisões daquele momento marcante.
Reconstituição de Cartago
Ruínas de Cartago
Os contornos geográficos do famoso porto cartaginês, na Tunísia, vistos pelo Google Maps

 Alguns anos mais tarde, a audácia e o brilhantismo daquele garoto, agora um general cartaginês, quase mudou a História da humanidade, posto que se tivesse completado com sucesso seus planos, hoje os livros trariam a trajetória de Cartago e não de Roma, no capítulo da antiguidade. Estamos falando de Hanibal.

À esquerda a localização de Sagunto, em verde Cartago e à direita, Roma


Após a tragédia nas Égadi, Cartago foi obrigada a aceitar a derrota, perdeu seus principais postos de comércio (Sicilia, Córsega e Sardenha) e ainda teve de pagar uma pesada indenização a Roma. A saída encontrada foi expandir seus domínios na costa mediterrânea da atual Espanha, onde um acordo com Roma lhes permitiu dominar até o limite imposto pelo Rio Ebro.
Rio Ebro - Em Amposta

 A última cidade importante da região dentro deste limite era Sagunto que, entretanto, aceitara a proteção romana e fazia parte dos interesses de Massília (atual Marselha), cidade amiga de Roma. 
Ruínas de Sagunto
Quando Hanibal tomou Sagunto, uma nova guerra com Roma tornou-se inevitável. Era o ano de 218 a.C. e iniciava-se o período que marcaria o imaginário do povo romano de maneira indelével.
A estratégia de Hanibal consistiu em tomar dos romanos a iniciativa e transferir o campo de batalha da Hispânia para a Itália, tentando dividir a unidade da República, fazendo dos descontentes com o domínio romano seus aliados.
Para isso se fez necessária uma tarefa épica: cruzar os Alpes com um grande exército para entrar na Itália. As tribos celtas na região do rio Ródano o apoiaram, mas os gauleses tentaram barrar sua passagem, sem sucesso.  
Hanibal cruza o Rio Ródano

O Exército Cartaginês cruza os Alpes
As tropas romanas, sob comando de Cipião, que desembarcaram perto de Massília, foram surpreendidas com a notícia de que o exército de Aníbal se dirigia para a Itália, através das montanhas, e que já havia cruzado o Rio Ródano, provavelmente seguindo a Via Domitia (atual cidade de Beaucaire), embora não haja consenso historiográfico a respeito.

Uma das possíveis rotas de Hanibal através dos Alpes
Visual de possível rota no Google Maps


Localidade de Beaucaire - uma das possíveis rotas de Hanibal
O fato é que, seja qual tenha sido o caminho, a travessia durou duas semanas, terminou em meados de Novembro e foi um feito extraordinário, embora tenha ceifado cerca de 40% das tropas cartaginesas. Para recuperar seus efetivos, Hanibal atacou e massacrou uma comunidade celta, “incentivando” as demais a aderir às suas forças.
O primeiro combate ocorreu nas imediações da atual Lomello, no vale do Rio Tessino, onde as tropas romanas do Cônsul Cipião foram derrotadas por Hanibal. Consta que Cipião foi ferido e salvo por seu filho, também chamado Cipião, que se tornaria famoso mais tarde, ganhando o apelido de “O Africano”.

Região do primeiro confronto entre Cartagineses e Romanos em solo italiano


O primeiro combate ocorreu nas imediações da atual Lomello, no vale do Rio Tessino, onde as tropas romanas do Cônsul Cipião foram derrotadas por Hanibal. Consta que Cipião foi ferido e salvo por seu filho, também chamado Cipião, que se tornaria famoso mais tarde, ganhando o apelido de “O Africano”.
Começava assim a campanha de Hanibal dentro do território italiano. Essa primeira vitória garantiu apoio maciço das tribos celtas e obrigou o recuo dos romanos para Placência.
O exército cartaginês acampou às margens do Rio Trebia, onde Hanibal fez seus planos. Roma mal sabia o que a esperava...
Rio Trebia - arredores da antiga Placência
 Continua...

Imagens:

http://cartographia.files.wordpress.com/2008/06/overlay.jpg
http://cartographia.files.wordpress.com/2008/06/minard-hannibal.jpg
http://www.heritage-history.com/www/heritage.php?Dir=characters&FileName=hannibal.php
http://4.bp.blogspot.com/-62nq3qaaOeQ/TgUV55gf4WI/AAAAAAAAAQ8/Q2JLLZJeKzo/s1600/HannibalElephAlps.jpg
http://elespiritudellince.blogspot.com.br/p/las-localizaciones.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Ruines_de_Carthage.jpg
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Carthage_villas-romaines_1950.jpg
http://worldhistoryconnected.press.illinois.edu/3.2/gilbert.html