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sexta-feira, 6 de junho de 2014

HANNIBAL AD PORTAS - A BATALHA DO TRASÍMENO

Reconstituição de Cartago
HANNIBAL AD PORTAS – A BATALHA DO LAGO TRASÍMENO1

Após a devastadora vitória nas margens do Rio Trebia, e do inverno, Hannibal tinha duas rotas a seguir rumo ao Sul da Itália, onde planejava conseguir apoio sublevando as províncias romanas. Ele escolheu seguir pelo Vale do Rio Arno, rumo a Etrúria, apesar das inundações de fim de inverno, pois na rota do Vale do Rio Pó, as tropas romanas estavam aquarteladas, predominantemente em Ariminum.
Ao sair do lamaçal do Vale do Arno, nas imediações de Fiesole, Hannibal passou a provocar os romanos visando um combate decisivo. Essa provocação consistiu em atacar a região da Etrúria promovendo saques e destruição. Mas o novo Cônsul Romano, Caio Flamínio, sediado em Arretium (atual Arezzo), não aceitou a provocação para um combate direto, passando apenas a seguir as tropas de Hannibal à uma distância razoável. Segundo Healy, ele aguardava a chegada das tropas do Cônsul Gemino para, então, cercar os cartagineses entre dois exércitos romanos.
Rio Arno - imediações de Fiesole
 Ciente dos planos romanos e do risco que corria, Hannibal buscava logo uma chance de derrotar as tropas de Flamínio antes da reunião das forças deste com Gemino. Então, surgiu, na margem do Lago Trasimeno, um terreno propício a uma emboscada. De um lado, colinas e desfiladeiros, e do outro, o lago. Para completar, a neblina da madrugada, ajudando a ocultar a presença dos cartagineses. Sem imaginar (e sem investigar) que o inimigo estivesse tão perto, as tropas romanas marcharam para dentro do cerco de Hannibal.
Lago Trasímeno
Região da batalha. O curso da estrada demarca mais ou menos a posição das tropas romanas que foram surpreendidas.
O Mapa da Batalha. Note-se como a marcha romana foi barrada pela infantaria de Hannibal (5)
O leitor veja as imagens do local na atualidade e imagine as legiões marchando na margem do lago em meio à neblina para, de repente, deparar-se com a infantaria cartaginesa barrando o caminho. E agora imagine o terror de ouvir (ainda sem ver) o tropel da cavalaria chegando pela lateral. Horror e morte.
Trecho da região do combate. Ao fundo as colinas onde Hannibal escondeu suas tropas.

Margem norte do Lago Trasímeno, onde ocorreu a batalha. Ao fundo as colinas onde Hannibal escondeu suas tropas.
 Após cerca de três horas de combate 15 mil romanos estavam mortos, pelas armas ou afogados no lago, e 10 mil foram feitos prisioneiros. Apenas a tropa de vanguarda, cerca de 6 mil homens, conseguiram romper o cerco e escapar, para se render no dia seguinte. O próprio Cônsul Flamínio, morreu em combate recebendo, depois, toda a culpa, por parte de Políbio e Tito Lívio, historiadores que narraram a acachapante derrota.

Ao fim do dia Roma não tinha mais um exército efetivo e a cidade encontrava-se quase indefesa, com exceção das 4 legiões de Gemino que, contudo, estava impedido de vir em socorro da cidade por ter o caminho cortado por Hannibal.
Healy escreve que alguns estudiosos dizem que o general cartaginês poderia tê-la tomado, mas lembra que o plano era “dissolver a confederação romana” na Itália.
Em nossa opinião, não é correto acreditar nisso, pois não haveria melhor forma de “dissolver a confederação romana” do que tomar a própria Roma. Acreditamos que Hannibal não tinha consciência da fragilidade do inimigo naquele momento, e calculou que deveria continuar enfraquecendo Roma até ter condições de assaltá-la.
Não cremos que se possa ver essa circunstância como um erro, mas o fato é que logo depois Hannibal tomou a primeira decisão que fez com que hoje estudássemos a História de Roma, e não a de Cartago. Ao invés de tomar o caminho da cidade eterna, ele foi para o Sul.
Continua...

1Relembrando, todas as informações deste texto provém da obra “Canas 216 a.C. - Aníbal dizima as legiões” (da série Grandes Batalhas da Osprey), de autoria de Mark Healy. As imagens são de vários sites da internet e do Google Street View.

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