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domingo, 24 de julho de 2016

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL - GRANDES BATALHAS

SE ESTE NÃO É O TEXTO QUE VC BUSCA, ELE PODE ESTAR MAIS ABAIXO.

A BATALHA DO SOMME
A luta na região do Rio Somme foi mais uma carnificina da Grande Guerra, com a diferença de ser planejada pelos ingleses, contra os alemães.
Ela foi a contra-partida britânica ao acordo da Conferência de Chantilly (dez/1915), na qual foram acordados ataques simultâneos dos aliados (russos, britânicos, franceses e italianos), visando pressionar seus inimigos por todos os lados.
No caso específico desta batalha, a Inglaterra se aproveitava da situação em Verdun-sur-Meuse, na qual os alemães depositavam o grosso de suas tropas e materiais, deixando menos protegidos outros setores da frente, como o Somme.
Por outro lado, e pelo mesmo motivo, essa ofensiva contaria com poucas tropas francesas. A Força Expedicionária Britânica, porém, fora muito ampliada por conta do alistamento militar obrigatório, que rendera mais dois exércitos bem equipados, embora mal treinados.
Os britânicos também tinham grande superioridade em artilharia que “...incluía cerca de 3 mil canhões, metade dos quais era britânica, metade,francesa.[1]. Essa superioridade também se verificava no ar, onde a aviação aliada superava a alemã.
A despeito de toda essa vantagem material, os comandantes aliados divergiam quanto à estratégia de ataque e um dos motivos era a desconfiança quanto ao preparo de seus homens para a batalha.
Por fim, optaram pelo básico bombardeio da artilharia e o avanço da infantaria para abrir uma brecha que seria invadida pela cavalaria.(?!)
O ataque foi iniciado em 24/06 com o bombardeio da artilharia, gás cloro e a explosão de túneis escavados sob as trincheiras alemãs. Os aliados lançaram “...12 mil toneladas de projéteis de artilharia – cerca de 1,7 milhão de disparos.[2].
Apesar das grandes baixas sofridas, os alemães conseguiram uma rápida recuperação, considerando que o bombardeio “...não conseguiu destruir seus esconderijos subterrâneos mais profundos nem suas plataformas de metralhadoras fortificadas, e deixou grande parte de seu arame intacta.[3].
Para complicar, as explosões dos túneis secretos escavados sob as trincheiras alemãs mais dificultou do que ajudou o avanço, pois os buracos abertos eram praticamente “intransponíveis”.
Os soldados avançavam em meio às crateras, lamaçal e arame farpado da Terra de Ninguém, onde eram massacrados pelo fogo das metralhadoras, granadas, bombas e fuzis dos alemães, que recuaram poucos quilômetros de sua posição original.
O resultado foi que, a exemplo de tantos outros avanços, este resultou em banho de sangue. As baixas foram tão terríveis que traumatizaram a população inglesa pois “Cidades como Manchester, Birmingham, Liverpool, Sheffields, Leeds, Bradford e outras, tiveram de reconhecer a realidade da guerra total. Bairros inteiros […] perderam seus homens.[4].
Em meados de julho uma nova tentativa foi feita com a infantaria reunindo-se à noite e avançando sem apoio da artilharia. Conseguiram avançar cerca de 6km, mas não dispunham de reservas para completar o trabalho de modo que “...a batalha seguiu a pauta familiar de uma carnificina de desgaste.[5].
Outros ataques, em setores diferentes, visando evitar a concentração de reforços alemães, tiveram custo alto em vidas, a exemplo das tropas australianas próximas à cidade de Artois, onde sofreram nada menos que “5.500 vítimas” em um único dia.
Com o fim da Batalha de Verdun se aproximando, os alemães reforçaram a frente do Somme, complicando ainda mais os planos aliados. Apesar disso, em 15/09 um novo ataque teve início, desta vez usando tanques pela primeira vez na guerra.
A Inglaterra enviou 49 tanques Mark I, que pesavam 28 toneladas e “corriam” a 5 km/h! Mas, destes 49 tanques, “...apenas 32 chegaram à frente de batalha, dos quais apenas 9 conseguiram cruzar a terra de ninguém para enfrentar o inimigo.[6].
Apesar desse fiasco, e graças ao tremendo impacto psicológico que os monstros de ferro causaram nos soldados que nunca tinham visto nada semelhante, os alemães recuaram. Mas só um pouco
Porém, neste mesmo mês de setembro/1916, a força-aérea alemã voltou a ter o domínio dos ares. Entrava em cena o Esquadrão de Caça Jasta II, no qual servia Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen, o Barão Vermelho.
A supremacia aérea, que significava a coleta de informações precisas sobre a localização de alvos e o movimento de tropas, foi fundamental para que os alemães equilibrassem o jogo em terra.
A Batalha do Somme começou depois e terminou antes do final oficial da Batalha de Verdun. Apesar disso conseguiu matar mais soldados. Números oficiais apontam “...624 mil baixas Aliadas (420 mil britânicas [...], 204 mil francesas), incluindo 146 mil mortos ou desaparecidos, contra 429 mil perdas alemãs, incluindo 164 mil mortos ou desaparecidos.[7].
As duas batalhas, Verdun e Somme, mostraram que a estratégia de desgastar o adversário trazia, na verdade, perdas para os dois lados e que “...a superioridade dos efetivos e a abundância de material podiam assegurar êxitos parciais, mas estes êxitos […] não bastavam para implicar a ruptura da frente.[8].








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[1]  SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 275.
[2]  Ibid. pg. 276.

[3]  Ibid. pg. 276.

[4]  PIMLOTT, John. A Primeira Guerra Mundial. Bogotá, Colômbia: Editora Norma. pg. 22. Tradução livre.

[5]  Ibid. pg. 23.
[6]  SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 280.

[7]  Ibid. pg. 283.
[8]   RENOUVIN, Pierra. La Primera Guerra Mundial. Em língua espanhola. Trad. Jordi García Jacas. Barcelona-Espanha, Editora Montserrat, 1990. pg. 20. Tradução Livre.



A BATALHA DE VERDUN - 1916
Verdun-sur-Meuse é uma cidade do nordeste da França com mais de mil anos de História tendo enfrentado e repelido nada menos que um cerco de Átila, o Huno, no século V.
Na época da Grande Guerra, Verdun estava dentro de uma linha fortificada, composta por dezoito fortes subterrâneos, a exemplo dos fortes Douaumont e Vaux, e mais doze instalações menores.
A capacidade de resistência dos fortes era diferenciada, pois enquanto alguns deles foram reforçados para resistir à artilharia pesada, outros não receberam a mesma atenção.
Para piorar, o comandante francês, General Joffre, não confiava mais na resistência de seus fortes, considerando que a artilharia alemã conseguira destruir construções semelhantes na Bélgica.
Assim, as guarnições de armamentos destas instalações foram reduzidos ao mínimo e algumas delas, como Douaumont e Vaux, estavam até selecionadas para demolição!
Do lado alemão, o novo comandante, Erich von Falkenhayn, com base em informes de seus serviços de inteligência, calculava que a perda de homens obrigaria a França a sair da guerra em 1916.
Nos cálculos alemães, “...a França teria 400 mil soldados a menos [...] em 1916 do que em 1914, e teria de enfrentar uma crise de quantidade de tropas em setembro de 1916 se suas perdas no próximo ano continuassem no ritmo de 1914 e 1915.1.
Assim, e considerando que as linhas de abastecimento francesas eram bem mais precárias do que as alemãs, Falkenhayn escolheu Verdun para um ataque que fosse desgastando ainda mais o efetivo de tropas francesas atraídas para defender uma cidade de alto poder simbólico.
Falkenhayn esperava apressar a saída francesa da guerra por falta de tropas. Mas ele estava muito enganado...
O plano de batalha previa um devastador ataque de artilharia pesada, seguido do avanço da infantaria sobre as defesas francesas que, acreditava-se, estariam destroçadas.
Em 21/02/1916 o ataque começou e foi, de fato, devastador. Os alemães utilizaram “...mais de 800 canhões pesados, quase 400 canhões leves e 200 morteiros martelando um setor da frente de apenas 16 km de largura, antes do avanço inicial de dez divisões de infantaria.2.
As trincheiras francesas, seus postos de metralhadoras e linhas de comunicação estavam pulverizados e os alemães avançaram com lança-chamas, espingardas e granadas.
Apesar disso, os soldados franceses sobreviventes resistiram bravamente e o avanço alemão era de apenas 5 quilômetros em 22/02, tomando Bois des Caures. Na sequência tomaram Haumont e foram repelidos em Bois de l'Herbebois.
No dia 24/02 se iniciou o assalto alemão ao Forte Douaumont, que foi tomado no dia seguinte. Esse movimento, contudo, colocou os alemães na mira da artilharia francesa.
Esse avanço, portanto, se deu ao custo de pesadas baixas pois, se os franceses perderam 24 mil homens, sendo, porém, 15 mil prisioneiros, “...dentro dos primeiros dez dias, os alemães perderam 26 mil.3.
Ao contrário do esperado, a linha de abastecimento dos franceses não foi interrompida e o General Joffre introduziu um rodízio de tropas na linha de frente, substituindo os soldados extenuados por outros, descansados.
O abastecimento, feito pela Voie Sacrée (Via Sacra), movimentava “...diariamente 3000 caminhões com uma carga de 4000 toneladas de apetrechos e 20000 homens.4.
No início de junto o Forte Vaux foi tomado e, depois, os alemães quase conseguiram romper a linha de defesa francesa. Esse movimento terminou junto ao Forte Souville.
O caminho para Verdun passava pela tomada de Souville, já bastante castigado pela artilharia, mas ainda defendido pelos franceses. Os ataques com gás fosgênio não produziram o resultado esperado, pois os soldados tinham máscaras.
O ataque devastador dos canhões permitiu o avanço alemão, contudo a resposta da artilharia francesa dizimou grande parte dos soldados invasores que foram obrigados a recuar.
Este foi o dia 12/07/1916 e os alemães haviam atingido o ponto mais próximo que conseguiriam chegar de seu objetivo.
A partir dali, ataques de russos e britânicos em outros locais impediram o exército alemão de ficar focado apenas nos franceses. As perdas eram equivalentes e a França não parecia à beira do colapso como Falkenhayn previra.
O comandante alemão “...se resignou em suspender o ataque, pois se esperava uma ofensiva francesa no Somme: reduziu, pois, os efetivos que havia alinhado frente a Verdun.5. Em 02/09, com o comando geral passando para os generais “...Hindenburg e Ludendorff, os ataques alemães terminaram.6.



No mês seguinte foi a vez contra-ataque francês. Utilizando a tática de enviar soldados pouco atrás de onde caiam as bombas da própria artilharia, os franceses avançavam antes que os alemães pudessem reagir.
Para retomar o Forte Douaumont foram disparados mais de 600 mil tiros de canhão de diversos calibres, inclusive alguns pesando 900 kg. A fortificação foi retomada em 24/10. Em 02/11 foi a vez do Forte Vaux. Em Dezembro os alemães haviam sido empurrados de volta ao ponto da partida. Verdun estava salva. Destruída, mas salva.
A posição alemã, depois de quase um ano de batalha, mostra a estupidez da guerra. Para não conseguir avançar um mísero quilômetro, os combates “...geraram 377 mil baixas francesas contra 337 mil alemãs. Oficialmente, os franceses reconheceram 162 mil mortes e os alemães, 82 mil, sendo provável que esta última cifra seja subestimada.7.


1SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 270.
2Ibid. pg. 271.
3Ibid. pg. 271.
4PIMLOTT, John. A Primeira Guerra Mundial. Bogotá, Colômbia: Editora Norma. pg. 19. Tradução livre.
5RENOUVIN, Pierra. La Primera Guerra Mundial. Em língua espanhola. Trad. Jordi García Jacas. Barcelona-Espanha, Editora Montserrat, 1990. pg. 20. Tradução Livre.
6SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 273.
7Ibid. pg. 274. 

UM DOS MOMENTOS MAIS TOCANTES DA HISTÓRIA
Neste ano da graça do Senhor de 2016 o início da I Guerra Mundial, ou Grande Guerra, completou 102 anos e, com isso, completam-se 102 anos também de um dos momentos mais tocantes da História, a nosso ver. É um evento que me toca profundamente, ao ponto das lágrimas, se me permitem um toque pessoal.
Em Dezembro de 1914 um grande número de soldados da frente de batalha deixou suas armas de lado, saiu das trincheiras e confraternizou com os inimigos, trocaram presentes, cantaram juntos, assistiram missas e jogaram futebol. Nunca, desde o início do calendário que temos hoje, o tão falado “Espírito do Natal” foi tão real e tão presente.
Naquele ano, após atravessar a Bélgica, os alemães invadiram a França chegando aos arredores de Paris, onde foram rechaçados na Primeira Batalha do Marne, em setembro.
Com o recuo alemão até o Vale do Aisne e o fracasso aliado em fazê-los recuar mais, começou a construção de linhas de defesa que levou o conflito à fase da Guerra de Trincheiras.
Com a chegada de Dezembro, algumas iniciativas de Cessar-Fogo para o Natal foram adotadas, mas sem sucesso, com destaque para o pedido do Papa Bento XV, de que as armas calassem diante do canto dos anjos. Os governantes e generais não estavam a fim de ouvir anjos cantando, a menos que fossem os hinos de seus países.
Mas, se os grandes esqueceram da noite estabelecida (erradamente) como a do nascimento de Jesus, o mesmo não se pode dizer dos pequenos. Muitos soldados ignoraram as ordens, a paz reinou, as armas se calaram e os anjos puderam cantar em muitos pontos da frente. E como cantaram de forma maravilhosa!
Na noite de 24/12/1914, na região de Ypre, na Bélgica, os alemães enfeitaram suas trincheiras com velas e árvores de Natal, iniciando a celebração com cânticos natalinos. Do outro lado os britânicos cantaram em resposta e não demorou muito para que estivessem atravessando a Terra de Ninguém (espaço entre as trincheiras dos dois lados).
Sob o silêncio das artilharias os inimigos trocaram fumo, bebida, comida e lembranças. Os mortos foram enterrados em funerais que contavam com soldados dos dois lados.
A Wikipedia traz o relato de um desses soldados. O britânico de nome Bruce Bairnsfather nos conta da própria troca de souvenires com um oficial alemão e do corte de cabelo de um alemão (que ele chama de Boche) por um inglês:
Eu não perderia aquele único e estranho dia de Natal por nada deste mundo... encontrei um oficial alemão, um tenente penso eu, e sendo um colecionador, disse a ele que havia gostado de alguns de seus botões. Eu trouxe meu cortador de arame, retirei um par de botões e coloquei-os no bolso. Então eu lhe dei dois dos meus em troca... depois reparei num dos meus artilheiros, que era cabeleireiro amador na vida civil, a cortar o cabelo bastante longo de um boche dócil, que estava pacientemente ajoelhado no chão, enquanto a máquina de corte deslizava em volta de seu pescoço.1
A duração da trégua variou. Em alguns lugares se encerrou depois do Natal mas, em outros, foi até o Ano Novo. Sabe-se, porém, que um dos alemães presentes em Ypre foi contra a confraternização.
Era um cabo que recebera recentemente a Cruz de Ferro de segunda classe, por bravura. Servia como um dos mensageiros da 16ª Reserva Bávara de Infantaria. Seu nome era Adolf Hitler.
Frelinghien - Fronteira França-Bélgica. Atrás dos galpões, a área onde ocorreu o encontro dos soldados.
Nos anos seguintes a quantidade de tréguas e confraternização entre soldados inimigos diminuiu bastante, por conta da repressão dos oficiais mas, sobretudo, porque a desumanidade dos combates foi endurecendo os corações dos soldados.
Apesar disso, elas ainda ocorreram. Sobre o Natal de 1915 temos o relato do alemão Richard Schirrmann, escrevendo na região dos Vosges:
Quando os sinos de Natal soaram nas aldeias do Vosges atrás das linhas... aconteceu uma coisa nada militar. As tropas tropas alemãs e francesas fizeram espontaneamente as pazes e cessaram as hostilidade; eles se visitaram uns aos outros através de túneis de trincheira em desuso, trocaram vinho, conhaque, cigarros, pão-preto da Vestefália, biscoitos e presunto. Eles permaneceram bons amigos mesmo depois do Natal.2
E sobre o Natal de 1916 temos as palavras de Ronald MacKinnon, que estava em Vimy Ridge:
Eu tive um bom Natal, considerando que eu estava na linha de frente. A véspera de Natal foi muito dura, serviço de sentinela até os quadris na lama, claro .... Tivemos uma trégua no dia de Natal e os alemães foram bastante amigáveis. Eles vieram para nos ver e nós trocamos corned-beef por charutos.3
Há quem diga que tais confraternizações não ocorreram na II Guerra Mundial. Mas temos conhecimento de pelo menos um acontecimento semelhante, ocorrido na região das Ardenas, durante a Batalha do Bulge.
Elisabeth Vincken, e seu filho Fritz, de 12 anos, cuja casa (Aachen – Alemanha) fora destruída por uma bomba, refugiam-se em sua cabana de caça, na Floresta das Ardenas.
Eles abrigam um grupo de soldados americanos, que traziam um companheiro ferido quando um grupo de soldados alemães chega. A hostilidade inicial é contida por Elisabeth Vincken e todos celebram o Natal em conjunto.
Fritz Vincken (à direita) reencontra um dos militares americanos que cearam com ele e sua mãe em 1944.
Fritz Vincken disse, em entrevista, que jamais esqueceu daquela noite na qual a força interior de sua mãe impediu um potencial derramamento de sangue. Recordando aquele momento especial ele diz que:
Agora e depois, em uma clara noite de inverno tropical, eu olho para o céu, para a brilhante Sirius, e parece que sempre nos cumprimentamos como velhos amigos. Então, infalivelmente, lembro-me (de minha) mãe e esses sete jovens soldados, que se reuniram como inimigos e se separaram como amigos, bem no meio da batalha do Bulge.4
Apesar da incorreção histórica, a humanidade escolheu celebrar o nascimento de Jesus nesta data de 24 para 25/12. Por isso o Reino de Clio envia a todos os seus leitores uma reflexão:
A humanidade precisa, urgentemente, reavivar o Espírito do Natal, que foi tão presente nas trincheiras de Ypre, 100 anos atrás. Fazemos votos que todos os nossos leitores possam, nesta noite que deve ser de reflexão, pensar no aniversariante e no “presente” que Lhe pode ser dado: viver de acordo com Sua mensagem: Amar ao próximo como a si mesmo!
Feliz Natal a todos!
Marcello Eduardo
Cruz marca o local, próximo a Ypres, onde ocorreu um jogo de futebol entre os soldados inimigos.


1 http://pt.wikipedia.org/wiki/Tr%C3%A9gua_de_Natal
2 Idem
3 Idem
4 http://ba-ez.org/educatn/LC/OralHist/vincken.htm

Imagens:
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Christmas_Truce_1914_IWM_HU_35801.jpg
http://ba-ez.org/educatn/LC/OralHist/vincken.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Christmas_Truce_1914.png
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Khaki-chums-xmas-truce-1914-1999.redvers.jpg
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Illustrated_London_News_-_Christmas_Truce_1914.jpg
http://www.vets-cars.com/20141209-100th-anniversary-christmas-truce/
http://chuto.pt/a-tregua-de-natal-de-1914/
https://forum.ableton.com/viewtopic.php?f=40&t=200541
http://www.mercattoursinternational.com/christmas-truce-centenary.asp


A 1ª BATALHA DE YPRE - FLANDRES
Em 19/10/1914, começava a Primeira Batalha de Ypre-Flandres na Grande Guerra.
Depois da Primeira Batalha do Marne e após o estabelecimento da frente do Rio Aisne, os exércitos inimigos tinham um vasto território para avançar e tentar cercar o adversário.
Ambos os lados realizaram tentativas de envolvimento que ficaram conhecidas como Corrida para o Mar. Os resultados dessas manobras foram fracassos que faziam a rede de trincheiras ir aumentando até que chegou a Nieuport, no litoral da Bélgica, na saída do Estreito de Dover, entrada do Mar do Norte. Neste setor ocorreu a Primeira Batalha de Ypre, que foi o último grande combate de 1914.
Ypre é uma cidade belga próxima à fronteira com a França, a Leste de onde passou a linha de trincheiras dos franceses, ingleses e belgas que barravam a passagem aos alemães.
Para este local convergiram o IV Exército de Campanha alemão, sob comando do Marechal-de-Campo Albrecht, Duque de Württemberg, e o VI Exército Alemão, sob as ordens do Príncipe Rupprecht da Baviera. Ambas as forças eram formadas, majoritariamente, por soldados ainda sem experiência de combate e, portanto, ansiosos por entrar em ação.

Trincheira da batalha preservada.
O plano do Alto Comando Alemão era romper a linha dos inimigos e ao IV Exército, que estava posicionado na ala direita da linha alemã, mais perto do litoral, cabia a função principal, enquanto o VI Exército, que estava à esquerda, deveria realizar um ataque que atraísse parte das forças adversárias, facilitando o avanço do IV Exército.
Do lado adversário, posicionado ao longo do Rio Yser, a Força Expedicionária Britânica estava posicionada ao Sul, na ala direita da linha defensiva, os franceses ocupavam o centro e os belgas estavam ao Norte, na ala esquerda, mais perto do litoral e na área onde deveria vir o grosso do ataque alemão.
O Rio Yser na atualidade
O avanço germânico começou em 20/10/1914 com o IV Exército atacando em direção a Diksmuide, Houthulst, PoelKapelle, Passchendaele e Becelaere, objetivos que custaram grandes baixas.
Os belgas sofreram terrivelmente com o ataque da artilharia alemã e teriam cedido passagem se não fossem a ordem de inundar a região tornando-a intransponível.
Em 21/10 o avanço prosseguiu em direção a Langemark e Broodseinde. Apesar dos devastadores ataques de artilharia, os alemães não tiveram êxito, pois os aliados resistiram e montaram um contra-ataque que deteve os alemães no dia seguinte.

Langemark em Outubro de 1914

Por seu lado, o VI Exército atacou as forças britânicas em direção a Ypre. Os alemães conseguiram romper a linha em 31/10 e tomar a vila de Gheluvelt, mas o contra-ataque inglês fechou a brecha e retomou o lugar.
A cidade em si foi devastada pois “...em pouco tempo, a artilharia alemã destruiu completamente a cidade de Ypres atrás das linhas Aliadas.[1]

No alto, Diksmuide em 1914 e atualmente (à direita - Monumento Ijzerdjik – Google Street View). Abaixo, à esquerda, Ypres em 1914 e atualmente (à direita - Catedral – Google Street View).

A batalha se estendeu até 22/11 quando, apesar dos reforços de infantaria recebidos, por conta, em parte, da escassez de munição de artilharia, os alemães desistiram da ofensiva e estabeleceram uma linha de trincheiras.
1914 se aproximava do fim, mas ainda registraria um dos momentos mais lindos da História.
http://clevelode-battletours.com/the-first-world-war/belgium-in-the-first-world-war/#lightbox[auto_group1]/7/




[1]    SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 106.


A PRIMEIRA BATALHA DO MARNE[1]
A invasão alemã da França encontrou as forças francesas, sob comando do General Joseph Joffre[2], despreparadas, pois “...mantiveram suas próprias reservas fora das linhas de frente e supuseram que os alemães fariam o mesmo...[3] e, ainda, estimaram erradamente de onde viria a invasão.
O exército alemão, comandado por Helmuth von Moltke[4], mobilizou 34 divisões e os franceses esperavam apenas 26. Quando os alemães vieram atravessando a Bélgica, apenas 8 divisões foram por onde os franceses esperavam que passassem todas. Mais de vinte dessas divisões entraram por onde a França não esperava a vinda de nenhuma![5]

O resultado foi uma avalanche de alemães sobre a França e “...os exércitos franceses sofreram um total de 260 mil baixas, incluindo 75 mil mortos; 27 mil morreram num único dia, 22 de agosto...[6].
O futuro historiador Marc Bloch, então sargento do exército francês, conta a experiência do recuo a que foram obrigados:
No caminho, vimos pessoas abandonando às pressas seu vilarejo. Homens, mulheres, crianças, móveis, trouxas de roupas de cama e mesa [...] amontoados em carroças. Esses camponeses franceses fugindo diante de um inimigo contra o qual não tínhamos como protegê-los deixavam uma impressão amarga.[7]
A iminência da catástrofe fez com que o General Joffre mobilizasse a reserva:
O 6° Exército [...] posicionou-se ao norte de Paris, junto ao rio Ourcq, ao passo que o 9° Exército postou-se ao sul do Marne, entre o 4° e o 5° Exércitos, sendo suplementado por tropas deslocadas da fronteira alsaciana... [8]
Então foi a vez de os alemães subestimarem os adversários. Otimista com o avanço inicial fulminante, Moltke desviou onze divisões para a Bélgica e a Prússia, desfalcando seus exércitos de quase um terço de suas forças.
Apesar disso, Moltke ordenou um avanço que rompesse a linha francesa entre Paris e o Rio Marne. Essa estratégia foi contestada pelo Gal. Alexander von Kluck, líder do 1º Exército, preocupado com o flanco de suas forças que seria exposto às tropas posicionadas no Rio Marne.
Mas, como ordem dada é ordem cumprida, o avanço aconteceu como Moltke queria e o flanco foi atacado como Kluck previa.
A despeito disso, quando a Primeira Batalha do Marne finalmente começou em 05/09/1914, os alemães já haviam avançado com seus 1º e 2º exércitos em direção a Paris e quase chegaram lá.
Mas o abastecimento das tropas estava muito dificultado, pois as linhas de trem que vinham da Alemanha tinham ficado a mais de 100km de distância “...e sua cadeia de suprimentos agora dependia esmagadoramente de carroças puxadas a cavalo, porque mais da metade dos quatro mil caminhões do exército tinha quebrado.[9].
Para complicar, o avanço do 1º Exército foi mais rápido, abrindo uma brecha de 50km de distância para o 2º Exército, este sob o comando do General Karl von Bülow.


Se Bülow tivesse apoiado o avanço de Kluck, eles teriam tido sucesso, pois as tropas francesas demoraram a fazer os movimentos corretos e as tropas britânicas ainda não haviam chegado àquela frente de combate.
Há controvérsias sobre os motivos da derrota. É certo que havia falhas na comunicação entre os exércitos alemães. Bülow teria recuado suas forças sem comunicar Kluck e Moltke, ou, Kluck teria desviado de Paris para socorrer Bülow, com aval de Moltke, cuja estratégia mudara novamente, como mostra a seguinte ordem:
A intenção do Comando Supremo é de rechaçar os franceses, rumando na direção sudeste, cortando-os de Paris […] é preciso agarrá-los antes que possam parar, fortalecer-se e se reorganizar. Nos ocuparemos de Paris em seguida.[10]
O certo é que, quando informado do desvio alemão, o General Joffre deslocou tropas para atacar o flanco esquerdo de Kluck. Isso ocorreu em 05/09/1914, marcando o início da batalha em si.
Os movimentos das forças de Kluck, primeiro tentanto escapar e depois tentanto envolver os franceses enviados contra si abriram uma brecha entre ele e o 2º Exército. A chamada linha do Petit-Morin era “...conservada por uma simples cortina de cavalaria que podia ser facilmente arrasada...[11]. 
Quando franceses e ingleses conseguiram romper essa brecha em 09/09 e penetrar entre os dois exércitos alemães, estes foram obrigados a recuar. Em 10/09 a frente alemã estava cedendo e recuando.

Acima, zona rural perto de Paris, área da brecha entre o 1º e o 2º Exércitos Alemães. Abaixo o Rio Marne, na mesma área. Google Street View.

Os franco-britânicos, porém, não conseguiram executar uma perseguição efetiva pois “...a infantaria e a cavalaria acusam o esforço que efetuaram sem trégua desde a batalha das fronteiras e na artilharia escasseiam as munições.[12].
Quando tropas alemãs vindas de Lorena e Maubeuge chegaram à região, os franco-britânicos foram detidos às margens do Rio Aisne onde os alemães em recuo estabeleceram uma linha defensiva.

Ponte sobre o Rio Aisne. Na margem oposta a região da linha defensiva alemã. Google Street View.


Em 12/09/1914 terminava a Primeira Batalha do Marne. Os combates envolveram 1.071.000 franceses e britânicos contra 1.485.000  alemães, resultando em “...250 mil baixas francesas (80 mil mortos) e 13 mil baixas britânicas (1.300 mortos). Do lado alemão houve 250 mil baixas (55 mil mortos).[13]
Na nova frente estabelecida começava o processo de escavação de trincheiras que faria a guerra entrar em uma nova fase. Moltke sofreu um colapso nervoso e foi substituído por Erich von Falkenhayn. Outros 33 generais foram destituídos.



[1]       O Marne ou, na sua forma portuguesa, Marna1 é um rio francês, com cerca de 525 km, e é um dos principais afluentes do rio Sena.

        CONTEÚDO ABERTO acessado em 28/05/2015 em:    http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Marne

[2]       Joseph Jacques Césaire Joffre (12 de janeiro de 1852 — 3 de janeiro de 1931) foi um general e Marechal francês. Comandou o exército francês na Primeira Guerra Mundial, durante os anos de 1914 a 1916. Tornou-se conhecido principalmente pela retirada do Exército Aliado e pela derrota alemã na Primeira batalha do Marne em 1914.
        CONTEÚDO ABERTO : http://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Joffre

[3]       SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 94.

[4]       Helmuth Johannes Ludwig von Moltke (Gersdorf, 25 de maio de 1848 — Berlim, 18 de junho de 1916), também conhecido como Moltke O Jovem, foi um sobrinho do Generalfeldmarschall Helmuth von Moltke que serviu como chefe de Estado-Maior alemão entre 1906 e 1914.
        CONTEÚDO ABERTO acessado em 28/05/2015 em:
        http://pt.wikipedia.org/wiki/Helmuth_Johannes_Ludwig_von_Moltke

[5]       SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 94.

[6]       SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 97.

[7]       Marc Bloch, Memoirs of War, 1914-1915 , trad. Carole Fink, reimpressão (Cambridge University Press, 1991). Mencionado em:
        SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 98.

[8]       SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 98.

[9]       SONDHAUS, Lawrence. A Primeira Guerra Mundial – História Completa. Trad. Roberto Cataldo. Editora Contexto, 2011. pg. 103.

[10]     ALTMAN, Max. Batalha do Marne impediu invasão rápida da França pelos alemães na Primeira Guerra Mundial. Ópera Mundi – Revista Samuel, 2014. Acesso: 27/05/2015
        http://operamundi.uol.com.br/conteudo/samuel/38842/batalha+do+marne+impediu+invasao+rapida+da+franca+pelos+alemaes+na+primeira+guerra+mundial.shtml.

[11]     RENOUVIN, Pierra. La Primera Guerra Mundial. Em língua espanhola. Trad. Jordi García Jacas. Barcelona-Espanha, Editora Montserrat, 1990. pg. 14. Tradução Livre.

[12]     RENOUVIN, Pierra. La Primera Guerra Mundial. Em língua espanhola. Trad. Jordi García Jacas. Barcelona-Espanha, Editora Montserrat, 1990. pg. 14. Tradução Livre.


[13]     ALTMAN, Max. Batalha do Marne impediu invasão rápida da França pelos alemães na Primeira Guerra Mundial. Ópera Mundi – Revista Samuel, 2014. Acesso: 27/05/2015

        http://operamundi.uol.com.br/conteudo/samuel/38842/batalha+do+marne+impediu+invasao+rapida+da+franca+pelos+alemaes+na+primeira+guerra+mundial.shtml.

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