Total de visualizações de página

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A ROMA DO GLADIADOR

A ROMA DO GLADIADOR
FICÇÃO E HISTÓRIA

Será difícil encontrar um estudante universitário de História que não saiba que filmes épicos contam muito mais sobre a época em que são feitos do que sobre o período retratado.

O filme GLADIADOR (GLADIATOR – Ano 2000 – 155 minutos), do diretor Ridley Scott, não é diferente. Suas cenas grandiosas e os cenários espetaculares, porém, podem facilmente fazer com que as pessoas confundam ficção e História.

No Making Off, presente no box do DVD com a versão extendida do filme, encontramos muitos esclarecimentos para fazer essa diferenciação.

O roteiro, obra original de David Franzoni, (roteirista de obras como Amistad), depois modificado por William Nicholson e John Logan, tem sua inspiração no livro de Daniel Pratt Mannix, “Those About To Die” de 1958, republicado em 2001 com o título “The Way of the Gladiator”, que trata dos jogos romanos, mas relacionando-os com a atualidade.

Só este ponto de partida já é suficiente para nos mostrar, sem dúvidas, que Gladiador é uma obra que trata da antigüidade, mas com um pé em nosso tempo. E quando ouvimos o produtor Douglas Wick e o próprio Ridley Scott dizendo que existem muitas semelhanças entre o povo romano e o atual, mudando roupas, armas e formas, mas permanecendo essencialmente o mesmo, então temos essa certeza.

E esta parece ser a reflexão para a qual as entrelinhas da obra nos conduzem, e que parecem explicar o fascínio que o mundo romano sempre traz. Homens e mulheres lotando estádios numa tarde ensolarada para assistir a outros homens matando e sendo mortos ou devorados por feras. Seríamos iguais a eles?

Os atores do filme, Tomas Arana (Quintus), Russel Crowe (Maximus) e Joaquin Phoenix (Commodus), concordam que os espetáculos violentos atraem o público atual da mesma forma, no que são apoiados por Andrew Wallace, da Escola Britânica de Roma. Ele faz a mesma pergunta e a responde: sim, somos iguais.


Gladiador nasce como uma leitura da sociedade e da moral atual, feita pelos olhos de um império extinto, mas não porque seus autores quisessem ser filosóficos, mas para evitar o fracasso dos últimos filmes sobre Roma que foram feitos décadas atrás.

Para isso, roteiristas e diretor desprezam a História ou a moldam segundo os interesses comerciais, que significam fazer Roma ao gosto atual. Um realismo fictício, mas que é capaz de convencer e agradar.

É o próprio diretor que nos diz que a pesquisa é básica, que, uma vez identificadas as datas, épocas e personagens, o resto é dedução, no que é apoiado pelo roteirista William Nicholson, quando diz que a pesquisa fornece coisas que não se pode inventar, mas que um roteiro não é a própria História, mas uma história criada, que terá a preferência sobre a primeira.


Assim nós vamos ver que Marcus Aurélius e Cômodus são retratados de forma um pouco mais correta que os demais, pois a História oferece mais elementos sobre eles, ao contrário da filha de Marcus Aurelius, Lucila, sobre quem quase nada se sabe, apenas que participou de um golpe contra Comodus.

O personagem principal, Maximus, nunca existiu, embora o Making Off do filme afirme que a inspiração para sua criação vem de um general que teria desaparecido logo após a morte de Marcus Aurélius, porque faria parte de uma lista negra do novo imperador. E é só isso que se sabe sobre ele. Portanto, não houve um general que virou escravo, um escravo que virou gladiador e que desafiou um imperador matando-o na arena.

Vale acrescentar ainda, antes de adentrarmos o universo do filme em si, que este é sobre um homem e seu maior desejo: voltar para sua casa, para sua esposa, seu filho, sua família, pois é preciso, também, atrair o público feminino que não está muito interessado em lutas e sangue, mas que se comove com o pai de família que, tendo a glória a seu alcance, prefere voltar para os braços da esposa amada.

Vemos aqui a presença incontestável de um dos valores máximos da sociedade americana, sempre presente em filmes e discursos políticos, ao menos da boca para fora: um homem deve "proteger sua família". Ou vingá-la, quando isso não é mais possível. Sob este dogma, até mesmo as guerras americanas se sustentam.

Vamos, portanto, investigar como alguns aspectos da Roma antiga são apresentados pelo filme e compará-los com a História.

Começamos nossa comparação do filme Gladiador x História, observando o Exército Romano e a Legião Félix, da qual Maximus afirma ser o general. Depois vamos nos deter nos personagens históricos Marcus Aurelius e Comodus e, por fim, a política do Pão e Circo.
Nossas perguntas são: como se organizava o Exército Romano? É possível enxergar essa organização no filme? A Legião Felix existiu? Os Imperadores Marcus Aurelius e Comodus estão corretamente retratados na obra? Como funcionava a política do pão e circo? Como era o sistema de lutas de gladiadores?
Para responder essas perguntas, vamos recorrer às obras de Gibbon1 e Rostovtzeff.2
O EXÉRCITO ROMANO EM “GLADIADOR”
Voltar para casa. É a primeira ideia que o filme coloca, já na primeira cena. O General Máximus, comandante da Legião Félix, lembra-se dos campos de trigo de sua casa e alegra-se com o pássaro que voa, para depois voltar-se para seus homens, bem posicionados, em uma colina do norte da Germânia, região que atualmente faz parte da República Tcheca. 
A Legião Félix
A Legião Félix realmente existiu, tratava-se da “Legio IV Flavia Felix”3, fundada no ano 70 d.C. por Vespasiano, em substituição à Legião IV Macedônica, e, de fato, esta legião participou da guerra contra os germanos, compondo o exército de Marcus Aurélius. 
O filme retrata bem essa época, ano 180 d.C., quando o próprio Imperador comandava os romanos contra os germanos que atravessaram o Rio Danúbio em 169 d.C., durante às chamadas Guerras Marcomanas, ou Germânicas como chamavam os romanos4 (bellum Germanicum5 ou Expeditio Germanica Secunda6), nas distantes fronteiras do império.
Tropas e Armas
O exército é bem retratado. Notamos a disposição das tropas, na retaguarda as catapultas e os escorpiões (lançadores de dardos), seguidos dos arqueiros e, por fim, na linha de frente, a infantaria, os legionários com seus escudos curvos e retangulares, lanças (pilum), espadas (gladii), armaduras e elmos.
No filme não notamos bem as divisões internas que as legiões possuíam, as decúrias, as centúrias, as coortes, etc, e nem o posicionamento das fileiras da infantaria. Mas vale lembrar que trata-se de um filme e não um documentário.
O exército romano, historicamente, segundo a pesquisa realizada para o filme, estendia-se por cerca de 1,5km. Os soldados perfilavam-se em fileiras de 1000 homens, distando cerca de 2 metros um do outro.
A fileira seguinte posicionava-se 4 metros atrás, cada soldado posicionado no espaço entre os dois que estão à sua frente, assim, quando a tropa se posicionava para arremessar as lanças, não feriam os homens da fileira de trás. Não notamos isso, mas podemos ter bem uma ideia da organização que tornava o exército romano tão superior.
As armas também não podem ser consideradas exatamente iguais às da época, uma vez que sua confecção é apenas inspirada em estátuas e livros. As catapultas do filme conseguiam arremessar os vasos de óleo a 140m de distância. As verdadeiras lançavam seus projéteis a 250 metros segundo as informações do filme! Os escorpiões lançavam os dardos a 300 metros!
Estratégia
A estratégia também é valorizada. No início, logo após decidir sobre a posição das catapultas, Maximus monta seu cavalo e vai para o meio da floresta, atrás das linhas inimigas, encontrar-se com a cavalaria, que vimos se deslocando pela retaguarda na primeira cena.
Notamos que o ataque é coordenado (Ao meu sinal, mostre o inferno!). Uma pesada carga de artilharia, composta de vasos de óleo incendiado, dardos e flechas, é disparada. Enquanto a infantaria marcha, batendo nos escudos, lembrando o pelotão de choque das polícias atuais.
Esse ataque de artilharia tem um limite de tempo para ocorrer, pois deve estar encerrado com o maior sucesso possível quando a infantaria tiver alcançado o inimigo, evitando o chamado “fogo amigo”. Em tempo, também, de evitar atingir a cavalaria, que chega por trás, surpreendendo o inimigo e, praticamente, encerrando a batalha.

A eficiência da infantaria é visível. O avanço é bastante organizado, feito como uma parede de escudos. As flechas inimigas encontram a formação Testudo, a tartaruga, copiada dos macedônios e espartanos.
Escudos empurram, as espadas golpeiam, escudos repelem os contra-ataques, e o inimigo vê-se bloqueado por uma barreira que os empurra de encontro à cavalaria que chega na retaguarda, obrigando os germanos a se defender, voltando as costas às espadas da infantaria. Duas frentes, derrota certa.
Indumentária
Vale ressaltar o cuidado na composição dos figurinos, que praticamente excluiu aquele visual dos filmes de época, das saias, substituindo-as por calças curtas, mais lógicas para o inverno que se iniciava.
Pode-se observar que as armaduras não são aquelas tradicionais, porém mais elaboradas, e embora as armaduras apresentadas nos filmes épicos sejam as mais encontradas em estátuas e colunas, as que são usadas em “Gladiador” podem ser vistas em alguns museus e parecem ser bem mais eficientes na proteção ao corpo do soldado.
Vemos também que as patentes são mais distinguíveis, diferentes dos filmes dos anos 50 e 60, onde, com raras exceções, todos os romanos vestiam-se como centuriões, usando aquele elmo com penacho.
O aspecto dos soldados, sujos e esfarrapados, com as armaduras envelhecidas também é bem colocado, lembrando-nos que aqueles homens estão há anos longe de casa, guerreando, sem tempo de preocupar-se muito com a aparência.
Conclusão
O filme faz uma boa representação do exército romano, certamente sem fidelidade absoluta aos dados históricos, mas seguindo uma lógica aceitável.
Do acampamento dos soldados até a estratégia militar, nota-se uma preocupação em mostrar realismo, se não 100% histórico, mas ao menos plausível aos nossos olhos.
Continua...


MARCUS AURÉLIUS – GOVERNANTE FILÓSOFO
A nosso ver Marcus Aurelius foi um exemplar quase perfeito do governante filósofo que Platão idealiza em “A República”!
O Imperador

No filme "Gladiador" Ridley Scott apresenta um imperador já bastante envelhecido, parecendo ter bem mais que os 59 anos de idade que tinha em 180 d.C., talvez para acentuar um ar filosófico e meditativo, tão bem interpretados pelo falecido Richard Harris.
O filme retrata um Imperador cansado das batalhas, exausto pela distância de casa, preocupado com questões existenciais, morais, e com a imagem que projetaria para a posteridade. Vemos seu auto-reconhecimento como pai ausente e a reprovação ao comportamento de seu filho Cômodus.

É histórico que Marcus Aurélius escreveu suas famosas “Meditações” durante os anos de duração das Guerras Germânicas, e representando estas passagens temos a cena em que Maximus vai à sua presença e o encontra escrevendo. Leia a obra de Marcus Aurelius clicando aqui.
Menções são feitas a Lucius Vero, falecido em 169 d.C. e que foi co-imperador junto com Aurelius. Pouco se sabe sobre ele, apenas que foi pessoa de pouco brilho, se comparado ao colega, e falecido vítima de uma peste, durante uma campanha militar. O filme corretamente o menciona como marido de Lucila, casamento de conveniência política, e pai do segundo herdeiro na linha de sucessão do trono.
A História sai de cena quando vemos o Imperador combinando, com seu general vitorioso, uma transferência de poder temporária após sua morte, e posterior entrega do governo ao Senado, tornando Roma novamente uma República.
Semelhante situação só pode ser encarada como uma tentativa dos roteiristas em tornar mais palatável aos gostos atuais pela democracia, a história de um homem que, apesar de destacar-se largamente de quase todos os demais imperadores, exerceu o poder com todos os pressupostos e que usava os títulos de César e Augusto.
Sem contar que, historicamente, Marcos Aurelius nomeou Cômodus como seu sucessor e co-imperador ainda em 177 d.C., portanto, 3 anos antes do período retratado no filme.
A Morte de Marcus Aurélius

Nada como uma conspiração para compor a base de uma boa aventura. A história também não está em cena quando o imperador é assassinado pelo próprio filho.

Mas esta cena serve para mostrar como as sucessões dos imperadores eram momentos delicados. No filme vemos que Cômodus busca imediatamente o apoio do exército ao pedir a fidelidade de Maximus, coisa que já havia insinuado na festa da vitória sobre os germanos.
Ele já havia conseguido a fidelidade de Quintus, o segundo em comando, então, sem Maximus, (que a partir de sua recusa deverá ser eliminado por constituir-se perigoso obstáculo), nomeia Quintus chefe da temida guarda pretoriana, o corpo de segurança do imperador, sobre cuja força baseará seu poder.

E é, de fato, historicamente sabido que muitos imperadores deveram suas vidas e governos à fidelidade da guarda pretoriana, assim como tantos outros foram traídos e assassinados por ela.
Na verdade Marcus Aurelius também foi vítima da peste, provavelmente o sarampo, à época chamado Peste de Antonine, que grassou entre 165 e 180d.C., falecendo na cidade de Vindobona, atual Viena, Áustria, mencionada no filme por um dos gladiadores, dentro do Coliseu.


COMODUS – À SOMBRA DO PAI

Até que ponto as faltas de um filho são as falhas de um pai?
Busto do verdadeiro Imperador Comodus
 O Filho do Imperador

"Gladiador” apresenta Comodus como um jovem que não vê a hora de ser nomeado sucessor de seu pai, que mal pode esperar para exercer o poder e fazer dele um uso que, acredita, deveria ser feito por seu pai. 
Mas, como já foi dito no texto anterior desta série, ele não matou Marcus Aurelius e já era co-Imperador quando seu pai morreu.
Fica patente, desde o início, o desprezo que sente pela instituição do Senado, e que não reconhece nos senadores os intermediários entre o Imperador e o povo de Roma.
Demonstrando o histórico gosto de Comodus pelos espetáculos, o filme o apresenta, logo no início, planejando jogos e sacrifícios em honra do pai, não ficando claro se com isso rendia realmente homenagens a Aurelius ou se satisfazia os próprios desejos, uma vez que o próprio pai rejeita o sacrifício dos touros que o filho lhe oferece e lhe conclama a honrar Maximus, o verdadeiro vitorioso sobre os germanos.
Sim, Comodus lutava na arena. Mas fazia isso dentro de estritas normas de segurança pessoal, considerando que seus oponentes não receberiam armas reais e dificilmente algum gladiador teria ímpetos de matar o Imperador de quem poderia receber a liberdade e boas recompensas.
O Governo
O filme nos faz imaginar que Comodus teve uma passagem relâmpago pelo poder, que na realidade durou 12 longos anos.

Porém, Ridley Scott apresenta um imperador bastante convincente, muito bem interpretado pelo jovem ator Joaquin Phoenix, que alterna momentos de uma energia furiosa com fragilidade, típicas da idade e da pressão de assumir tão imensa responsabilidade ainda muito jovem.
Mas o roteiro corteja perigosamente o ridículo ao mostrar o Imperador de Roma reconhecendo que tem medo do escuro.
O filme está correto quando demonstra, logo no início do reinado, os problemas do jovem imperador com o Senado e sua irmã, mas não encontramos qualquer indício de que Comodus nutrisse uma paixão incestuosa por Lucila. 
O que se sabe é que ela esteve envolvida na primeira conspiração para matá-lo, no que fracassou e acabou sendo exilada e, depois, executada.
Também é pouco provável a cena que mostra o imperador armado dentro do Senado e uma mulher, no caso sua irmã Lucila, participando da sessão e intervindo nos debates.
Os Jogos
No filme, conforme prometera fazer, Comodus abre uma grande temporada de jogos no Coliseu. Ele justifica sua decisão com duas motivações: uma pública, homenagear o pai; e outra privada, conquistar o povo dando-lhe uma visão da glória de Roma através das lutas no Coliseu, já que a população apenas ouve falar das glórias romanas conquistadas nos campos de batalha, pelas legiões.

Organizar estes jogos custava muito caro aos cofres romanos, e o filme explica que os estoques de cereais estavam sendo vendidos para pagá-los, o que ocasionaria uma temporada de fome mais à frente.
Isso, segundo o filme, justificaria o golpe planejado pelo Senado e por Lucila contra seu irmão. Na verdade, Comodus usava os impostos do Senado para pagar pelos jogos, por isso era bastante impopular entre os ricos, mas popular entre os pobres!
Seu reinado também foi, por paradoxal que pareça, um período de descanso para os cristãos, contra quem as perseguições do império diminuíram bastante!
Enfim, pode-se até dizer que Comodus foi morto por conta das lutas de gladiadores, mas não participando de uma delas.
Seu fim veio por meio de outra conspiração, que envolveu sua amante Márcia e altos personagens do império, auxiliares próximos do Imperador.
A amante de Comodus pediu ao gladiador Narciso que o matasse, o que este fez estrangulando-o durante o banho.
Ou seja, sua morte veio pelas mãos de um gladiador, mas o campo de batalha foi uma banheira, e não as areias do Coliseu.
PÃO E CIRCO!
Sabe-se da importância que era dada aos jogos em Roma (como parte da política do pão e circo) pela quantidade de arenas e anfiteatros espalhados por todo o império, cujas ruínas até hoje dão testemunho.
Os jogos distraiam a atenção do povo oprimido, enquanto o pão lhes matava a fome. Alimentado e bem distraído, o povo não parava para avaliar sua situação social e política, amava os governantes que lhes proporcionavam aquela vida e, indiretamente, davam-lhes a popularidade que precisavam para manter o poder.
Distribuição de pães aos cidadãos no Coliseu
Esta prática de legitimação popular do poder é muito bem representada na obra de Ridley Scott. A necessidade de dramatização, porém, faz com que logo a História saia de cena novamente.
No filme, o Imperador se vê num dilema ao descobrir que seu grande inimigo, Máximus, está vivo e se tornara um gladiador vitorioso.

Como este conquistara o povo com suas vitórias na arena, (e vivia desafiando o imperador, virando-lhe as costas, desobedecendo suas ordens, etc), matá-lo não seria fácil. Como o próprio filme mostra, seria preciso, primeiro, matar-lhe o nome. É o que Comodus tenta fazer quando resolve enfrentar o general na arena.
É sabido que o verdadeiro Comodus venceu torneios de gladiadores, todos arranjados, é claro, pois seus oponentes portavam armas falsas. Há divergências quando a isso, pois se há quem acredite que o imperador fazia apenas algumas apresentações restritas, por outro lado há quem acredite que ele lutava no próprio Coliseu e que cada aparição do imperador custava 1 milhão de sestércios de cachê, segundo as informações extras do filme.

Fazendo jus às informações históricas de lutas arranjadas, Ridley Scott mostra o Imperador ferindo Maximus antes do confronto, para ficar em vantagem. Como o povo não estaria ciente da situação, ele espera ganhar a fama por derrotar o grande campeão na arena. Mas Maximus é tão melhor guerreiro que, mesmo ferido e desarmado, consegue matar o Imperador com a própria arma deste!
Contudo, o verdadeiro Comodus não morreu na arena. Uma conspiração, que envolveu até mesmo sua amante preferida, logrou introduzir um lutador chamado Narciso nos aposentos do Imperador onde o matou estrangulado.
Esta foi a morte real do Imperador que, se por um lado demonstrava pouco apreço pelo posto que ocupava e pela governança, por outro nomeou administradores militares e políticos competentes, garantiu o abastecimento alimentício de Roma e demonstrou inclinação pelos menos favorecidos, a exemplo dos cristãos, a quem pouco perseguiu, agindo menos contra estes do que seu pai, tão humanista.

Como se vê, uma personalidade bem diferente daquela dicotomia “bem x mal” que o filme apresenta para deleitar os expectadores.
Enfim, morto o vilão, o filme caminha rapidamente para o final, prisioneiros livres, Roma livre, pronta para a democracia. Maximus pode, então, seguir para a outra vida e reencontrar sua família, pode, finalmente, “voltar para casa”.
Na verdade, após a morte de Comodus, Roma atravessou um período de grande instabilidade que só terminou com a posse de Septimo Severo em 193 d.C. Roma jamais voltou a ser uma República.

FIM
Conheça o Edital de Publicação clicando aqui.
Para conhecer, clique aqui.
Para navegar mais por este blog, clique aqui.
Para ler outros textos na seção "A Semana", clique aqui.
Para ir ao nosso site, clique aqui.


1 GIBBON, Edward. Declínio e queda do Império Romano. Tradução e notas suplementares de José Paulo Paes. Editora: COMPANHIA DAS LETRAS. São Paulo, 1980.
2 ROSTOVTZEFF, M. História de Roma. Rio de Janeiro; Zahar Editores, 1961.
3 LENDERING, Jona. Legio IIII Flavia Felix. 
http://www.livius.org/le-lh/legio/iiii_flavia_felix.html - Cap. em 14/09/15
4“It was during Marcus' war against the Germans that the following incidents occurred ...” (LXXI – 5)

http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Cassius_Dio/72*.html

5Historia Augusta – Marcus Aurelius (pars II) – (21-8)
http://penelope.uchicago.edu/Thayer/L/Roman/Texts/Historia_Augusta/Marcus_Aurelius/2*.html

6História Augusta - The Life of Marcus Aurelius - Part 2 (Nota 182)
http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Historia_Augusta/Marcus_Aurelius/2*.html#note181

Nenhum comentário:

Postar um comentário