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quinta-feira, 30 de abril de 2015

AS CRUZADAS - I

A CRUZADA DOS POBRES
A tragédia humana que foram as Cruzadas começou a se desenvolver no Concílio de Placência, Itália. Realizado entre os dias 01 e 05 de março de 1095, ele foi convocado pelo Papa Urbano II após o conflito entre Roma e o Imperador Henrique IV, do Sacro Império Romano-Germânico.
Durante a reunião foi apresentado o pedido de socorro do Imperador Bizantino Aleixo I Comneno, que lutava contra os turcos. Ele pretendia o envio de mercenários, mas o que Roma lhe enviou superou suas melhores e piores expectativas.
Diante do pedido de socorro bizantino, o Papa Urbano II vislumbrou a chance de, a partir de uma causa comum, reunir toda a cristandade em torno de um comando único: o dele, é claro!
O Papa, então, convocou outro concílio, marcado para 27 de novembro daquele mesmo ano na cidade de Clermont, atual Clermont-Ferrand, França.
Acima e abaixo, Urbano II em Clermont

Na ocasião Urbano II prometeu o perdão de todos os pecados para os que pegassem em armas e fossem à Terra Santa combater os pagãos. Foi estrondosamente aclamado por ricos e pobres e, a partir dali, ele próprios e as demais autoridades da Igreja passaram a pregar a Guerra “Santa” pela Europa.
Mas, os primeiros a atender o chamado papal e se colocar a caminho de Jerusalém não foram os reis, príncipes e nem mesmo os mercenários. Foram os pobres quem primeiro se colocaram a caminho do Oriente.
Nobres e pobres exultam pela Cruzada
Vários grupos de cruzados foram formados na Europa. Eles ganharam esse nome porque costuravam uma cruz na roupa e muitos venderam tudo que tinham para comprar as armas e demais materiais necessários à viagem.
O pregador mais famoso foi Pedro, o Eremita, um monge de Amiens, França, que reuniu uma multidão de pobres e partiu, sem qualquer planejamento, rumo à Jerusalém através da Hungria e dos Balcãs.
Pedro, o Eremita, arregimenta seu exército
Os problemas começaram já nas estradas pois várias cidades não tinham condições ou recusavam-se a alimentar aquela multidão de peregrinos que, por sua vez, acreditavam ser obrigação das cidades suprir suas necessidades, já que viajavam para cumprir a vontade de Deus.
As primeiras e mais constantes vítimas dessa turba foram os judeus. Em muitas cidades eles foram roubados, atacados, mortos ou convertidos à força. Se a Cruzada era contra os inimigos da cristandade, por que não atacar logo aqueles que estavam mais próximos, no caso os judeus das cidades no caminho da Cruzada? E foi o que fizeram sempre que possível.
Logo, judeus de vários locais da Europa, inclusive nos quais a tropa do Eremita nem passou, sofreram a perseguição de fanáticos e de oportunistas, estes últimos compostos de devedores dos judeus e de quem não lhes devia mas cobiçava as riquezas.
Massacre de Judeus em Metz, França
Rota dos Cruzados Pobres
Tal procedimento resultou em inúmeros conflitos e combates mas, também, no pagamento de grandes somas de riqueza da parte daqueles que preferiam pagar do que arriscar-se a um confronto com os fanáticos cruzados.
Constantinopla e o Estreito de Bósforo
Quando chegaram a Constantinopla a multidão de pobres já tinha perdido cerca de dez mil combatentes. Desapontado por pedir soldados e receber mendigos, Aleixo I Comneno logo providenciou a travessia dos cruzados pelo estrito de Bósforo para a Ásia Menor. Lá, porém, eles ficariam a mercê dos experientes guerreiros turcos, que já os aguardavam.
Pedro, o Eremita, diante de Aleixo I Comneno
A despeito de todos os avisos, os cruzados decidiram atacar logo, mas estavam divididos em dois grupos, por conta de desentendimentos. Um grupo, formado por francos, era comandado por Godofredo Burel e o outro, formado por alemães e italianos, eram comandados por Reinaldo.
Os alemães e italianos tomaram a fortaleza de Xerigordo onde, contudo, foram cercados e, sem água, obrigados a se render, sendo mortos ou escravizados.
Ruínas de Nicéia, atual Iznik
Os demais, que se dirigiram a Nicéia também não tiveram sorte diferente. Foram emboscados e massacrados. Quem se rendeu, mais as crianças, foram poupados. Quem resistiu morreu.
Os pouco mais de 3000 sobreviventes conseguiram retornar a Constantinopla onde foram absorvidos pelos guerreiros de verdade, comandados por Godofredo de Bulhão, comandante da Cruzada dos Nobres.
A Cruzada dos Nobres encontra a Cruzada dos Pobres...


Imagens da Wikicommons.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

OS POVOS DA AMÉRICA

 DEPOIS DO FIM DO MUNDO...
UM MUNDO NOVO!

Não foi imediatamente, mas, quando chegaram às Américas, os espanhóis encontraram civilizações mais avançadas, em vários aspectos, do que a própria.

Incas e Astecas, por exemplo, possuíam cidades e cultura que não ficavam devendo nada ao nível atingido por romanos e egípcios.

Saiba mais visitando nosso site clicando aqui, acesse a aba História Geral e, depois, escolha se quer ver em vídeo ou  slides nas abas "Povos da América" indicadas pelas setas/círculos. São aulas para adolescentes, mas são uma diversão interessante!

sábado, 25 de abril de 2015

BATALHA DE FORNOVO DI TARO - 70 ANOS

VITÓRIA ESPETACULAR
A Batalha de Fornovo di Taro brindou a passagem da F.E.B. pelos campos de batalha italianos com a marca da glória!
Ocorrida entre os dias 28/04/1945 e 01/05/1945, opôs a F.E.B., Força Expedicionária Brasileira, e a 148ª Divisão do Exército Alemão, sob comando do General Otto Fretter-Pico, apoiada por forças do fascismo italiano, representantes da República Social (o governo fantoche criado por Hitler para Mussolini), sob as ordens do General Mario Carloni.1
Fornovo di Taro é uma comuna italiana da região da Emilia-Romanha, província de Parma, às margens do Rio Taro. Em abril de 1945 encontrava-se em poder das tropas alemãs que resistiam ao avanço dos aliados.
General Otto Fretter-Pico / Don Alessandro Cavalli / General Mario Carloni
Em 27/04/1945, o Major Cordeiro Oeste, utilizando-se da intermediação de um vigário italiano, Don Alessandro Cavalli, Pároco de Neviano de Rossi, enviou às tropas alemãs o aviso de que estavam cercadas e propondo a rendição honrosa.
Ao comando da tropa situada na região de Fornovo-Respiccio.
Para poupar sacrifícios inúteis de vida, intimo-vos a render-vos incondicionalmente ao comando das tropas regulares do Exército brasileiro, que estão prontas para vos atacar. Estais completamente cercados e impossibilitados de qualquer retirada. Quem vos intima é o comando da vanguarda da Divisão brasileira, que vos cerca. Aguardo, dentro do prazo de duas horas, a resposta do presente ‘ultimatum’. Assinado: Nélson de Mello, Coronel” [comandante do 6º RI].2
Generais Zenóbio da Costa, Mascarenhas de Morais e Cordeiro de Farias
Os alemães pediram os termos por escrito e, quando os receberam, avisaram que iriam consultar seus superiores. Não sabemos a resposta do Alto Comando alemão, mas, sabe-se que as ordens de Hitler eram, geralmente, para resistir até à morte.
Contudo, naquele final de Abril a capacidade de Hitler para comandar suas forças armadas, com o Exército Vermelho chegando à chancelaria, era mínima, quando não inexistente. Os brasileiros, portanto, não esperaram pela tergiversação alemã e em 28/04 o ataque começou.
As tropas do 1º e do 11º Regimentos bloqueavam as rotas de fuga. O 6º Regimento, com apoio de artilharia, engenharia, reconhecimento e de tanques americanos, atacou.
A força principal avançou pelo Sul, vinda da localidade de Collecchio, era comandada pelo Major João Carlos Gross, e encontrou violenta resistência alemã. As tropas brasileiras resistiram aos intensos contra-ataques entre a noite de 28 e a madrugada de 29/04/1945.
Fornovo di Taro nos dias atuais. Ao fundo o Rio Taro.
Apesar dos violentos combates, as negociações de paz foram retomadas e emissãrios alemães foram ao encontro dos oficiais brasileiros em Collechio onde estes lhes confirmaram os termos de rendição: incondicionais.
Diante da situação insolúvel os alemães aceitaram baixar as armas. Coube aos Sargentos Joaquim Matheus e Luiz Pedrozzelli 3 a rajada final de tiros brasileiros na Itália, disparada na madrugada de 29/04/1945.
Terminava a última batalha da F.E.B. na Segunda Guerra Mundial. E foi um fecho com chave de ouro, como um dos relatos da rendição alemã permite vislumbrar:
Combinada a rendição, cessou o fogo dos dois lados. Na manhã seguinte vieram as formações marchando garbosamente, cantando a canção ‘velhos camaradas’, também conhecida no nosso Exército”.
A cerimônia era tocante” – prosseguiu Dionísio. “Era até mais cordial do que o final de uma partida de futebol. Podíamos ser inimigos, mas nos respeitávamos e parecia até haver alguma afeição. Eles vinham marchando e cada companhia colocava suas armas numa pilha, continuando em forma, e seu comandante apresentava a tropa ao oficial brasileiro que lhe destinava um local de estacionamento. Só então os comandantes alemães se desarmavam. A primeira Unidade combatente a chegar foi o 36 Regimento de Infantaria da 9° Divisão Panzer Grenadier. Seguiram-se mais de 14 mil homens, na maioria alemães, da 148° Divisão de Infantaria e da Divisão Bessaglieri Itália que os acompanhava”.4
Colunas de Soldados alemães em rendição
Armamento alemão capturado
A F.E.B. foi a única força militar do teatro de operações da Itália a capturar uma Divisão inteira do Exército Alemão.
Em números aproximados, os brasileiros capturaram 14.779 homens, entre soldados, oficiais e dois generais, 4.000 cavalos, 80 canhões, 1.500 viaturas, além das metralhadoras, fuzis, munição e armas leves. O fim da presença nazista na Itália estava próximo, assim como a guerra na Europa.
Soldados alemães prisioneiros

A Força Expedicionária Brasileira foi brilhante em Fornovo di Taro. Surpreendeu as forças alemãs em Collecchio e as obrigou a recuar para Fornovo. Cercou-as e resistiu à desesperada tentativa de rompimento do cerco, não deixando outra opção aos alemães que não a rendição incondicional.
A rendição alemã aos oficiais brasileiros.

F.E.B. – gratidão e orgulho eternos do Brasil! E nossa homenagem também ao esquadrão Senta a Pua, da Força Aérea Brasileira, que teve participação fundamental no apoio ao avanço aliado na Itália.
Placa comemorativa da rendição alemã intermediada por D. Alessandro Cavalli.

Pilotos do Senta a Pua!


Imagens:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Otto_Fretter-Pico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fornovo_di_Taro
http://www.mymilitaria.it/liste_04/2_addestramento_oro.htm
http://www.portalfeb.com.br/longa-jornada-com-a-feb-na-italia-fornovo-di-taro/
https://chicomiranda.wordpress.com/tag/rendicao-alema-ao-brasil/
1A Cobra Fumou. A história dos verdadeiros herois brasileiros. Batalha de Forovo di Taro
Disp.: http://cobrafumou.webnode.com.br/historia3/batalha-de-forovo-di-taro/ - 06/03/2015
2CASTRO, Adler Homero Fonseca de. A FEB, a ofensiva aliada na Itália e a ação em Collecchio-Fornovo
http://www.grandesguerras.com.br/artigos/text01.php?art_id=50
3LUIZ, André.: Último Tiro de Artilharia e a Rendição Incondicional Alemã -148ª Divisão de Infantaria
http://segundaguerra.net/ultimo-tiro-de-artilharia-e-a-rendicao-incondicional-alema-148a-divisao-de-infantaria/
4Cel. Hiram Reis e Silva. Por que a 148ª Divisão Alemã se entregou somente aos brasileiros na Itália?
http://oblogdoabelha.blogspot.com.br/2011/08/118-guerra-na-italia-148-divalema-so-se.html

XINGU TERRA MAGICA


RESENHA

XINGÚ: TERRA MÁGICA” – UM MANUAL DE ANTROPOLOGIA

Por Marcello Eduardo

O documentário “Xingú: Terra Mágica”, realizado pelo Jornalista Washington Novaes em 1985 e exibido pela extinta tv Manchete, pode ser considerado um manual de Antropologia em vídeo por excelência. Ao assistir as imagens não há como não ver as abordagens da obra de Aracy Lopes da Silva (1988), Roque de Barros Laraia (2001) em suas definições de cultura e Alcida Ramos (1995) seguida ou representada.  

Vemos que a terra é de posse coletiva, é sagrada e está ligada às origens ancestrais, pois é nela que estão enterrados os antepassados e onde encontram-se todas as referências que compõe a identidade cultural do grupo. É à terra que estão ligados os mitos criadores, as divindades e cada uma de suas dádivas, que não são propriedades do índio, mas pertencentes a um espírito que pode estar satisfeito ou ficar bravo, trazendo problemas. 

Na obra de Ramos vamos ver, e com a ilustração do documentário, que os recursos são explorados, trabalhados e distribuídos de forma coletiva e que os aspectos culturais e religiosos não são atividades à parte, mas integram o cotidiano, pois o índio, e na área cultural do Xingú não será diferente, é um ser social em todos os momentos. O que vai encontrar paralelo também em Aracy Lopes da Silva que mostra ainda a divisão sexual do trabalho, que é através deste que os frutos da terra serão apropriados e a existência de obrigações recíprocas e a retribuição.

       Assim, voltando a Ramos, a dor da esposa será compartilhada pelo marido, um nascimento mobilizará toda aldeia, cada auxílio deverá receber, invariavelmente reciprocidade, e as crianças farão suas brincadeiras como adultos em miniatura, buscando um aprendizado vital. 

Aqui não haverá como não recorrer à confirmação de SILVA de que “A vida das crianças acontece num cenário de verdade. De verdade, sim, mas em miniatura (...) Cozinham mesmo, caçam mesmo, coletam mesmo...” (1988. p.24), de que é participando das atividades dos adultos, imitando-os, que as crianças aprendem a viver.

Também poderemos ver ilustrado o pensamento de Laraia de que será necessário um conhecimento do sistema cultural mínimo por parte do indivíduo para que saiba operar dentro deste. (LARAIA, 2006, p.86)

Ainda em Ramos podemos verificar que é também a reciprocidade que auxilia o controle social e a manutenção da ordem, pois com a ausência de um poder de coerção direta na pessoa do líder, será sua experiência e generosidade que lhe garantirão o status e a obrigação moral da justa medida e recompensa, garantirá o equilíbrio necessário à sobrevivência do grupo como um todo.

E, se antes das leituras, causaria estranheza ver os índios usando instrumentos tipicos dos brancos, ao ler Silva vamos perceber que não se pode esperar mesmo que os índios permanecessem com o mesmo comportamento da época do descobrimento, pois estas culturas “nunca estiveram paradas no tempo”, (SILVA, XXXX) que são dinâmicas, se transformam, interagem, permutam experiências nos contatos com outras culturas.

O documentário nos leva, ainda, a pensar a cultura indígena da forma correta, observando, quase vivenciando, vendo as atitudes dos indígenas do ponto de vista deles, não do nosso. E é exatamente isso o mais interessante, pois esta observação nos leva a uma compreensão da nossa própria cultura, pelo que tem de diferente mas, pasmem, pelas semelhanças, que não são maiores apenas pelo que parece ser uma questão de referenciais.

É extraordinário notar que os índios vão possuir problemas conjugais de ciúmes, preocupações redobradas com suas filhas adolescentes, rituais de passagem para a idade adulta, questões políticas, religião baseada numa figura sacerdotal, superstições, explicações míticas para fenômenos naturais, crença no sobrenatural. Não haverão muitas sociedades hoje, se é que existe alguma, totalmente livres destas características.

E daí a pergunta: não estão certos os antropólogos ao pregar o respeito à cultura e o livre arbítrio dos povos? O documentário “Xingú: Terra Mágica”, do Jornalista Washington Novaes já nos dizia, em 1985, que sim.



REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO



LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar, 2006.



RAMOS, Alcida Rita. Sociedades indígenas. São Paulo: Ática, 1996.



SILVA, Aracy Lopes da. Índios. São Paulo: Ática, 1988.



NOVAES, Washington. Xingú: Terra Mágica. São Paulo: TV Manchete, 1985,

quinta-feira, 23 de abril de 2015

EGITO – PESSOAS COMUNS

EGITO – PESSOAS COMUNS

O cidadão comum egípcio vivia em uma sociedade praticamente sem mobilidade. A maioria era muito pobre e vivia para sustentar a nobreza, o clero e a família real.

Os mais pobres viviam em cabanas feitas de junco ou madeira (que seriam semelhantes às casas de taipa que conhecemos hoje), construídas em locais mais elevados para fugir das cheias do Nilo. Nessas casas, com raríssimos móveis, algumas esteiras e instrumentos de cozinha, dividiam o espaço humanos e animais.
Eles plantavam nas terras do Faraó ou dos ricos, caçavam e pescavam, quando possível criavam alguns animais para fornecimento de leite, carne e peles. No período das cheias do Nilo, quando não havia agricultura, os pobres trabalhavam nas obras públicas, construindo pirâmides ou os túmulos do Faraó e outros nobres, templos e palácios.
Eles também construíam diques, canais, reservatórios ou recuperavam os existentes. Conforme os relevos e pinturas de túmulos e templos deixam perceber, os homens vestiam-se apenas com uma saia e as mulheres usavam uma túnica ou vestido. Quase sempre as roupas são representadas na cor branca, o que pode ser compreendido em face do calor.

As crianças egípcias filhas dos camponeses recebiam uma educação rudimentar nos seios de suas famílias. Os garotos aprendiam o comportamento moral e social, as meninas aprendiam as prendas do lar.
Escolas eram muito poucas, geralmente ligadas aos templos e, na prática, apenas os filhos da elite tinham acesso a elas onde a educação era rigorosa e esmerada. Os meninos aprendiam a ler e escrever, história, geografia, matemática, medicina, astronomia, música, etc. As meninas também poderiam aprender a dançar, cantar e tocar instrumentos. Os filhos dos pobres, que não tinham acesso às escolas, aprendiam a profissão de seus pais.

A higiene não era muito grande nas casas das pessoas comuns, já que eram pequenas e divididas entre pessoas e animais, mas a higiene pessoal era considerada importante.

Os egípcios tomavam banho, geralmente no Rio Nilo, os que podiam usavam sabão, raspavam o corpo e perfumavam-se usando óleos aromatizados e pomadas. As mulheres com condições se depilavam, usavam cremes e pomadas para massagear a pele, se maquiavam e pintavam as mãos e os pés.

Crianças andavam nuas e tinham as cabeças raspadas, assim como os sacerdotes. Chegando a adolescência os meninos eram circuncidados. Os adultos usavam os cabelos curtos, assim como as mulheres no início, passando a usar cabelos longos posteriormente. Todos gostavam de usar jóias, a maior parte delas eram amuletos, de modo que os pobres também as usavam, logicamente de material inferior.

Os pobres andavam, em sua maioria, descalços. Quem podia comprar ou fazer, usava sandálias de junco ou papiro e os mais abastados faziam seus calçados de couro.

Os momentos mais importantes da vida do cidadão comum no Egito eram as festividades religiosas. Quando chegava o tempo de homenagear as divindades, os egípcios peregrinavam para os templos dos deuses de sua devoção, participavam das procissões e rituais, segundo sua hierarquia e, em algum momento, poderiam ser agraciados com a visão do Faraó, a divindade vivente, responsável, segundo a crença do povo, pela vida e suas dádivas.

Quem eram estes homens (ou mulheres) que faziam a intermediação entre os seres humanos e os deuses, sendo eles próprios divinos?

No texto inicial de nossa série egípcia tratamos do primeiro Faraó e na próxima semana vamos começar a conhecer mais alguns deles, apenas os mais destacados, para saber quem foram e o que fizeram de tão importante que gravou, de forma inapagável, seus nomes na História.

Continua!


http://www.sohistoria.com.br/ef2/egito/p5.php


Imagem:


http://ancientegypt916.weebly.com/roles-and-responsibilities.html
http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_male_circumcision
http://www.history.com/news/history-lists/11-things-you-may-not-know-about-ancient-egypt
http://www.ancientegypt.co.uk/trade/home.html
http://www.historyforkids.org/learn/egypt/art/egyptmusic.htm
http://imgkid.com/ancient-egyptians.shtml
http://primaryhomeworkhelp.co.uk/egypt/farming.htm
http://looklex.com/e.o/egypt.ancient.people.htm

quinta-feira, 16 de abril de 2015

EGITO – ECONOMIA

EGITO – ECONOMIA

A engenharia hídrica dos egípcios permitiu um excelente aproveitamento das cheias do Rio Nilo por meio de um sistema de canais de irrigação, diques e reservatórios de água que, a despeito do clima desértico na maior parte do ano, tornou o Egito um verdadeiro celeiro do mundo antigo.

Apesar dos períodos de fome, que não foram poucos e sempre relacionados a ausência/redução das cheias, podemos afirmar que aquele povo realizou verdadeiros prodígios na agricultura.

O Egito pertencia ao Faraó, as terras eram suas mas, apesar disso, muitos egípcios eram proprietários e os impostos eram calculados com base nessa posse ou concessão. O roubo de terras cultivadas e de grãos e o desvio ou interrupção dos cursos de água eram pecados graves, o que mostra a importância vital da agricultura.

Totalmente dependente das cheias do Nilo, a agricultura tinha três fases distintas: a adubação do solo, que era feita pelo próprio rio através do lodo depositado nas margens com as cheias e que durava de julho a outubro; de novembro a fevereiro era o período do plantio e, de março a junho, a colheita.

A preparação da terra era feita com arados puxados com a força da tração animal, como alguns murais em tumbas permitem ver.

Após o plantio, os egípcios mantinham as plantações através da irrigação proveniente de seu engenhoso complexo de canais que levava a água do Nilo a terras distantes permitindo, inclusive, a navegação de pequeno porte.

O cultivo era bastante variado, envolvendo trigo, cevada, linho, papiro, legumes, verduras, frutas e temperos. Quando chegava o tempo de colher sabemos que os camponeses utilizavam foices e debulhavam os grãos, pois os murais dos templos mostram estas cenas. Da mesma forma sabemos que produziam cerveja e vinho.

A colheita de cereais e uvas e o debulho dos grãos.
Mulher egípcia preparando cerveja
A criação de animais também era bastante variada, envolvendo bois, sobre cuja extensão dos rebanhos também incidiam impostos, além de cabras, ovelhas, porcos e aves. Bois e burros eram os animais de carga e os cavalos também foram criados a partir da invasão dos Hicsos. Há relatos da domesticação de hienas e guepardos para caça e até de leões como animais domésticos dos ricos.

Rico em minerais dos mais variados, o Egito também acrescentou ao seu domínio minas importantes nas terras conquistadas na região do Sinai e do Crescente Fértil.

A riqueza agrícola e mineral fez do Egito uma potência comercial que fazia negócios desde a Somália até o Mediterrâneo, enviando expedições comerciais que compravam ou trocavam produtos que iam desde madeira e cerâmica, até artigos de luxo como óleos, peles e plumas.


A família egípcia era patriarcal, o pai comandava, com auxílio da mulher. Os casais eram formados sem a necessidade de uma cerimônia e, embora houvessem casos de homens com mais de uma esposa, geralmente a união era monogâmica.

Os ricos podiam ter (e manter) concubinas e os Faraós chegavam a casar com suas irmãs e filhas, para manter a linhagem real dentro do sangue estritamente familiar.



A mulher egípcia possuía bem mais direitos e status social do que suas semelhantes nas demais regiões do mundo antigo. Na maior parte dos casos eram vistas, principalmente diante das leis, como iguais aos homens.

Acima mulheres da elite egípcia colocando a conversa em dia.

Mulher do povo moendo trigo para fazer pão.
Elas podiam ter propriedades, comprar, vender, contratar, ser herdeiras, trabalhar, divorciar, receber pensão, chefiar a casa quando viúvas, etc. Veremos, em séries posteriores, que uma mulher chegou a assumir a regência do Egito e, depois, fez a si mesma Faraó, com o consentimento dos sacerdotes!



Continua!


Imagem:


http://detetivesdeclio.blogspot.com.br/2014/06/o-antigo-egito.html
http://pt.slideshare.net/danielbronstrup/3-ano-em-antigo-egito-antiguidade-oriental-01
http://odiariodouniverso.blogspot.com.br/2013/09/capitulo-21-unificacao-do-egito-e-o.html
http://www.coladaweb.com/historia/antigo-egito-e-origem-da-civilizacao-egipcia
https://sala1epcd.wordpress.com/page/4/
http://blogdasoragabi.blogspot.com.br/2014_05_01_archive.html
http://pasoazulblog.com/2014/01/22/faraon-y-meiamen-realeza-egipcia/
http://www2.uol.com.br/historiaviva/artigos/especial_egito_cativos_sim_escravos_nao.html
http://www.geocities.ws/athens/Marble/4341/egpcio.htm
http://www.cervejasdomundo.com/Na_antiguidade.htm
http://vivianebolosdecorados.blogspot.com.br/2011/03/genesis-do-bolo.html
http://egitorevelado.blogspot.com.br/2011/09/agricultura.html
http://antigoegito.org/agricultura-egipcia/
http://cultura.culturamix.com/historia/economia-no-antigo-egito
https://cpantiguidade.wordpress.com/2010/08/25/o-modo-de-vida-nas-aldeias-camponesas-do-egito-faraonico/
http://historiageneral.com/2011/10/26/los-escribas-en-el-antiguo-egipto/

terça-feira, 14 de abril de 2015

GRANDES FARAÓS – TUTANCAMON

TUTANCAMON – O FARAÓ MENINO
Em 1922, quando Howard Carter introduziu uma vela pelo buraco aberto na última parede que protegia a tumba daquele obscuro faraó, tudo brilhou. E tudo que brilhou era ouro!

Howard Carter abre a capela mortuária de Tutancamon em 1923.
A raríssima descoberta de uma tumba totalmente intacta revelou um tal luxo que não combina com a pouca importância do reinado de um Faraó que morreu jovem e não deixou sua marca na História como fizeram seus antecessores.

Na tumba de Tutancamon quase tudo brilhava. E tudo que brilhava era ouro!
De paternidade controversa, o Faraó menino Tutancaton (assim mesmo, com “T”) chegou ao poder com nove aos de idade e logo restaurou o antigo poder do clero de Amon e dos demais deuses egípcios que seu antecessor, Akhenaton, banira.
Mudou a Capital novamente, transferindo-a de Akhetaton (Amarna) de volta para Tebas, em mais um sinal de prestígio concedido aos sacerdotes. Por fim, no quarto ano de seu reinado, mudou de nome para Tutancamon, que significa “Imagem Viva de Amon”, assumindo de vez o lado dos sacerdotes contra a linha de atuação de seus dois antecessores imediatos.

Há muitos “provavelmente”, “talvez” e “seriam” nos conhecimentos sobre a vida de Tutancamon. O mesmo ocorre com relação à sua morte.
Exames médicos realizados na múmia do faraó em 1968 aventaram a possibilidade dele ter sofrido um acidente ou ter sido assassinado com um golpe na cabeça.
Outros exames, feitos em 2005 descartaram a hipótese de assassinato. Em 2010 a causa da morte foi atribuída à malária em união com uma infecção óssea. Por fim, em 2013, aventou-se a morte por atropelamento!

A reconstituição do rosto de Tutancamon e sua múmia.
O único fato inegável, porém, é que Tutancamon morreu e não deixou herdeiros. Sua esposa, Anchesenamon, tentou se casar com um príncipe hitita que acabou assassinado a caminho do Egito.
A contra-gosto (ou não) ela terminou casada com Ay, antigo funcionário de Akhenaton, que tornou-se Faraó. Poucos meses depois ela própria foi para o túmulo em circunstâncias misteriosas.

Tutancamon e sua esposa Anchesenamon.
Quatro anos depois foi a vez de Ay morrer quando, talvez por acaso, Horemheb, o general, estava de volta de uma guerra. Providencialmente ele assumiu o trono já que a linhagem real estava extinta.
Esta foi a História do Faraó menino que deslumbrou o mundo milênios depois, com sua morte, enquanto sua vida pouco significou para seu povo.

Continua...


Imagens:
http://mundonline.galeon.com/portal/tutank.htm
http://noticiasdearqueologia.blogs.sapo.pt/tag/tutankhamon
http://www.vanialima.blog.br/2012/01/maldicao-de-tutankamon.html
http://ohumanocurioso.blogspot.com.br/2013/04/quem-foi-tutankamon.html
http://jornadasaopassado.blogspot.com.br/2013/08/tutankamon.html
http://www.turismoelcairo.com/wp-content/uploads/2014/05/tuntakam%C3%B3n.jpg
http://guias-viajar.com/madrid/capital/galerias-fotos-exposicion-tutankamon-tumba-tesoros-casa-de-campo/
http://ca.wikipedia.org/wiki/KV62
http://egitoantigohistoria.blogspot.com.br/p/tutankamon-vida.html