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segunda-feira, 29 de maio de 2017

MAIO NA HISTÓRIA


GUERRA DO PARAGUAI
BATALHA DO TUIUTI
Em um dia 24/05, no ano de 1866, a Guerra do Paraguai tinha sua mais sangrenta batalha, travada em território paraguaio.
De um lado o exército de Solado Lopes, com cerca de vinte mil homens comandados pelo General José Eduvigis Díaz. Do outro, trinta e dois mil soldados brasileiros, argentinos e uruguaios, sob comando maior do General argentino Bartolomé Mitre, do brasileiro Manuel Luís Osório e do uruguaio Venancio Flores.
Solano Lopes vinha de duas derrotas nas batalhas do Passo da Pátria e Batalha de Estero Bellaco travadas já em solo paraguaio. A despeito disso estava muito otimista com a teoria de que uma vitória decisiva expulsaria os aliados do país.
Do outro lado, apesar das vitórias, havia discordância na estratégia de avanço, pois Mitre mantinha o movimento lento e cauteloso, levando em conta o desconhecimento do terreno, enquanto os generais brasileiro e uruguaio pediam uma maior velocidade.
Mas o terreno desconhecido acabou favorecendo os aliados, pois estes acamparam em uma região pantanosa, mais propícia à defesa do que ao ataque.
Este começou por volta de 11hs. As tropas paraguaias foram divididas em três colunas que tentaram cercar as forças aliadas.
O General Mitre não estava no acampamento, de modo que o comando foi assumido pelo General Osório.
No início a vantagem foi toda dos paraguaios e nada menos que três batalhões uruguaios foram dizimados. Mas, quando a cavalaria de Solano Lopes partiu para cima das forças brasileiras, depararam-se com um fosso intranspovível e, sem tempo de recuar, acabaram bem ao alcance das armas brasileiras. O resultado foi devastador para a cavalaria paraguaia.

Passado o impacto inicial, as iniciativas dos comandos menores dos aliados, bem como a estratégia de Osório, equilibraram as ações e logo viraram o jogo. Mas o combate foi sangrento, como revela o alferes Dionísio Cerqueira:
Os batalhões avançavam; a artilharia rugia rápida, a revolver; era um contínuo trovejar. Parecia uma tempestade. Cornetas tocavam a carga; lanças se enristavam, cruzavam-se baionetas, rasgavam-se os corpos sadios dos heróis; espadas brandidas a duas mãos, como os montantes nos pares de Carlos Magno, abriam crânios, cortavam braços, decepavam cabeças.
Seis horas depois de iniciada, a Batalha do Tuiuti terminou com vitória da Tríplica Aliança. Solano Lopes perdeu cerca de seis mil homens, enquanto os aliados perderam cerca de quatro mil.
Ao final do dia os aliados estavam firmemente estabelecidos dentro do território paraguaio e Solano Lopes desprovido da capacidade de ataque, restando-lhe o isolamento em fortalezas e as ações defensivas e de recuo.
Começou no alagadiço Tuiuti a derrocada do ditador Paraguaio.



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Fontes e Imagens:
http://www.bonde.com.br/educacao/passado-a-limpo/voce-sabe-o-que-foi-a-batalha-de-tuiuti--224893.html
http://www.historiadobrasil.net/resumos/batalha_tuiuti.htm
http://www.historiabrasileira.com/guerra-do-paraguai/batalha-de-tuiuti/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_do_Passo_da_P%C3%A1tria
https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Estero_Bellaco
https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Lu%C3%ADs_Os%C3%B3rio
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_E._D%C3%ADaz
https://pt.wikipedia.org/wiki/Venancio_Flores
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bartolom%C3%A9_Mitre
https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Tuiuti





AUSCHWITZ I
PRECURSOR DO INFERNO
Em um final de semana como este, em 1940, era inaugurado o Campo de Concentração de Auschwitz I.
Quando ouço a palavra Auschwitz logo vem à mente a imagem daquela construção longa, de telhado alto, com trilhos de trem na frente. É uma imagem que ficou ainda mais marcante para quem assistiu ao filme "A Lista de Schindler”, de Steven Spielberg. O diretor americano apresenta o lugar como sendo muito mais sombrio que o campo onde viviam os judeus de Schindler. E deveria ser mesmo...
Mas aquele lugar sinistro não é o Campo de Concentração. Aquela é a entrada do Campo Auschwitz II - Birkenau, o campo de extermínio.
Auschwitz I é onde fica o infame portão com a frase “Arbeit Macht Frei” (O trabalho liberta) e surgiu como campo de concentração funcionando depois mais como a administração de todo o imenso complexo de três campos e das outras dezenas de campos auxiliares.
Mas que o leitor não se engane. Morreu muita gente em Auschwitz I...
As construções iniciais do campo, que fica na localidade polonesa de Oświęcim, tinham servido de alojamento para a artilharia do exército e foram escolhidas para abrigar novo campo, diante da superlotação que já se registrava nas demais instalações espalhadas pela Polônia e Alemanha.
A reforma foi ordenada por Heinrich Himmler em 27 de abril de 1940 e a supervisão das obras coube ao Obersturmbannführer Rudolf Höss, que acabou se tornando o primeiro comandante do novo campo.
Rudolf Höss, prestes a ir ao encontro do chefe...
Após o despejo de todos os moradores das redondezas, foi criada uma área de 40 km2 que fornecia muito espaço para ampliação das instalações e, ao mesmo tempo, isolamento das vilas e cidades mais próximas. Os nazistas não queriam que ninguém soubesse o que aconteceria naquele local...
Os primeiros escravos a trabalhar em Auschwitz foram alemães, trazidos do Campo de Concentração de Sachsenhausen, o primeiro dos campos construído na Alemanha “para confinar ou liquidar em massa opositores políticos, judeus, ciganos, homossexuais, Testemunhas de Jeová, e, posteriormente, milhares de prisioneiros de guerra.1 Sua tarefa era servir como funcionários dentro do complexo.
Os primeiros ocupantes de Auschwitz como prisioneiros trazidos para confinamento foram 728 poloneses, 20 dos quais judeus, que chegaram em junho. Menos de um ano depois, em março de 1941, a quantidade de ocupantes já chegava a 10.900 pessoas, a maioria poloneses.
Dentro do sistema, cada prisioneiro era marcado em suas roupas segundo sua origem. Criminosos comuns recebiam a cor verde, presos políticos recebiam a cor vermelha e a cor amarela era destinada aos judeus.
Estes, junto com os prisioneiros soviéticos, recebiam os piores tratamentos.
Os prisioneiros tinham que trabalhar, geralmente nas fábricas de armas adjacentes. O trabalho era extenuante e a única “folga” era nos dias de Domingo, quando os escravos deveriam se dedicar a limpeza.
Uma das fábricas próximas a Auschwitz.
Para os desobedientes, fugitivos recapturados e suspeitos de sabotagem havia o Bloco 11, considerado a prisão da prisão, que possuia celas de 1,5 m² nas quais quatro prisioneiros eram colocados juntos e onde passavam a noite em pé, o que era um terrível castigo.
Algumas celas do Bloco 11.
Mas estes castigos não eram piores do que aqueles aplicados aos que eram enviados ao porão do Bloco 11, onde ficavam sem água nem comida até que morressem de fome e/ou sede. Outros eram colocados em celas vedadas, na qual morriam asfixiados.
Neste porão foi conduzida a primeira experiência de extermínio com o famigerado gás Zyclon B. 
Latas de Zyclon B, que vinha em forma de pedrinhas que se dissolviam no ar, liberando o gás mortal.
Seiscentos prisioneiros soviéticos e cento e cinquenta poloneses foram trancados por ordem do subcomandante SS-Hauptsturmführer Karl Fritzsch e expostos ao gás, vindo a morrer.
O “êxito” da experiência fez com que uma área maior fosse adaptada para ampliar a eficiência, e um crematório foi construído. 
Acima a câmara de gás de Auschwitz e abaixo o crematório.

Cerca de 60 mil pessoas morreram nas novas instalações até que foi convertida em bunker para a SS.
O leitor não estranhe esse número. Lembre-se que estamos falando de Auschwitz I, que era um Campo de Concentração. O campo de extermínio ainda seria implantado.
A despeito disso, e como foi visto, Auschwitz I foi embrião para a indústria da morte nazista em muitos aspectos. E não foi o trabalho que libertou os prisioneiros, foi o Exército Vermelho da União Soviética.
1https://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_de_concentra%C3%A7%C3%A3o_de_Sachsenhausen 

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Fontes e Imagens:
http://www.infoescola.com/historia/campo-de-concentracao-de-auschwitz/
http://www.dw.com/pt-br/1945-liberta%C3%A7%C3%A3o-de-auschwitz-birkenau/a-1465691
http://www.viajandoporai.com.br/campos-de-concentracao-na-polonia-parte-1-uma-visita-a-auschwitz/
http://www.megacurioso.com.br/guerras/75463-10-fatos-assombrosos-que-voce-talvez-desconheca-sobre-auschwitz.htm
http://avidanofront.blogspot.com.br/2010/12/kapos.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/O%C5%9Bwi%C4%99cim
https://pt.wikipedia.org/wiki/SS-Totenkopfverb%C3%A4nde
https://pt.wikipedia.org/wiki/Auschwitz
https://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_de_concentra%C3%A7%C3%A3o_de_Sachsenhausen

AS DUAS RENDIÇÕES DA ALEMANHA NAZISTA
Em um dia 07/05, no ano de 1945, a Alemanha Nazista assinava a rendição incondicional frente aos aliados na cidade francesa de Reims. Não foi o que você leu nos livros de História não é mesmo?
E se nós dissermos que a Alemanha começou a se render em 07 de Maio e só terminou quando já era dia 09? Curioso não? Vejamos pois!
Esta rendição, firmada às 02:41hs, foi a primeira a envolver o conjunto das forças armadas do III Reich e foi assinada pelo Coronel-General Alfred Jodl em nome dos alemães, representando o Almirante Karl Dönitz, sucessor de Hitler; Walter Bedell Smith, representando os aliados do ocidente, e por Ivan Susloparov, representando os Soviéticos. François Sevez assinou como testemunha, em nome dos franceses.
A nosso ver, a morte (ou fuga) de Hitler foi o fato que, realmente, consumou a derrota da Alemanha e ela se deu frente ao Exército Vermelho, que já tomava quase toda Berlim, a capital do III Reich. Dois dias depois, em 02/05, o General Helmuth Weidling, comandante da defesa da cidade, rendeu suas tropas ao General Vasily Chuikov.
Assim sendo, a viagem de Alfred Jodl, a mando do novo governante alemão, Almirante Karl Dönitz, nada mais foi do que uma tentativa de evitar uma rendição aos soviéticos, única força estrangeira presente em Berlim naquele momento. Os alemães pediram para prosseguir resistindo contra os soviéticos, o que Eisenhower não aceitou, obrigando-os a assinar a rendição incondicional.
Coronel-General Alfred Jodl assina a 1ª Rendição Alemã.
A despeito deste gesto de lealdade, Stalin ficou furioso com o que parecia ser a comprovação de suas suspeitas de que EUA e Inglaterra negociavam uma paz em separado com a Alemanha. Esse temor era infundado mas compreensível, uma vez que, se os alemães pudessem deslocar todas as suas tropas da França, Holanda, Itália, Noruega, etc, para o Leste, o Exército Vermelho sofreria um pesado contra-ataque e as perdas cresceriam exponencialmente.
Por isso foi preparada uma segunda rendição, desta vez em Berlim, onde os soviéticos tiveram o papel principal com a presença do General Georgi Zhukov. Foi essa a rendição que entrou para os livros de História.
Marechal Georgy Zhukov da URSS
No dia 08/05, na Escola de Engenharia do Exército Alemão, naquele momento transformada em Administração Militar Soviética de Berlim (e atualmente Museu Alemão-Russo Berlin-Karlshorst), compareceram os oficiais superiores das três forças armadas alemãs: "O marechal Wilhelm Keitel (Exército), o general Hans-Juergen Strumpff (Aeronáutica) e o almirante Hans Georg von Friedeburg (Marinha)."1
Museu Alemão-Russo Berlin-Karlshorst
Representando os aliados estavam presentes: Marechal Georgy Zhukov da URSS, Marechal Chefe do Ar Arthur Tedder da Inglaterra, General Carl Spaatz dos EUA e o General Jean de Lattre de Tassigny, da França como testemunha.2
A cerimônia começou com atraso, pouco antes da meia-noite (o que significava já ser 09 de maio em Moscou), e só terminou depois da meia-noite mesmo no horário ocidental, ou seja, também já no dia 09 de maio.
O Marechal Wilhelm Keitel assina a 2ª Rendição Alemã.
Assim sendo, temos três datas distintas para a rendição incondicional do III Reich: 07 de maio, em Reims, como primeira rendição; 08 de maio, em Berlim, como rendição oficialmente aceita por todos os aliados e pela História, mas que só ocorreu quando já era dia 09 de maio na URSS, país que verdadeiramente derrotara a Alemanha.
Mais abrangente do que a Rendição de Reims, a Rendição de Berlim exigia o desarmamento completo da Alemanha, a extinção do Partido Nazista e a libertação de todos os prisioneiros de guerra.

Os dois documentos de rendição. À esquerda a 1ª rendição (em inglês), com assinatura de Jodl em destaque. À direita a 2ª rendição (em russo), com assinatura de Keitel em destaque.
Encerrava-se, assim, o pior mal que já caminhara sobre a face da Terra, embora siga tentando ressurgir aqui e ali, desde então.
1https://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2005/05/03/ult34u124826.jhtm
2https://pt.wikipedia.org/wiki/Instrumento_da_rendi%C3%A7%C3%A3o_alem%C3%A3

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Fontes e Imagens:
http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/noticias/2012/05/08/a-rendicao-alema-o-fim-da-segunda-guerra-mundial/
http://www.editoracontexto.com.br/blog/ha-70-anos-a-alemanha-assinava-a-sua-rendicao-na-segunda-guerra-mundial/
http://opiniaoenoticia.com.br/internacional/alemanha-nazista-assina-a-rendicao/
https://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2005/05/03/ult34u124826.jhtm
http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/o-dia-da-rendicao-da-alemanha-nazista-91z4fnq8nhtt21eb202dly4b2
https://pt.wikipedia.org/wiki/Instrumento_da_rendi%C3%A7%C3%A3o_alem%C3%A3
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fim_da_Segunda_Guerra_Mundial_na_Europa

https://www.ibiblio.org/hyperwar/ETO/Dip/ETO-Surrender-Docs.html



A QUEDA DE ANA BOLENA
Em um dia 17/05 como este, no ano de 1536, Anne Boleyn (Ana Bolena) perdia o posto de Rainha Consorte da Inglaterra por ordem do Rei Henrique VIII, até então seu marido.
Terminava o casamento que mudara a História da Inglaterra e do Cristianismo, por ter ocasionado a separação entre o Rei e a Rainha original, Catarina de Aragão, e por ter levado Henrique VIII a romper com a Igreja Católica, fundando a Igreja Anglicana.
Ana Bolena nasceu em data e local incertos entre os anos de 1501-1507 em "Blickling, Norfolk ou Hever, Kent, Inglaterra". Seus pais eram Thomas Bolena, 1.º Conde de Wiltshire e Elisabeth Howard. Ele linguista e diplomata da corte do Rei Henrique VII, ela filha do Duque de Norfolk.
Ana Bolena em dois momentos de sua vida. Jovem e mais velha.
Ana passou toda sua vida frequentando as cortes da Europa. Foi educada na corte dos Países Baixos, junto a Margarida, Arquiduquesa da Áustria. Depois passou alguns anos na corte da França, ao lado da Rainha Cláudia de Valois.
Ao retornar à Inglaterra tornou-se dama de companhia de Catarina de Aragão, esposa do Rei Henrique VIII, notório por seus casos extraconjugais dos quais o mais recente era com a irmã de Ana, Maria Bolena.
Tataraneta de um chapeleiro e aparentada com um santo (São Thomas Becket), a vida de Ana Bolena foi sempre cercada dos mexericos das cortes e da busca incessante de poder e influência junto ao Rei por parte de seus familiares. Rumores chegaram a afirmar que ela seria filha de Henrique VIII, que teria sido amante da mãe de Ana na juventude, o que certamente teria sido um escândalo de proporções bíblicas!
Mas o boato perde credibilidade quando é fortemente apoiado pelos católicos adversários do rei, que negava ter tido qualquer envolvimento com Elizabeth Howard. O mais provável é que tenha ocorrido uma confusão entre os nomes da mãe de Ana com Elizabeth Blount, essa sim, conhecida amante do rei.
Antes do casamento real com Henrique VIII, Ana quase se tornou Condessa na Irlanda, por conta de um arranjo de casamento que não chegou a se concretizar. Por amor, ela quase se casou com Henry Percy, futuro Conde de Northumberland, com quem Ana teve um relacionamento secreto que foi descoberto e proibido por influência do Cardeal Wolsey, então Chanceler da Inglaterra.
Quando Ana e o Rei se conheceram ele era amante de Maria Bolena e já estava descontente com sua esposa legítima, a Rainha Catarina de Aragão, por esta não lhe dar um herdeiro homem para assumir a coroa. Encantado com a moça, que não era tão bela mas era espirituosa e bem humorada, Henrique VIII logo começou a cortejá-la insistentemente, sendo sempre recusado.
Esta recusa teria sido a provável causa do grande encantamento do Rei por Ana, que mostrou grande determinação ao afirmar que se não pudesse ser esposa, amante não seria.
A partir dai Henrique VIII, usando o argumento da falta de um herdeiro homem e do suposto parentesco com a Rainha, que seria sua cunhada (viúva de seu irmão), trabalhou junto ao Vaticano para anulação do casamento.
Carta da Inglaterra ao Vaticano para anulação do casamento de Henrique VIII.

A carta seguiu com 85 selos de nobres que apoiavam a solicitação do Rei. 
Mas a Rainha Catarina tinha aliados poderosos como seu sobrinho Carlos V da Espanha, de modo que o Papa Clemente VII negou a anulação do casamento levando Henrique VIII a casar mesmo assim, rompendo com a Igreja e fundando a Igreja Anglicana.
O casamento ocorreu em segredo, no dia 25/01/1533, quando Ana já estava grávida. O divórcio do Rei e da Rainha só foi oficializado em 23/05/1533 e o casamento com Ana foi validado em 28/05 do mesmo ano. Poucos dias depois, em 01/06, Ana Bolena foi coroada na Abadia de Westminster.
Relativamente poucas pessoas compareceram ao banquete cerimonial, mostrando a forte impopularidade da nova rainha. Quando as notícias chegaram a Roma, Henrique VIII foi excomungado pelo Papa.
Henrique VIII e o Papa Clemente VII.
Tamanho escândalo foi se revelando infrutífero na medida em que os meses se passavam. É certo que Ana já estava grávida, mas o herdeiro masculino não veio, nascendo Elisabeth no dia 07/09/1533. As novas gravidezes resultaram em abortos ou em herdeiros que logo morreram e novas e desesperadas tentativas de engravidar não deram resultado.
O casamento também se deteriorou porque Ana não soube ou não quis lidar pacificamente com os casos extraconjugais do marido, talvez por receio de ser descartada caso uma das amantes desse ao rei o tão sonhado herdeiro homem. Há relatos de que a rainha chegou a agredir fisicamente a nova amante do Rei, Jane Seymor.
A Rainha Catarina de Aragão e Jane Seymor.
Mas nada disso foi suficiente para salvar a situação. No período em que Henrique VIII já tinha Jane Seymor como amante, rumores de infidelidade e incesto supostamente cometidos pela rainha foram usados pelo Rei para se livrar da esposa.
Ela e mais cinco supostos (e não comprovados) amantes, inclusive o irmão da Rainha (Jorge Bolena) foram presos na Torre de Londres. Os homens foram mortos dia 17/05. A decaptação de Ana foi marcada para o dia seguinte.
A Torre de Londres.
Contudo, por influência do Primeiro Ministro Thomas Cromwell, a execução foi adiada. Ele queria afastar os simpatizantes da rainha e estrangeiros, para que relatos da decaptação não fossem espalhados e resultassem em uma imagem ruim do Rei.
Ana comportou-se bravamente durante estes momentos, reclamando do adiamento da execução, do atraso do carrasco e caminhando de cabeça erguida quando o momento finalmente chegou.
Apesar dos cuidados de Cromwell, ocorreram vazamentos seletivos do acontecimento. O mais aceito deles, feito por Edward Hall, informa que as últimas palavras de Ana Bolena foram estas, proferidas aos presentes:
Bom povo cristão, eu não vim aqui para passar sermão; eu vim para morrer. De acordo com a lei e pela lei fui julgada para morrer, e, portanto, eu não direi nada contra isso. Não vim aqui para acusar qualquer homem, nem para falar daqueles que me acusaram e condenaram à morte, mas eu rezo a Deus que salve o rei e mantenha-o por muito tempo reinando sobre vocês, pois príncipe mais misericordioso jamais existiu, e para mim ele sempre foi bom, gentil, e senhor soberano. E se alguma pessoa intervir em minha causa, eu peço a ele [o rei] que o julgue melhor. E assim eu me despeço do mundo e de vocês, e cordialmente peço-lhes que rezem por mim.1
Acredita-se que Ana não contestou sua condenação e proferiu palavras elogiosas a Henrique VIII por ser o usual na época mas, principalmente, para que sua filha Elisabeth e sua família não incorressem na ira do Rei por culpa dela.
Após o discurso Ana teve os adornos que carregava retirados para deixar o pescoço livre para receber o golpe do carrasco. No momento final o carrasco teria pedido a espada em voz alta, levando a condenada a virar um pouco a cabeça para olhar. Esse pedido (encenado, posto que o carrasco já estava com a espada), teria a intenção de provocar um leve movimento da vítima, facilitando o golpe.
Quando este foi dado, ocorreu com precisão, separando cabeça e corpo em uma única espadada. Os restos mortais de Ana Bolena foram colocados em uma caixa de flechas e sepultados no piso da capela de St. Peter ad Vincula, dentro do próprio complexo da Torre de Londres.
Suposto local de execução de Ana Bolena e a Capela de St. Peter ad Vincula ao fundo.
Com o tempo, a localização de seu túmulo se perdeu e exumações posteriores podem ter misturado seus ossos com o de outras pessoas sepultadas no local. Assim sendo, quando o visitante se depara com a lápide no chão, indicando a sepultura de Ana Bolena, pode não estar sobre seus restos mortais.
A suposta sepultura de Ana Bolena.
A despeito de sua vida conturbada e de seu fim trágico, Ana Bolena escreveu com letras muito fortes seu nome na História e legou à Inglaterra uma herdeira que acabou se tornando sua maior Rainha: Elisabet I.
Long Live The Queen!


1 https://rainhastragicas.com/2016/05/19/eu-me-despeco-deste-mundo-e-de-voces-as-ultimas-palavras-de-ana-bolena/

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Fontes e Imagens:

https://tudorbrasil.com/2014/09/15/10-fatos-que-voces-deve-saber-sobre-ana-bolena/

https://rainhastragicas.com/2013/04/11/escandalo-na-corte-seria-ana-bolena-filha-de-henrique-viii/

https://rainhastragicas.com/2016/05/19/eu-me-despeco-deste-mundo-e-de-voces-as-ultimas-palavras-de-ana-bolena/
https://rainhastragicas.com/2016/05/19/eu-me-despeco-deste-mundo-e-de-voces-as-ultimas-palavras-de-ana-bolena/
http://origin.guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/historia-ana-bolena-reinado-henrique-viii-681249.shtml
https://rainhastragicas.com/2014/05/19/a-exumacao-de-ana-bolena/
https://seuhistory.com/biografias/ana-bolena
https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_I_de_Espanha
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_Wolsey
https://pt.wikipedia.org/wiki/Henrique_VIII_de_Inglaterra
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_Bolena
http://famouswonders.com/tower-of-london-near-the-river-thames/
http://creatingit.org/wp-content/uploads/2016/09/st-peter-ad-vincula-and-execution-place-for-jane.jpg



HISTÓRIA DO DIA DO TRABALHO
O 1º de Maio é o dia do trabalho e/ou do trabalhador em vários países do mundo e também no nosso amado Brasil. Mas, tanto aqui como em muitos países, a conquista desse dia foi cercada de muitas lutas.
A escolha da data tem ligação com a greve realizada em Chicago no ano de 1886 quando milhares de trabalhadores protestaram pela redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias.
O protesto de 01/05 terminou pacificamente, mas três dias depois, em 04/05, a Revolta de Haymarket resultou na morte de 08 policiais após a explosão de uma bomba. Quando a polícia abriu fogo, 11 manifestantes morreram e dezenas ficaram feridos.

Os 08 líderes do movimento foram presos, processados e, mesmo sem provas de participação no lançamento da bomba, foram condenados, quatro deles à morte. Um deles cometeu suicídio e os demais acabaram absolvidos pelo governador do estado de Illinois. 
Acima o julgamento dos líderes do movimento de Chicago e abaixo as execuções.


A data do primeiro protesto, 01/05, foi adotada pela Internacional Socialista de Paris em 20/06/1889 como dia de mobilização dos trabalhadores pela jornada de 08 horas diárias. Dois anos depois, na mesma Paris, os manifestantes foram duramente reprimidos pela polícia, resultando em 10 mortes.
Mas aquele terrível sacrifício não foi em vão, pois em 23/04/1919, o Senado da França aprovou a adoção da jornada de 08 horas e transformou o dia 01/05 em feriado.
Quando a URSS fez da data um feriado nacional, vários outros países adotaram a mesma medida. Nos EUA a data não foi reconhecida, mas a jornada de 16 horas foi reduzida para 08 horas em 1890.
No Brasil a data vem sendo lembrada desde 1890, mas só ganhou força mesmo após a chegada dos imigrantes que traziam as ideias de organização dos trabalhadores de seus países.
Em 1917 uma grande greve geral paralisou a cidade de São Paulo e o movimento cresceu até que, em 1925, o Presidente Arthur Bernardes instituiu o Dia do Trabalho também no Brasil.
Desse dia em diante, o 1º de Maio passou a ser um dia de protestos da classe trabalhadora até que Getúlio Vargas passou a fazer uso da data para anunciar medidas governamentais de benefício ao trabalhador e a organizar celebrações, desfiles e festas nas quais o governo era exaltado.
Em 01/05/1940 Getúlio anunciou a criação do salário mínimo e, no ano seguinte, a criação da Justiça do Trabalho. Em 1943 foi instituída a CLT (massacrada agora pelo governo de MT e seus compadres). Os aumentos do salário mínimo também passaram a ser anunciados nesta data.
Com a supressão de direitos e o arrocho salarial promovidos pela Ditadura Militar, aos poucos a data foi sendo retomada como dia de protestos e manifestações da classe trabalhadora.
Nossa gratidão a todos aqueles que deram suas vidas por um tratamento mais humano por parte dos patrões aos trabalhadores.
Monumento aos mártires de Chicago. Chegará o dia em que nosso silêncio será mais poderoso do que as vozes que você está estrangulando hoje.
E que os homens e mulheres de hoje, que ganham seu sustento na lida diária da indústria, do comércio, dos serviços e do meio rural, possam se espelhar em seus colegas do passado e lutar para manter e ampliar seus direitos.
Trabalhadores do Mundo! Uni-vos!
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Fontes e Imagens:
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http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2011/04/historia-do-dia-do-trabalho-1
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