Total de visualizações de página

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

APARTHEID



http://www.babelio.com/liste/1327/Lapartheid

Iniciamos mais uma minissérie no Reino de Clio! Estes textos, inspirados em um seminário apresentado para a disciplina História da África I na UFS, tratam de um tema triste mas muito empolgante: o Apartheid.
É triste pois relembra um dos regimes mais lastimáveis que a História registrou, mas é empolgante pois nos permite escrever sobre uma das figuras mais simpáticas de que se tem notícia: Nelson Mandela!
  
Convidamos você, caro leitor, a acompanhar esta nova série e a se emocionar conosco neste quadro de queda e ascensão do ser humano.
E rendemos homenagens ainda aos amigos que estiveram conosco na pesquisa e apresentação do seminário que agora transformamos em texto: Carla Oliveira, Gérson Costa e Juliana Almeida.
Vamos, pois, à África do Sul!

HISTÓRIA DA REPÚBLICA DA ÁFRICA DO SUL
A África do Sul tem limites com Namíbia, Botsuana e Zimbábue ao Norte, Moçambique e Suazilândia a Leste e é banhada pelos oceânos Atlântico e Índico, ao Sul e Oeste.
Possui, dentro de seu território, um enclave, o território livre do Reino de Lesoto, algo como a Cidade do Vaticano, dentro de Roma.
O Inglês é a língua utilizada no serviço público oficial e no comércio, mas é apenas a quinta língua mais falada no país, que possui nove línguas Bantu reconhecidas.
Mapa do país - as três capitais destacadas nos círculos vermelhos.
Vista aérea da lindíssima Cidade do Cabo

A África do Sul possui três capitais, uma para cada um dos poderes constituídos: Pretória, que abriga o Poder Executivo, a Cidade do Cabo, do Poder Legislativo, e Bloemfontein, com o Poder Judiciário.
Descobertas arqueológicas como os fósseis de três milhões de anos da caverna de Sterkenfontein mostram uma das mais antigas áreas de ocupação hominídea do planeta.


A INVASÃO BRANCA
Os europeus tomaram contato com a região em 1487, quando o navegador português Bartolomeu Dias contornou o Cabo da Boa Esperança1 

Ponto estratégico na rota comercial para as Índias e habitada por diversos grupos negros (bosquímanos, khoi, xhosas, zulus, etc), a região recebeu imigrantes holandeses, franceses e alemães no século XVII. 

Esses colonos brancos – chamados bôeres ou africânderes – se fixaram na região e desenvolveram uma língua própria, o africâner. 

Em 1806, os ingleses tomaram a Cidade do Cabo e lutaram contra negros e bôeres. Os choques levaram os bôeres a emigrar maciçamente para o Nordeste (a Grande Jornada de 1836), onde fundaram duas repúblicas, o Transvaal e Estado Livre de Orange.2
2
A entrada dos britânicos no Transvaal provocou tensões e resultou na Guerra dos Bôeres.3 

O conflito durou de 1880 a 1902 e comportou duas guerras, a Primeira Guerra dos Bôeres (16 de Dezembro de 1880 e 23 de Março de 1881) e a Segunda Guerra dos Bôeres (11 de outubro de 1899 a 31 de maio de 1902). 

Na primeira guerra os Bôeres se revoltaram contra a anexação britânica do Transvaal e conseguiram transformá-la de colônia para protetorado.4
4
Soldados Bôeres em batalha
http://www.boerwararchive.com/
Na segunda guerra os Bôeres também levaram vantagem inicial, conseguindo invadir a colônia do Cabo, sitiar cidades importantes e anexar territórios ingleses. 

Em 1902, porém, o contrataque inglês, superior em homens e armamentos, resultou na derrota dos Bôeres.5.
Assinaturas originais e ilustração do Tratado de Paz de Vereeniging
http://voiceseducation.org/content/treaty-vereeniging
.
Com a Paz de Vereeniging (1902), as repúblicas bôeres foram incorporadas ao Reino Unido e, mais tarde, em 1910, juntaram-se às colônias do Cabo e Natal para constituir a União Sulafricana, um país, membro da Comunidade Britânica.6

Com a paz estabelecida entre os brancos, o inimigo agora era visto na figura dos negros, que eram a maioria da população. Logo, medidas seriam tomadas para controlar essa maioria por meio da opressão. 

COMEÇA A SEGREGAÇÃO7 
Os africâneres fundaram um partido político, o Partido Reunido Nacional, com o qual disputaram o poder político com os ingleses, e chegaram ao poder em 1910, através da eleição de Louis Botha como Primeiro Ministro.8
Foi no governo Botha que foram promulgadas as primeiras leis de segregação racial, como por exemplo "a proibição de os não brancos quebrarem um contrato de trabalho e de se tornarem membros da Igreja Reformada Holandesa”.
General Louis Botha 1º Primeiro Ministro da África do Sul
http://www.hartford.co.za/news/2010/5/31/happy-birthday-south-africa.html
Em 1913 os negros foram impedidos de comprar terras fora das reservas indígenas. Ainda em 1913, com a promulgação da Lei de terras Nativas, o território do país foi dividido entre as raças. 
Os negros, que representavam quase 70% da população, ficaram confinados a 7,5% das terras, só podendo viver fora dessa área quando fossem empregados de algum patrão branco. já os brancos, que eram pouco mais de 20%, ficaram com 92,5% das terras do país.
A política de segregação racial do Apartheid (separação, em africâner) foi oficializada em 1948, com a chegada ao poder do Partido Nacional (união do Partido Reunido Nacional com o Partido Afrikaner, ambos racistas), que dominou a política por mais de 40 anos.
Continua...




A “LEGISLAÇÃO” DO APARTHEID10
O regime segregacionista foi baseado em centenas de leis que partiam do pensamento de que era necessário impedir a integração das raças como forma de proteção à raça branca e a manutenção de cada raça em seu espaço.
Vejamos alguns dos principais conjuntos dessas leis, que sustentavam a segregação sulafricana:

Lei de Proibição dos Casamentos Mistos – 1949: como o nome já diz, proibiu o casamento interracial;

Lei da Imoralidade – 1950: tornou crime a relação sexual interracial;

Lei de Registro Populacional – 1950: “formalizou a divisão racial através da introdução de um cartão de identidade para todas as pessoas com idade superior a dezoito anos, especificando a qual grupo racial cada uma delas pertencia.”;

Lei de Áreas de Agrupamento – 1950: impediu a convivência de raças em um mesmo local das cidades, determinando áreas nas quais cada raça poderia morar;

Lei de Supressão ao Comunismo – 1950: que extinguiu o Partido Comunista Sul Africano e que, na prática, permitiu ao governo perseguir qualquer um que fizesse oposição, bastando que fosse taxado de comunista;

Lei de Reserva dos Benefícios Sociais – 1953: segregou os espaços públicos, determinando quais locais poderiam ser utilizados por cada raça, medida que levou a separação desde hospitais até bancos de praça e os serviços públicos, que caiam de qualidade conforme a raça que deles fazia uso;

Lei de Educação Bantu – 1953: “criou um sistema educacional separado para os estudantes negros, projetado para preparar os jovens negros para passarem o resto da vida como trabalhadores braçais.”;



Tal estado inacreditável de segregação não poderia deixar de gerar oposição e ela tomou forma já na década de 50, quando o Congresso Nacional Africano (CNA), organização política criada em 1912, lançou uma campanha de desobediência civil. Começava a resistência...


Campanha do Desafio - 1952
https://edu.hstry.co/timeline/apartheid-in-south-africa-cb79

A RESISTÊNCIA – AÇÕES E REAÇÕES11
O domínio branco na África do Sul já era alvo de oposição por parte dos negros desde 1911, um ano após a fundação do país em 1910. 

Congresso Nacional Africano (CNA), fundado em 08/01/1912, nasceu como um movimento denominado “Congresso Nacional dos Nativos Sul-africanos (South African Native National Congress ou SANNC).” e seu objetivo inicial era “...defender maiores liberdades civis, assim como, o fim das penas injustas contra a população negra do país.12
Fundadores do CNA em 1914
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:South_African_Native_National_Congress_1914.jpg

Mas, o recrudescimento da segregação não poderia deixar de gerar uma oposição mais forte e ela tomou forma já na década de 50, quando o CNA lançou uma campanha de desobediência civil.


A chamada Campanha do Desafio, organizada em 1952, promoveu a desobediência com a finalidade de provocar prisões que lotassem as cadeias sulafricanas.

Porém, apenas 8.500 pessoas foram presas, mesmo assim, em 1960 “o então líder do CNA Albert Lutuli recebeu o Prêmio Nobel da Paz como chefe do movimento de resistência pacífica ao regime de apartheid.

Neste mesmo ano, a polícia matou 69 e feriu 180 negros que participavam de uma manifestação em Sharpeville, favela situada a 80 quilômetros de Johanesburgo.

O comandante da operação, Coronel J. Pienaar, declarou que sua delegacia foi cercada e que: “Meu carro foi acertado com uma pedra. Se fazem essas coisas, eles devem aprender a lição do modo difícil".
.
http://www.actsa.org/newsroom/2016/03/south-africa-marks-56th-anniversary-of-the-sharpeville-massacre-on-human-rights-day/
https://edu.hstry.co/timeline/apartheid-in-south-africa-cb79

O Massacre de Sharpeville – como se tornou conhecido – provocou protestos no país e no exterior tendo como consequência um boicote econômico contra o país promovido pela ONU.
Em 1962 a ONU aprovou a Resolução 1761, que incentivava o isolamento do país com o fim das relações militares e econômicas das demais nações com a África do Sul.
Mas os países dispostos a furar esse bloqueio e as riquezas naturais da África do Sul permitiam ao regime racista resistir com poucos contratempos a essa medida.
A reação do governo racista foi transformar o país em uma República, retirando a África do Sul da Comunidade Britânica. Várias organizações negras, inclusive o CNA, foram declaradas ilegais.

Pelo lado dos negros, o novo líder do CNA reconheceu a ineficácia da resistência pacífica e criou o “Umkhonto we Sizwe ("Lanceiro da Nação"), ala militar do CNA.” que promoveu ataques com bombas a prédios do governo mas que pouca ameaça representou diante da força do regime. O nome deste líder era Nelson Mandela.
.
Continua...
Se perder alguma parte desta série, clique aqui e no texto correspondente.
Compre nosso livro CAMINHOS DO IMPERADOR - D. Pedro II em Sergipe clicando aqui.
Para ler outras mini-séries do Reino de Clio, clique aqui.
Para acompanhar nossa série sobre o Egito Antigo, clique aqui.
Para conhecer nossa seção de História Geral, clique aqui.
Para conhecer nossa seção de História do Brasil, clique aqui.
Para fazer visitas virtuais a alguns dos mais importantes museus do país, clique aqui.
Para conhecer a Revista Reino de Clio, clique aqui.
Conheça e curta nossa página no Facebook, clicando aqui.
1https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81frica_do_Sul
2Ibid
3https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_B%C3%B4eres
4https://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Guerra_dos_B%C3%B4eres
5https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_dos_B%C3%B4eres
6https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_de_Vereeniging
7https://pt.wikipedia.org/wiki/Apartheid
8https://pt.wikipedia.org/wiki/Louis_Botha
9Ibid
10https://pt.wikipedia.org/wiki/Apartheid


SEGUNDO CONCÍLIO DE NICEIA



24 DE SETEMBRO
COMEÇA O II CONCÍLIO DE NICEIA
O Segundo Concílio de Niceia (atual Iznik - Turquia), que começou em 24 de setembro de 787 d.C. e terminou em 23 de outubro do mesmo ano, foi o 7º Concílio Ecumênico da Igreja Cristã.
Concílios Ecumênicos eram ocasiões em que se reuniam todos os bispos da igreja para discutir e decidir questões relativas à doutrina e à disciplina dentro da igreja.
No caso em tela, o encontro foi convocado por uma questão doutrinária: discutir e abolir ou não a proibição da adoração de imagens de santos.
A adoração de ícones tinha sido proibida a partir do Concílio de Hieria (realizado em 754 d.C. em Hieria, a atual Fenerbahçe-Turquia) e da ação dos Imperadores Leão III, Constantino V e Leão IV.
A destruição de imagens por Leão III
Mas o Concílio de Hieria não contara com a participação dos bispos do Ocidente e nem de qualquer patriarca, de modo que não foi aceito e desqualificado trinta anos depois, quando Tarásio, Patriarca de Constantinopla, assumiu seu posto e demonstrou interesse em uma reaproximação com a Igreja do Ocidente.
A igreja onde foi realizado o Concílio
A convocação do Concílio ocorreu após a morte de Leão IV pois sua esposa, Irene, tornou-se regente por conta da pouca idade do herdeiro do trono, Constantino VI. Irene desejava a volta da adoração de imagens.
Tarásio, com apoio de Irene, convocou o concílio que contaria com a presença do Papa Adriano I.
O encontro começou em Constantinopla, mas distúrbios fizeram com que fosse transferido para Niceia. Ao final, a adoração de imagens foi restabelecida.
Interior da igreja em Niceia-Iznik

O Segundo Concílio de Niceia contou com a participação de 350 pessoas, sendo 308 bispos ou seus representantes. Na cidade ocorreram sete seções e o fragilíssimo embasamento bíblico da decisão de permitir a adoração de imagens foi dado “...a partir das passagens bíblicas de Êxodo 25:19, Números 7:89, Hebreus 9:5, Ezequiel 41:18 e Gênesis 31:34.”


Fontes e Imagens:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Segundo_Conc%C3%ADlio_de_Niceia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Conc%C3%ADlio_de_Hieria
https://en.wikipedia.org/wiki/Second_Council_of_Nicaea

BATALHA DE MARATONA



22 DE SETEMBRO

A BATALHA DE MARATONA
Antecedentes

Entre os anos de 500 e 494 a.C., as cidades de Atenas e Erétria apoiaram Mileto, cidade de origem grega da Ásia Menor[1], em sua revolta contra os persas.

Essa e outras cidades de origem grega da Ásia Menor “...há muito submetidas à Pérsia, eram igualmente os celeiros tanto das cidades jônicas como das do território central grego.[2]

Mas as relações entre os gregos e persas eram relativamente pacíficas até então. Quando partiu para conquista da Trácia, por exemplo, Dario I contou com apoio de uma grande frota naval grega, que “...navegou da Jônia até a foz do Ister (atual Danúbio).[3]

O confronto aconteceu por causas variadas. Uma delas teria sido o ressentimento dos gregos pelo domínio persa, apesar de que “Os costumes, as crenças e as próprias instituições de cada cidade foram respeitadas. Havia mesmo liberdade intelectual...[4]

Quando a Pérsia conquistou o Estreito de Bósforo, passando a dominar o comércio na região, o fez em prejuízo dos gregos e benefício dos fenícios, o que constituiu uma causa econômica do conflito.[5]

A situação se deteriorou completamente quando a Pérsia tentou interferir na política interna de Atenas, apoiando a volta da tirania de Hípias, que fora expulso da cidade. Quando a revolta surgiu em Mileto, Atenas se uniu à Erétria, enviando tropas para atacar Sardes. Foram derrotados pelos persas.[6]

Dario I fez concessões aos derrotados, “...o estabelecimento de um cadastro parece ter permitido uma distribuição mais equitativa do imposto e certas cidades foram autorizadas a conservar a constituição democrática que tinham promulgado desde 498. [7]

Mas Dario I, que vira o potencial destrutivo de uma revolta na Ásia Menor, apesar da falta de unidade dos gregos, parece ter percebido que a região estaria sempre em perigo enquanto as cidades da Grécia peninsular se mantivessem livres de sua autoridade.[8]  Quatro anos depois da vitória, ele enviou um exército para punir aquelas cidades gregas, iniciando a I Guerra Médica (Os gregos chamavam os persas de Medos, daí Médicas).

A PRIMEIRA GUERRA MÉDICA

A quantidade de soldados e navios empregados pelos persas é variável como o número de historiadores a escrever sobre ela, de modo que não há como cravar um número exato de soldados.

Os primeiros alvos da ofensiva persa foram as cidades de Naxos e Erétria, que foram tomadas. Em seguida o exército invasor se dirigiu à Ática (território grego) e desembarcou em Maratona.[9]

O local, indicado por Hipias, era importante por conta das vantagens estratégicas que proporcionava: “Uma praia de areia, abrigada dos ventos do Norte e do Oriente, fornecia um abrigo seguro à frota persa; a planície de Maratona oferecia casualmente o campo livre a manobras de cavalaria, contra as quais a infantaria ateniense seria impotente.[10]

Uma frota bem protegida, apoiando um exército numeroso, que escolhera o lugar ideal para lutar com seus melhores recursos. Tudo pendia para o lado persa em Maratona. A célebre batalha estava prestes a começar.

A BATALHA DE MARATONA
A Baia de Maratona, vista a partir do lado oposto ao ancoradouro persa. No centro da imagem, ao fundo, o Cabo Cinosura. Google Street View

Sob o comando de Dátis, os persas atracaram seus navios na baia de Maratona, na qual o Cabo Cinosura protegeria os navios dos ventos. O local parece ter sido escolhido também pela proximidade de um lago, hoje seco, que serviria de fonte de água ao exército.[11]

Apesar da distância, a notícia do desembarque logo chegou a Atenas onde Milcíades, um dos líderes atenienses, clamou pelo ataque imediato.[12]

Um emissário foi enviado a Esparta para solicitar ajuda, mas estes responderam que “não podiam fazê-lo imediatamente, pois não queriam infringir a lei que os proibia de se porem em marcha antes da lua cheia...[13], de modo que as forças que Milcíades conseguiu reunir partiram sem os reforços pretendidos.
Os atenienses teriam se deslocado pela rota que “...passa através de Palene, contorna o monte Pentélico por sudeste e acede a planície de Maratona também por sudeste.[14] e, acampados no santuário de Héracles, receberam o reforço de tropas de Plateia. As forças gregas tomaram posição por entre as árvores do santuário de Héracles, impedindo o uso da cavalaria persa.[15]
A Praia Schinias, local onde ancorou a frota persa. No centro da imagem, ao fundo, o Cabo Cinosura. Google Street View
O Monte Agrieliki nas imediações da provável localização do Santuário de Héracles, onde teriam acampado os gregos. Google Street View

Sem poder usar sua força principal e premido pela iminente chegada dos espartanos, Dátis foi obrigado a confiar no maior número de sua infantaria.[16] Então os gregos saíram do bosque e a batalha começou.[17]

Há divergências quanto ao posicionamento das tropas para a batalha e as versões são duas. Na primeira os persas teriam se posicionado de costas para o mar, entre dois rios que desaguavam na baia.[18]

Na segunda os persas se alinharam com o mar à sua esquerda, e os gregos avançaram com as águas à direita, hipótese defendida por Sekunda, considerando a informação de que muitos persas fugiram para a área de vegetação chamada Grande Marisma, já próxima à praia onde estava ancorada a frota.[19]
As duas hipóteses: à esquerda os gregos atacam em direção ao mar. À direita os gregos atacam com o mar à sua direita.

Quando o ataque começou os gregos avançaram por cerca de 1200m e correram outros 300m quando os persas dispararam as flechas. No choque inicial houve equilíbrio e os combates corpo a corpo prolongaram-se.[20]

Depois as tropas persas do centro conseguiram fazer recuar os gregos. Heródoto afirma que os atenienses ocuparam a ala direita e os plateus a esquerda, mas na parte central “...as fileiras não eram muito compactas, tendo aí o exército o seu ponto fraco;[21] e foi justamente no centro que os persas levaram vantagem, fazendo recuar as forças gregas.

Os persas poderiam ter vencido se as laterais gregas não rompessem suas linhas à esquerda e à direita, fazendo-as fugir em direção aos navios.[22]

Na perseguição, os gregos chegaram à praia de Schinias, onde os fugitivos persas da ala esquerda tentavam embarcar em seus navios que recuavam para águas mais profundas.[23]. Segundo Heródoto:

A batalha de Maratona foi longa e cheia de peripécias. Os bárbaros conseguiram desbaratar as fileiras do centro do exército ateniense, pondo em fuga os remanescentes; mas as duas alas compostas de Atenienses e Plateus atacaram as forças persas que haviam rompido o centro do exército, impondo-lhes uma derrota irreparável. Vendo-as fugir, lançaram-se em sua perseguição, matando e esquartejando quantos encontraram pela frente, até a beira-mar, onde se apoderaram de alguns dos navios inimigos. [24]
Área próxima ao provável centro dos combates (desconsiderando eventuais avanços ou recuos do mar). Google Street View
A Praia Schinias, local do acampamento persa, para onde os soldados fugiram em busca de seus navios. Google Street View

Não é difícil imaginar que soldados desesperados tentando embarcar a qualquer custo tenham se tornado alvos fáceis para os perseguidores gregos ao mesmo tempo em que prejudicavam a partida dos barcos. Sekunda afirma que os gregos capturaram sete deles.[25]
Área do Grande Marisma, região pantanosa na época da batalha, nas imediações da Praia Schinias, para onde os soldados persas fugiram e de onde poucos sairam. Google Street View
Menos sorte ainda tiveram os fugitivos da ala esquerda persa, refugiados no Grande Marisma pois, quase impossibilitados de chegar aos navios, coisa que poucos lograram fazer, tornaram-se alvos ainda mais fáceis para os gregos.[26]




[1]     Atual Turquia.

[2]     (CULICAN;1968)pg. 77

[3]     Idem

[4]     GIORDANI, Mario Curtis. Historia da Grecia. 2. ed. RJ: Vozes, 1967. pg. 118

[5]     (CULICAN;1968) pg. 78
      (GIORDANI; 1967) pg. 118

[6]     (CULICAN;1968) pg. 78-79

[7]     HATZFELD, Jean. Historia da Grecia antiga. Lisboa, Europa-América, S.d. pg. 119

[8]     (HATZFELD;s.d.) pg. 119

[9]     Ibid. pg. 120-121

[10]    (HATZFELD;s.d.) pg. 121

[11]    SEKUNDA, Nicholas. Maratona 490 a.C. Desafio Helênico à Pérsia. Barcelona, Osprey 2010. pg. 35

[12]    (HATZFELD;s.d.) pg. 120-121

[13]    HERÓDOTO. História - Érato-CVI. Trad. Pierre Henri Larcher (1726–1812). pg.493.

[14]    (SEKUNDA;2010) pg.41

[15]    (SEKUNDA;2010)  pg. 42

[16]    Ibid. pg.52

[17]    Idem

[18]    CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em:
      http://it.wikipedia.org/wiki/Battaglia_di_Maratona. Acesso: 16/05/15

[19]    CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em:
      http://it.wikipedia.org/wiki/Battaglia_di_Maratona. Acesso: 16/05/15

[20]    (SEKUNDA;2010) pg. 64-65

[21]    HERÓDOTO. História - Érato-CXIpg.496

[22]    (SEKUNDA;2010) pg.70

[23]    Ibid. pg. 71

[24]    HERÓDOTO. História - Érato-CXIII. pg.497              

[25]    (SEKUNDA;2010) pg. 72


[26]    (SEKUNDA;2010)  pg. 70