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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

CALENDÁRIO JULIANO


CALENDÁRIO JULIANO
Em 01/01/45 a.C., entrava em vigor o Caledário Juliano, após um estudo ordenado por Júlio César na qualidade de Pontifex Maximus de Roma.
O sistema de datação até então em uso era o Calendário Romano, que era Lunar, tinha 10 meses, 304 dias e, curiosamente, não incluia os 61 dias de inverno. Ele foi supostamente estabelecido por Rômulo, fundador da cidade.
Seus meses eram assim denominados: Mártio (31 dias); April (30 dias); Maio (31 dias); Júnio (30 dias); Quintil (30 dias); Sextil (30 dias); Setembro (30 dias); Outubro (31 dias); Novembro (30 dias); Dezembro (30 dias).
Por volta de 713 a.C., o calendário foi reformado, também supostamente, por Numa Pompílio, o segundo Rei de Roma. Ele incluiu “...os meses de Januarius (29 dias) e Februarius (28 dias) no final do calendário aumentando o seu tamanho para 355 dias...”, passando o sistema para Luni-Solar, iniciando os meses em coincidência com as fases da Luz e adicionando um mês ocasionalmente, para adequar ao ciclo solar.

É evidente que tal sistema era precário, passando períodos de até 10 anos sem a introdução do mês adicional. Em 46 a.C. César percebeu que as festividades programadas para março seriam realizadas em pleno inverno, e ordenou a reforma.
Assim sendo, inspirado no calendário egípcio, o ano deixou de iniciar em Março, passando a começar em Janeiro, os meses passaram a ter 30 ou 31 dias, sendo que Fevereiro ficou com 29 dias, e 30 dias a cada 3 anos.

No Calendário Juliano os meses eram assim denominados: Januarius (31); Februarius (29 ou 30); Martius (31); Aprilis (30); Maius (31); Junius (30); Julius (31); Sextilis (30); September (31); October (30); November (31); December (30).
O Imperador Otávio Augusto determinou a inclusão do ano bissexto para cada quatro anos e o Senado mudou o nome do mês Sextilis para Augustus, trazendo o dia 29 de Februarius (Fevereiro) para o mês de Agosto, que ficou, então, com 31 dias, igual ao mês de seu tio César (Julius – 31). Foi assim que Fevereiro passou a ter apenas 28 dias.
O Calendário Juliano vigorou até 24/02/1582, quando foi substituído pelo Calendário Gregoriano, que vigora até nossos dias.
A Igreja Ortodoxa, porém, segue utilizando o Calendário Juliano e atualmente a diferença entre ambos é de 13 dias.
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Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Calend%C3%A1rio_juliano

https://pt.wikipedia.org/wiki/Calend%C3%A1rio_romano

https://pt.wikipedia.org/wiki/Calend%C3%A1rio_gregoriano


quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O LIVRO DOS MORTOS EGÍPCIO IV – PAPIRO DE ANI

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O PAPIRO DE ANI

Ernest Alfred Thompson Wallis Budge, inglês, nascido na Cornualha em 27/07/1857 e falecido em 23/11/1934, foi, na visão de alguns, um dos maiores responsáveis pelo fascínio que a História do Egito desperta ao longo dos tempos. Na visão de outros foi um dos maiores ladrões de artefatos egípcios dos mesmos tempos!

Diretor de antiguidades egípcias e asiáticas do Museu Britânico, escritor de mais de 100 livros, alguns com erros depois descobertos, parece-nos que ele não media esforços e meios, escusos ou não, para obter todos os artefatos antigos valiosos nos quais pudesse colocar as mãos, segundo se pode perceber das informações trazidas no documentário O Livro dos Mortos, do History Channel, produzido por Tim Evans e dirigido por Petra Hafner.

"Arqueólogos" do Século XIX estudando uma múmia.

No mesmo documentário, Stuart Tyson Smith, Phd, Professor da Univeristy of California Santa Barbara diz que “Ele praticamente pilhava e saqueava, comprando o que via...”. Já James Wasserman, escritor e ocultista, contemporiza dizendo que “As pessoas fazem julgamentos totalmente extemporâneos. Comprar objetos culturais naquele tempo era normal.

Esta é a mesma linha de pensamento de Carol A. R. Andrews, autora de vários livros sobre o Egito. No documentário ela declarou que “Não devemos olhá-lo como mero ladrão de culturas. Não se pensava assim...”, o que difere um pouco do pensamento de Zahi Hawass, à época do documentário Chefe do Conselho Supremo de Antiguidades: “Para mim era ladrão...

À esquerda Wallis Budge. À direita Zahi Hawass.
Contudo, ladrão ou egiptólogo proeminente, ou mesmo um pouco de cada, foi Wallis Budge o responsável por resgatar, levar para Inglaterra e traduzir um dos melhores exemplares do Livro dos Mortos de que se tem notícia: o Papiro de Ani.

Ani era escriba, uma espécie de contador do Templo de Osíris, que viveu, provavelmente, durante o reinado de Seti I ou de seu filho, Ramsés II. Vivendo em Tebas e convivendo diretamente com o cotidiano de um dos pólos centrais da religião, Ani preocupava-se ainda mais com a vida após a morte.

O funeral de Ani. Ao centro as mulheres choram a perda.
O Ba (alma) sobre o Kat (corpo) mumificado de Ani.
É de se imaginar que seus contatos estreitos com os sacerdotes lhe rendiam informações privilegiadas sobre todos os aspectos da vida espiritual conforme a entendiam os religiosos de seu tempo. A elevada posição social de que era detentor como escriba, aliada à sua função de recebedor das doações e tributos pagos ao templo, lhe garantiu recursos suficientes para encomendar um dos mais bem feitos e completos exemplares do Livro dos Mortos já encontrado.

Wallis Budge o comprou ainda com o selo intacto e, ao abri-lo, deparou-se com 24 metros de magníficas ilustrações coloridas e escrita excelente. O Papiro de Ani possui 65 orações e encantamentos e cerca de 150 ilustrações coloridas.

O cortejo fúnebre de Ani. No centro sua esposa, Tutu, chora ao lado do sarcófago, puxado por bois em um trenó. à esquerda outro trenó, menor, com pertences e, acredito, os vasos canópicos. À frente do corpo, o sacerdote.
No centro da imagem, Anúbis protege a múmia de Ani.
Logo, porém, o achado lhe foi tomado por ordem do diretor do Departamento de Antiguidades Egípcias da época, o francês Eugène Grébaut, que apreendeu diversos artefatos e os trancou sob guarda.

Segundo o documentário do History dá a entender, Wallis Budge teria pago a um dono de hotel vizinho ao depósito para escavar um túnel até o quarto onde os objetos estavam e roubá-los. Para que a operação não fosse ouvida pelos guardas ele providenciou uma refeição “batizada” que os fez dormir pesadamente!

Wallis Budge acreditava que o papiro se perderia se fosse levado ao museu do Cairo. Assim, quando chegou ao Museu Britânico, com o intuito de preservar e estudar o precioso artefato, Wallis Budge tomou a providencial atitude de... cortá-lo em pedaços!

...

Nesta parte do livro Ani, ou seus "clones", trabalha para os deuses.
O Capítulo 125 - Ani faz as Confissões Negativas, afirmando não ter cometido uma série de pecados.
Bem... agora que já conseguimos parar de esmurrar a mesa e esmagar os papéis, voltemos ao papiro...

Anúbis pesa o coração de Ani contra a Pena da Verdade de Maat, deusa da Justiça. Toth anota o resultado observado por Ammut, sempre pronto a devorar os reprovados.
Não se sabe como ou quando Ani morreu, mas sua caríssima aquisição foi com ele para o túmulo e, supostamente, o ajudou a fazer a caminhada no Além rumo ao Campo dos Juncos.

Hórus conduz Ani (que se ajoelha) perante Osíris e suas irmãs, Isis e Néftis.
Ani, e sua esposa Tutu, apresentam uma mesa de oferendas a Hórus.
Sua cópia personalizada do Livro dos Mortos apresenta ilustrações de sua alma fazendo todo o percurso previsto, enfrentando os desafios e respondendo as questões com a ajuda das orientações do livro.

Ani parece ter vencido a tortuosa estrada rumo ao Campo dos Juncos!



Continua...


Imagem:
http://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Papyrus_of_Ani?uselang=pt-br

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O MAYFLOWER CHEGA A PLYMOUTH

O MAYFLOWER CHEGA A PLYMOUTH
Em 21/12/1620 os peregrinos do navio Mayflower desembarcavam na Baia de Plymouth, atual estado de Massachussetts, onde estabeleceram uma colônia.
Eles vinham de uma verdadeira epopéia que começara em Southhampton, Inglaterra, de onde partiram em 05/08/1620.
O grupo, inicialmente composto de 122 pessoas, a maioria delas puritanas que buscavam escapar das perseguições da Igreja Anglicana, partiu em dois navios, o Mayflower e o Speedwell.
Réplica do Mayflower em Plymouth
Mas esta última embarcação apresentou problemas de tal ordem que precisou retornar duas vezes à Inglaterra para reparos, sendo definitivamente descartada.
Nesta situação, 20 pessoas desistiram da viagem de modo que os 102 passageiros restantes, mais a tripulação de aproximadamente 30 marinheiros tiveram de se espremer no Mayflower para cruzar o Oceâno Atlântico.
O Mayflower, comandado pelo Capitão Christopher Jones, partiu definitivamente em 03/09/1620 e a chegada ao Cabo Cod ocorreu em 11/11/1620.
Seu destino, pré-estabelecido pela Coroa Britânica, seria o Rio Hudson, na atual Virgínia, mas o mau tempo impediu o prosseguimento da viagem de modo que eles decidiram desembarcar na região do Capo Cod mesmo.
Antes disso, considerando que estavam fora da região cedida pela Inglaterra, os viajantes criaram um pacto social, conhecido como Pacto do Mayflower, no qual estabeleciam regras de convivência e um governo.
O primeiro ano, porém, foi muito difícil, considerando que a chegada ocorreu no inverno e não houve tempo hábil para estabelecer uma plantação. Muitos colonos morreram de fome e doenças relacionadas à desnutrição.
Alguns estadunidenses muito famosos foram ou são descendentes dos peregrinos que desembarcaram do Mayflower, dentre eles alguns Presidentes como John Quincy Adams, Ulysses S. Grant (Confederados), Franklin D. Roosevelt e os Bush, entre outros.
Representação do primeiro assentamento
Também alguns artistas como Marilyn Monroe, Orson Welles, Clint Eastwood, Alec Baldwin, Humphrey Bogart, Christopher Lloyd, Richard Gere, Christopher Reeve, Ashley Judd, Sally Field, etc.
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Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mayflower
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pacto_do_Mayflower
http://mayflowerhistory.com/famous-descendants
https://en.wikipedia.org/wiki/Plymouth,_Massachusetts#Colonial_era
https://pt.wikipedia.org/wiki/Per%C3%ADodo_colonial_dos_Estados_Unidos#Os_peregrinos



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

IMPERATRIZ LEOPOLDINA - Parte V


IMPERATRIZ LEOPOLDINA (1) – MATRIARCA DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL – Parte V
Sem saber das maquinações de Carlota Joaquina, Leopoldina escreveu à irmã Maria Luisa que “...toda a família (real portuguesa) é elogiada, dizem que é cheia de bom senso e nobres qualidades.” (pg. 69).(1)
Segundo Laurentino Gomes (1822), porém,  "A corte de D. João era conservadora, carola, lúgubre e repleta de intrigas estimuladas pelo casamento de aparência entre o rei e a rainha."
Quando a delegação portuguesa que veio oficializar o pedido chegou, ostentando riqueza e luxo com suas 41 carruagens de seis cavalos cada, e oferecendo baile para 2 mil pessoas, Leopoldina criou amizade com Pedro de Meneses Coutinho, o Marquês de Marialva.
Nestes dias a Arquiduquesa também foi posta a par de suas obrigações como esposa, que ela chamou de “...intimidades das relações conjugais do status que em breve assumirei.”(pg. 75)(1)
Cassotti acredita no teor sexual dessas obrigações, considerando a reação da moça, revelada em carta à irmã: “Transpirei horrivelmente por causa disso, mas permaneci firme e a acompanhei com prazer, porque sem alegrias e sofrimentos não há nada nesta vida.” (pg. 75)(1)
Do pai Leopoldina ouviu conselhos para realizar todos os desejos do marido, aproximar-se de D. João VI e evitar a sogra, Carlota Joaquina. Ele estava coberto de razão...
Leopoldina acreditava que o casamento com D. Pedro e a mudança para o Brasil estavam nos planos da providência divina e, a esta altura, já percebera claramente que sua participação na escolha do marido fora mínima, mas esses detalhes parecem ter perdido importância algum tempo depois.
Continua...

1Marsilio Cassotti. A biografia íntima de Leopoldina: a imperatriz que conseguiu a independência do Brasil. São Paulo: Planeta, 2015
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PUBLICADA A BÍBLIA DE GUTENBERG

A BÍBLIA DE GUTENBERG

(do site Biblioteca Digital Mundial)[1]

A Bíblia de Gutenberg é o primeiro grande livro impresso na Europa Ocidental a partir de tipos móveis de metal. Ela é um monumento que marca uma virada na arte da produção de livros e na transição da Idade Média para o mundo moderno.
A Bíblia foi concluída em Mainz, Alemanha, provavelmente no final de 1455. Johann Gutenberg, que viveu por volta de 1397-1468, é geralmente creditado como o inventor do processo de produção de um tipo de metal uniforme e intercambiável e de desenvolver os materiais e os métodos para tornar a impressão possível.


Esta Bíblia, com o seu tipo gótico nobre ricamente impresso na página, é reconhecido como uma obra-prima da impressão e do artesanato refinados. O texto é a tradução latina conhecida como Vulgata, feita por São Jerônimo no século IV.
A Bíblia foi toda impressa em colunas duplas, em sua maior parte com 42 linhas por página. As letras maiúsculas e os títulos são ornamentados à mão e coloridos. Os três volumes, que datam do século XVI, estão encadernados em pele branca de porco.
A cópia da Biblioteca do Congresso foi totalmente impressa em velino, um fino pergaminho feito de pele de animal e é uma das somente três cópias perfeitas em pergaminho conhecidas. As outras encontram-se na Biblioteca Nacional da França e na Biblioteca Britânica.


Por quase cinco séculos a Bíblia esteve em posse da Ordem Beneditina e foi mantida na Abadia de São Brás, na Floresta Negra na Alemanha e, após 1809, na Abadia de São Paulo, na Caríntia, Áustria.
O ex libris da Abadia de São Brás aparece em cada volume. Juntamente com outros livros do século XV, a Bíblia foi adquirida da coleção do Dr. Otto H.F. Vollbehr pela Biblioteca do Congresso, por um ato adicional do Congresso em 1930.
[1] https://www.wdl.org/pt/item/7782/

O BRASIL DEIXA DE SER COLÔNIA

O BRASIL DEIXA DE SER COLÔNIA
Com a invasão de Napoleão e a fuga da Família Real, Portugal deixava de existir como nação livre e a capital do Império Português passava a ser o Brasil.
Consequentemente, o monopólio comercial português em relação ao nosso país também deixava de existir já que não havia um Portugal livre para onde enviar nossos produtos.
Neste período, buscando adaptar o Brasil às necessidades que surgiam como nova capital do Império, D. João (ainda como príncipe regente em lugar de sua mãe, Maria I – a Louca), tomou várias medidas de modernização tais como a criação do Banco do Brasil, das Juntas de Comércio, Agricultura e Navegação, as academias de Belas Artes e Militar e a Imprensa Régia com o jornal Gazeta do Rio de Janeiro.
Em 16/12/1815, atendendo sugestão do Ministro Francês Talleyrand no Congresso de Viena, foi criado o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, o que, na prática, significou que nosso país deixou de ser colônia de Portugal, passando à situação de reino, em quase igualdade de condições.

Essa situação de novo status foi um grande passo rumo à nossa independência, pois uma vez conquistada, tornava inaceitável um rebaixamento e, quando as cortes de Portugal o tentaram alguns anos depois, foi um poderoso combustível a atiçar a chama da liberdade.
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

OS CRISTÃOS CANIBAIS DE MAARA

OS CRISTÃOS CANIBAIS DE MAARA
Em 02/06/1098, por meio da traição do fabricante de armaduras Firouz, que abriu uma passagem por onde os cruzados puderam entrar, os cristãos conquistaram Antioquia.
Uma vez dentro da cidade, as tropas cruzadas promoveram um massacre sem precedentes até aquele momento. Muçulmanos, judeus e até mesmo cristãos foram passados à espada, “Homens, mulheres e crianças tentam fugir pelas ruelas lamacentas, mas os cavaleiros os alcançam sem esforço e cortam-lhes o pescoço imediatamente. 1
Após a vitória que lhes rendeu a tomada de Antióquia, os líderes cruzados disputaram o poder político sobre a cidade e, por fim, Raimundo de Toulouse decidiu partir rumo a Jerusalém. Boemundo ficou com a cidade para si, estabelecendo o segundo estado cruzado.
Antes de partir para Jerusalém, os cruzados voltaram os olhos para a cidade de Maara al-Numan (na atual Síria), sob domínio fatímida.2
Mesmo após a tomada de cidades grandes, e o massacre de suas populações, os cruzados continuavam sofrendo com a falta de alimentos (e com uma epidemia3), de modo que passaram a enviar expedições aos arredores das cidades para saquear.4
Maara sofreu ataque antes de Antioquia (Julho/1098) mas repeliu os invasores que rumaram para o Sul, deixando-a em paz. Em Novembro eles voltaram.
Mas a cidade resistiu por duas semanas, apesar de seus defensores serem poucos , pois “Maara não possui exército, tem apenas uma simples milícia urbana a qual se juntam rapidamente centenas de jovens sem experiência militar.5
A sorte só mudou quando, em 11/12/1098, os cruzados construíram uma torre que permitiu transpor as muralhas externas.6 Os habitantes se esconderam na área interna da cidade e os saques começaram.
No dia seguinte, 12/12/1098, foram iniciadas as negociações. Os muçulmanos e Boemundo de Taranto acordaram que os primeiros se renderiam e o segundo lhes garantiria salvo-conduto. Os muçulmanos, então, se renderam aos cruzados que...os massacraram impiedosamente.7
O historiador muçulmano Ibn al-Athir, descreve em sua obra “Al-Kamil Fi tem Tarikh” (História Completa) que 100 mil muçulmanos foram mortos. Amin Maalouf discorda. Para ele “Os números de Ibn al-Athir são evidentemente fantasiosos, pois a população da cidade, na véspera de sua queda, era provavelmente inferior a dez mil habitantes.8. Contudo, sejam quantos forem, milhares de pessoas foram covardemente assassinadas.
Mas Maara não tinha recursos tantos que pudessem encerrar os problemas de alimentação dos cruzados. E, para complicar, as disputas pela posse de Antioquia fizeram a marcha para Jerusalém demorar mais que o necessário para partir.
O resultado foi que, em pleno inverno, a fome se instalou entre as tropas cruzadas. Em Maara eles literalmente devoraram os muçulmanos mortos.
Esses eventos terríveis não são fruto da imaginação de algum exagerado cronista muçulmano. O relato vem do cronista franco, portanto cristão, Raoul de Caen: “Em Maara, os nossos faziam ferver os adultos em caldeira, fincavam as crianças em espetos e as devoravam grelhadas”9
A notícia é confirmada em carta escrita ao papa, por chefes cruzados francos. Eles informaram ao sumo pontífice que “Uma terrível fome assolou o exército de Maara e o colocou na cruel necessidade de se alimentar dos cadáveres dos sarracenos”10.
Esses atos terríveis marcaram de forma indelével o inconsciente coletivo do povo muçulmano. Até os dias atuais a “Invasão Franca”, como as cruzadas são chamadas no mundo muçulmano, causam comoção por lá e, recentemente, o Estado Islâmico justificou decapitações de cristãos como uma vingança pelos massacres das cruzadas, o que é absurdo, mas ilustra o caso.
Voltando ao passado, pelo que se percebeu na época, as notícias dos eventos de Maara al-Numan correram a região e reduziram a resistência ao avanço cruzado. Cidades maiores e menores passaram a enviar suprimentos e tesouros como presentes aos invasores, visando mantê-los longe de seus muros. O caminho para Jerusalém estava aberto... 11


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1  MAALOUF, Amin. As Cruzadas vistas pelos Árabes. 4ª ed. SP: Brasiliense. 1994.  pg. 41
2  MICHAUD, Joseph-François. História das Cruzadas – Volume I. Trad.: Pe. Vicente Pedroso. SP: Editora das Américas. 1956.  pg. 348
3  Ibid. pg. 341
4  Ibid. pg. 343
5  (MAALOUF: 1994) pg. 46
6  RUNCIMAN, Seteven. Historia de las Cruzadas I. 6ª edição. Madrid: Alianza Universi-dad. 2002. pg. 246 (Tradução Livre)
7    (MAALOUF: 1994) pg. 46
8    Ibid pg. 46
9    Ibid pg. 47
10  Ibid. pg. 47
11  Ibid. pg. 48 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

CÓDIGO DRÁCULA - FINAL

O CÓDIGO DRÁCULA – FINAL
Chegou o momento de apresentar nossas conclusões. Não descartamos as outras teorias existentes, como as questões da sociedade da Era Moderna, a importância do sangue no imaginário do XIX, as transformações culturais e científicas, etc.
Mas acreditamos na plausibilidade de nossa conclusão, ao mesmo tempo em que não encontramos visão semelhante, com exceção do que já foi mencionado.
Vimos que Bram Stoker era um irlandês que nasceu e cresceu durante movimentos que opunham os interesses de seu povo aos ingleses, senhores das ilhas britânicas, o opressor Império onde o Sol jamais se punha.
A fala de Drácula, impregnada de nacionalismo, reivindica seu direito à conquista e à dominação. Sua escolha como personagem demonstra, a nosso ver, que ele não é apenas o “cara mau” desta obra, mas é o grande vilão da vida do irlandês Bram Stoker.
Drácula vampiriza, escraviza com seu sangue, conquista, domina, em cada lugar que vai sua terra impregnada de sangue vai com ele. Por quê?
Porque ele não é apenas uma representação do nacionalismo inglês, ele é a própria Inglaterra, a nação guerreira, conquistadora e opressora, que vampiriza a Irlanda, que a dominava quando esta definhava de fome, que virou as costas à Igreja, que engana, conspira, que faz uso dos mares e dos ventos que impelem sua força naval!
Drácula/Inglaterra miscigena seu sangue em suas colônias, tornando-as suas escravas. Esses domínios jamais vêem o pôr-do-Sol, o que Stoker subverte, fazendo do vampiro um inimigo da Luz.
As mulheres da obra de Stoker são as vítimas preferidas de Drácula. Ele quer sangue e escravas.
Mina, enquanto mocinha virtuosa, trabalhadora e pobre, é a Irlanda de Bram Stoker. As demais mulheres, tão diferenciadas entre si, são as outras colônias inglesas.
O ato de contaminar essas mulheres, tornando-as suas escravas, representa a miscigenação, já mencionada, mas também a influência cultural inglesa que se espalha corrompendo os valores caros ao autor.
Mina, que resiste, auxiliando os amigos, é a esperança de Stoker. O autor coloca seu país na vanguarda da luta contra o “mal”.
A fé católica, mostrando sua força perante o anglicanismo, age como força de salvação, como ponto de união dos irlandeses contra a vampirização inglesa, contra aqueles que adotaram uma nova religião.
Do irlandês Stoker, não poderíamos esperar nada diferente, embora possamos notar seus desejos de uma união com a ciência, o que certamente demonstra seu encanto e cuidado com os avanços de seu tempo.
O cowboy americano é jovem, viril, ainda puro e destemido. Suas andanças fazem dele um cidadão do mundo que não teme oferecer o próprio sangue em auxílio às mulheres.
É ele quem transpassa o coração do vampiro e liberta o mundo do opressor. É o herói de Bram Stoker.
Rezende defende que Stoker percebe a "...crescente relevância dos Estados Unidos no cenário mundial..."7 (pg. 42), e concordamos com ele. Para nós o cowboy é os Estados Unidos, que venceu os ingleses, terra da liberdade para onde acorrem levas de irlandeses em busca de paz, em quem Stoker deposita a fé em uma contraposição aos ingleses no mundo. Fé na Liberdade.
Sua morte, ao final, para nós representa apenas um desfecho heroico. O que importa, contudo, é a projeção dos EUA como uma nação poderosa no futuro, já citada antes.
Esta é, portanto, nossa visão a respeito do que pode estar por trás da obra de Bram Stoker.
Discordamos de Rezende quando coloca a obra como um estímulo aos “...irlandeses de todas as partes do mundo, principalmente os da América, para lutar pela libertação de sua terra natal.7(pg. 42)

Seria uma linguagem tão cifrada que a maioria de seus compatriotas não conseguiria decifrar.

A nosso ver a obra é uma crítica refinada e muito camuflada à superpotência britânica. Como funcionário público Stoker talvez não tenha intentado ir tão longe a ponto de se arriscar pessoalmente.

A despeito disso, porém, admitindo a veracidade de nossa tese, isso faria de nosso autor um nacionalista irlandês criticando a Inglaterra de dentro da própria sociedade inglesa e, ironia fina, sendo aplaudido por ela!
FIM

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REFERÊNCIAL BIBLIOGRÁFICO
FIGUEIRA, Divalte Garcia. História. São Paulo: Editora Ática,2002
STOKER, Bram. Drácula. Trad. Vera M. Renoldi. São Paulo: Nova Cultural, 2002.
_____________. Drácula. In: Os três maiores clássicos da literatura de terros. Org. Stephen King. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.
_____________. Drácula. Trad. Theobaldo de Souza. Porto Alegre: L&PM Editora, 2009.
_____________. Drácula. Martin Claret.
1Componentes: Carla Oliveira, Valéria Maria, Antônio Éverton, Gerson Alves, Robson Castro e Marcello Eduardo.
2https://pt.wikipedia.org/wiki/Bram_Stoker
3Os Deveres dos Oficiais de Seções Petty na Irlanda (tradução livre).
4O Tratado Preliminar de Santo Estêvão (3 de março de 1878) foi o acordo que o Império Russo impôs ao Império Otomano após vencer os turcos na guerra russo-turca de 1877-1878. Foi assinado em Santo Estêvão (grego: Agios Stephanos, atualmente Yeşilköy), vilarejo ao oeste de Istambul, na Turquia, pelo conde Nicolau Pavlovitch Ignatiev e Alexandre Nelidov por parte do Império Russo e pelo ministro de assuntos exteriores Safvet Paxá e o embaixador na Alemanha Sadullah Bey por parte do Império Otomano.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_de_Santo_Est%C3%AAv%C3%A3o

5O Tratado de Berlim, concluído em 13 de julho de 1878, foi acordado entre as principais potências da Europa e o Império Otomano, e determinou o estabelecimento de um verdadeiro regime de controle permanente sobre a administração interna do império, de maneira a garantir o que os europeus invocavam como um mínimo aceitável de direitos, em particular a "liberdade religiosa" para os cidadãos submetidos à lei turca[1] .

Assinado no final do Congresso de Berlim, modificou o Tratado de Santo Estêvão, ao qual se opunham o Reino Unido e o Império Austro-Húngaro, e que instituía a "Bulgária Maior".

Tratado de Berlim reconheceu a independência dos reinos da Roménia, em 1881, da Sérvia, em 1882, de Montenegro, em 1910 e a autonomia da Bulgária, embora esta última permanecesse sob tutela formal do Império Otomano e fosse dividida em três partes: o Principado da Bulgária, a província autónoma da Rumélia Oriental e a Macedónia, devolvida aos otomanos, impedindo os planos russos para uma Bulgária Maior russófila[2] . A província otomana da Bósnia e Herzegovina, bem como o antigo Sanjak de Novi Pazar, foram colocados sob ocupação austro-húngara, embora formalmente continuassem a integrar o Império Otomano.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_de_Berlim_%281878%29

6A literatura gótica inicia-se no século XVIII, na Inglaterra, com a obra O Castelo de Otranto (1764), de Horace Walpole. Costuma-se destacar, como algumas das principais características desse tipo de literatura, os cenários medievais (castelos, igrejas, florestas, ruínas), os personagens melodramáticos (donzelas, cavaleiros, vilões, os criados), os temas e símbolos recorrentes (segredos do passado, manuscritos escondidos, profecias, maldições).

Outras leituras possíveis da literatura gótica envolvem destacar nos romances o uso da psicologia do terror (o medo, a loucura, a devassidão sexual, a deformação do corpo), do imaginário sobrenatural (fantasmas, demônios, espectros, monstros), das reflexões sobre o Poder (colonialismo, o papel da mulher, sexualidade), da discussão política (monarquismo, republicanismo, as Revoluções, a industrialização), dos aspectos religiosos (catolicismo, protestantismo, a Inquisição, as Cruzadas), das concepções estéticas (neoclassicismo, romantismo, o Sublime) e filosóficas (a Natureza, Platão, Aristóteles, Rousseau), além de outras possíveis chaves interpretativas.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Literatura_g%C3%B3tica

7(p. 119 – L&PM 2009)

8REZENDE, João Bosco de Almeida. Por trás das sombras: uma análise das representações em Drácula. UFS, São Cristóvão, 2007